Coluna do Pedro Zambarda
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Tentaram destruir o PT para 2018. Ainda não conseguiram

Sobre a candidatura Lula e algumas questões da Operação Lava Jato.

Tentaram destruir o PT para 2018. Ainda não conseguiram
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O sociólogo e ex-porta-voz do primeiro governo Lula, André Singer, não é um analista político isento. No entanto, jornalista experiente que é, ele traça quadros gerais importantes dos momentos do que ele define como "lulismo". Destaco trechos de sua coluna na Folha de S.Paulo no dia 11 de março de 2017:

"Independentemente de considerações judiciais, que pertencem a uma esfera não diretamente política, o cenário estabilizador seria aquele em que Lula pudesse ser candidato. Não porque represente uma alternativa radical ao que está aí, mas porque significaria uma variante popular para o pós-crise. Lula terá que empunhar a bandeira óbvia da retomada do crescimento, que, aliás, provavelmente já estará em curso. Não creio que se proponha a revogar o que tiver sido aprovado por Temer. A diferença entre a sua candidatura e a do PSDB —hoje provavelmente representada por Alckmin— seria relativa ao papel do Estado e dos programas sociais na aceleração de um crescimento bem baixo. Embora em visível ascensão, o nome de Bolsonaro não parece vocacionado a estar rapidamente entre os maiores. No segundo cenário, o Partido da Justiça (PJ), a mídia, os capitalistas e a classe média recusam-se a "salvar a política" em nome de serem fieis à narrativa de que é preciso ir até o fim no combate à corrupção. Nesse caso, o PJ teria que disponibilizar um quadro para concorrer, pois os partidos tradicionais estarão aniquilados. Joaquim Barbosa, Sergio Moro, Cármen Lúcia, Ayres Britto? Como falta ao PJ um programa abrangente para os problemas brasileiros, se chegar à Presidência, vai prolongar a instabilidade. Combater a corrupção não é suficiente para responder aos desafios brasileiros. Um terceiro cenário em que se condenam todos, salvando-se apenas o PSDB, tampouco estabiliza o quadro. Sem um partido popular competitivo, as instituições brasileiras ficam mancas".

Tentaram destruir o PT para 2018. Ainda não conseguiram

O que Singer quer dizer com isso? Lula, por acaso, é um "messias"?

Longe disso. A análise de André Singer é restrita ao meio político. Ele considera a hipótese de Luiz Inácio Lula da Silva ser preso por uma de suas acusações na Operação Lava Jato. No entanto, o impeachment de Dilma Rousseff, longe de se configurar como uma pacificação do cenário com a derrocada do PT, assumiu feições ameaçadoras ao país por se provar como um golpe de Estado.

Michel Temer aprofundou os indicadores econômicos, o que balança o apoio das elites e da mídia a sua roubalheira, que começou no Petrolão sob tutela do Partido dos Trabalhadores.

E está ocorrendo uma limpa na política. Mas envolvendo apenas o PT e os aliados de petistas. O PMDB de Temer só é capturado nas beiradas - com a exceção de Eduardo Cunha. PSDB segue intacto.

Não prender Lula, neste contexto, é um elemento de pacificação política até a disputa eleitoral de 2018. Abrindo espaço para petistas nas eleições, o ex-presidente tem chances reais de ganhar, embora tenha rejeições sólidas nos levantamentos do Datafolha e do CNT/MDA.

Tentaram destruir o PT para 2018. Ainda não conseguiram

Se Lula não for preso, as forças de elite tentaram destruir o PT para as eleições de 2018.

E não conseguiram.

Moro "Batman", Karnal "Robin" e a irrelevância de uma foto

Leandro Karnal é o filósofo pop da vez, dotado de ideias progressistas e de centro. No último sábado (11), ele resolveu postar uma foto com o juiz Sergio Moro. O caso repercutiu e dominou o noticiário, em plena delação da Odebrecht.

Moro "Batman", Karnal "Robin" e a irrelevância de uma foto
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Leandro Karnal é professor da Unicamp e um dos colunistas mais lidos do jornal O Estado de S.Paulo. Vendedor de livros best-seller, arrisca comentários sobre generalidades na TV Cultura e na grande mídia. Seu ritmo de palestras e entrevistas diz que é tão intenso que até agora ele não atendeu meu telefonema pedindo por uma entrevista. É o cara da vez.

Ou talvez não seja mais. Neste último sábado, ele resolveu postar uma foto com o juiz Sérgio Moro, o terror dos esquerdistas e o herói dos antipetistas. Deu ruim. E deu bem ruim.

Nada acontece sem contexto. É preciso explicar por que há tanta comoção em torno de uma foto.

Recentemente, dentro do próprio Estadão, Karnal repeliu leitores anti-PT e anticomunistas em geral. Recomendou que lessem Karl Marx. Em vídeos no YouTube, ele diz que a "cadela do fascismo está a solta", referindo-se ao deputado Jair Bolsonaro.

Suas ideias pareciam plenamente conscientes. E até acredito que ainda sejam. O problema é que ele achou que a informação também funcionaria ao contrário, como qualquer centrista que acha que o modus operandi da direita é o mesmo.

Foi lá e tirou uma fotografia com Moro. E falou que vai fazer novos projetos com o magistrado. Uma pós-graduação juntos. Um livro? Não sabemos, mas é provável. Moro é best-seller de política nas mãos de jornalistas.

Historiador de formação, talvez Karnal não tenha analisado o contexto. Arrependido, hoje tirou a foto do ar.

E os sites esquerdistas e figuras de esquerda trataram de repreendê-lo pelo ato, assim como mostrar que Sérgio Moro está decadente depois de três anos de Operação Lava Jato, que pune com velocidade alguns políticos e poupa outros.

No entanto, o que me salta aos olhos neste caso é que ainda estamos na lógica do "Batman Joaquim Barbosa" que dominou o debate político em 2012, quando ocorreu o julgamento do Mensalão e Fernando Haddad ganhou para prefeito em São Paulo pelo PT. Não evoluímos. A direita analfabeta política tenta defender Moro. A esquerda está sedenta por inimigos.

Moro "Batman", Karnal "Robin" e a irrelevância de uma foto

No fundo, a foto do "Batman Moro" com o "Robin Karnal" é só uma futilidade das fofocas de política. O foco deveria ser a lista da Odebrecht que, ao que tudo indica, veio pra ferrar de vez o PMDB e o PSDB.

E o acordo pra "estancar a sangria da Lava Jato" e manter a "suruba do governo Temer".

Falta-nos foco. E Karnal precisa parar de tirar fotos depois de beber umas taças de vinho.

PS: Mas leiam Leandro Karnal e não Olavo de Carvalho. Por gentileza.

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pedrozambarda
Escreve desde os 8 anos. É editor do Geração Gamer e Drops de Jogos, além de ser repórter do Diário do Centro do Mundo.