Coluna do Pedro Zambarda
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Sobre o machismo explícito de Reinaldo Azevedo contra Joice Hasselmann

A discussão sobre direita e esquerda, e sobretudo agora dentro das direitas, descambou para uma baixaria dentro do colunismo político brasileiro. Criticado por suas posturas depois do controverso impeachment de Dilma Rousseff, Reinaldo Azevedo resolveu deferir ataques sem sentido a uma ex-colega do site da revista Veja. Desespero? Talvez. Os números mostram que Reinaldão não anda no seu melhor momento.

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No dia 16 de fevereiro de 2017, a jornalista e ex-apresentadora da Veja, Joice Hasselmann, gravou um vídeo questionando, de maneira respeitosa até, se o polemista de extrema-direita Reinaldo Azevedo não estava vacilando em suas críticas ao juiz Sérgio Moro e à Operação Lava Jato. Desde sua saída da publicação, Joice assumiu que defende as atuações da Polícia Federal no caso, numa postura claramente antipetista.

O que surpreendeu na ocasião não foi o questionamento de Joice Hasselmann, normal inclusive no espectro das esquerdas (olá Paulo Henrique Amorim e Leonardo Attuch, tudo bem?), mas sim a resposta raivosa de Reinaldão.

Reinaldo Azevedo utilizou seu canal na Rádio Jovem Pan, do programa Os Pingos nos Is de 17 de fevereiro, para falar durante mais de 24 minutos (!) sobre Joice. No meio do palavreado todo, "Tio Rei" exalta o fato de ter cinco empregos, ser o colunista que é e aproveita a oportunidade para deferir ataques baixos à vlogueira.

Diz que Joice Hasselmann "não sabe de nada", "é burra", "é a loira do banheiro", "não leu Machado de Assis" e insinua em diferentes momento que ela tem "exuberância" física.

O pico da baixaria é quando Reinaldão fala para Joice, abertamente e sem provas, que "dormir com pessoas não nos deixa mais inteligentes, nem que seja Schopenhauer".

Reinaldo Azevedo também relembra as acusações de 65 plágios contra Joice Hasselmann formulada pelo Sindicato dos Jornalistas do Paraná (Sindijor-PR), que foi a público em junho de 2015.

Ele também aponta erros de crase e de vírgulas nos texto de Joice. E diz que teria demitido ela ou nem a teria contratado para trabalhar na Veja.

A jornalista respondeu com mais dois vídeos afirmando que "Reinaldo Azevedo pensa que é Deus". "Desculpe, Reinaldo. Lamento dizer. Você não é Deus", complementa ela mesma.

Joice Hasselmann está correta e Reinaldo está decadente.

A jornalista do Paraná falou em apenas três vídeos sobre o assunto. Reinaldão falou por 24 minutos na Pan, mas fez histeria nas redes de todos os locais onde trabalha. Gravou três vídeos ao todo (incluindo Veja) e escreveu pelo menos dois textos intermináveis em seu blog, chamando-a de "apedeuta" - o apelido ignorante que ele reservava para Lula. Chamou Joice também de "direita xucra" por apoiar Jair Bolsonaro, como se os seus leitores não concentrassem também os fãs do defensor da ditadura militar.

Com as críticas da internet, Reinaldão adotou um comportamento padrão muito bem descrito pelo jornalista Paulo Nogueira no site Diário do Centro do Mundo: Diz que não lê textos dos adversários, tenta desqualificar e parte para agressões de baixo nível. Além disso, Reinaldo Azevedo fechou os comentários no vídeo da Jovem Pan.

Este comportamento já repercute em sua audiência de direita.

O jornalista Pedro Burgos criou um observatório de repercussões das mídias de esquerda e direita no Facebook, analisando compartilhamentos, alcance e fãs. Dá pra ler aqui - http://media.pburgos.com/

Reinaldão está abaixo de Bolsonaro, Rodrigo Constantino (que defendeu Joice Hasselmann), Antagonista, MBL, Implicante... e está na frente somente do site Reaçonaria.

Pelo visto ser de direita e machista para gerar polêmica não está dando muito certo.

Reinaldo Azevedo diz que tem empregos na revista Veja, no jornal Folha de S.Paulo, na Rádio Jovem Pan e na RedeTV. Diz que vai ter mais locais para trabalhar. Se ele foi um dos maiores colunistas políticos entre 2008 e 2012, sucedendo Diogo Mainardi na Veja, hoje ele já não tem mais a mesma influência.

O autor deste texto não tem afinidade ideológica nenhuma com Joice Hasselmann, mas é flagrante como o debate político perde com tamanha baixaria vinda de um suposto conservador.

Reinaldo Azevedo atacou Joice porque ela é mulher. 

E porque ele pensa mesmo que é Deus.

Lindbergh Farias, João Paulo Rillo e os fracassos do PT

Um deputado estadual e um senador criticaram abertamente o Partido dos Trabalhadores. A autocrítica da esquerda vem tarde demais? As insatisfações de Lindbergh e Rillo são suficientes? O PT precisa de mais crítica? E como delimitar, de maneira efetiva, os seus fracassos?

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O senador Lindbergh Farias, um dos maiores defensores de uma reação ao golpe contra a presidente Dilma Rousseff, gravou um vídeo deprimido no dia 20 de janeiro de 2017. Por 45 votos a 30, o diretório nacional do PT votou a possibilidade de compor chapa com Eunício Oliveira e Rodrigo Maia, políticos do PMDB próximos de Michel Temer.

A decisão, na época, teve aval do ex-presidente Lula. Lindbergh foi uma das poucas vozes contrárias à decisão.

Ele foi taxativo: "Eu acho isso um escândalo. Nós não temos condições e não podemos participar de uma votação de uma chapa composta por golpistas! Houve um golpe de Estado neste país! Afastaram uma presidente democraticamente eleita. Estão rasgando a Constituição! A PEC 55 foi isso. Rodrigo Maia e Eunício Oliveira serão os principais líderes na votação desta Reforma da Previdência e do Trabalho, que é contra o povo trabalhador! A batalha não acabou e é por isso que eu estou gravado [este vídeo]".

Em 11 de fevereiro, o deputado estadual paulista e petista João Paulo Rillo fez uma transmissão ao vivo no Facebook. Ele relembrou que o Partido dos Trabalhadores completou 37 anos e fez uma reflexão mais aprofundada sobre o momento partidário.

"Tem muita coisa para comemorar, mas tem muita coisa para se pensar e mudar. Para corrigir. Erros a serem admitidos. Autocrítica é importante com nossa base social e com o povo que votou no partido. Aproveito o momento para falar do que está acontecendo: Para vocês que são petistas e os que não são petistas", frisou.

Rillo tentou diálogo com o governo Geraldo Alckmin para aprovar medidas de cunho social. Antes de tentar isso no final de 2016, foi o deputado que tomou partido dos estudantes secundaristas e chegou a ser agredido e ameaçado pela Polícia Militar do governador. Hoje ele tenta reajuste para médicos residentes, banimento da bala de borracha da PM em projetos, além de medidas para manter a Banda Sinfônica do Estado de São Paulo.

João Paulo Rillo defende a dialética e o confronto de ideias para lidar com a gestão Alckmin, envolvida com acusações sérias de máfias, da merenda até outros níveis. A bancada do PT sabotou Rillo e as contas do governo tucano foram aprovadas.

Lindbergh e Rillo tocam em pontos incômodos do PT. O partido não admite que tornou pautas reformistas importantes em fracassos em nome da tal "governabilidade". Os avanços do governo Lula, por exemplo, foram comprometidos pela gestão Dilma e, agora, de maneira mais aguda, com Michel Temer.

O Partido dos Trabalhadores surgiu em 1980 com os movimentos de massa dos sindicatos. Englobou a intelectualidade da Universidade de São Paulo e atingiu os acadêmicos que criticaram Fernando Henrique Cardoso e suas atitudes pró-neoliberalismo.

Hoje, o PT é incapaz de fazer uma autocrítica organizada. As vozes autênticas saem pulverizadas em senadores e deputados específicos. E não se trata aqui de defender especificamente Lindbergh ou Rillo. No caso de Lindbergh Farias, por exemplo, ele deve responder a acusações na Operação Lava Jato. Mas isso não invalida o seu ponto de vista crítico e construtivo ao partido.

Lindbergh e Rillo saíram do movimento estudantil. Lindbergh Farias pediu o impeachment de Fernando Collor de Mello com os "caras pintadas". João Paulo Rillo faz uma crítica contundente a Lula: "Primeiro enquadraram o operário pela violência física. Depois é pelo discurso".

Os dois petistas ainda vêem a história do PT com mais acertos do que erros. Mas o partido precisa se cuidar. Já passou da hora de lidar com seus fracassos.

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pedrozambarda
Escreve desde os 8 anos. É editor do Geração Gamer e Drops de Jogos, além de ser repórter do Diário do Centro do Mundo.