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Um ano de Dilma fora do poder: cinco maiores retrocessos de Temer

O golpe parlamentar foi concluído com sucesso. Saiba o que você perdeu com o vice de Dilma Rousseff no poder - e como Michel Temer pode piorar ainda mais o Brasil.

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(Foto: José Cruz/Agência Brasil/Fotos Públicas)

A lista de retrocessos não é pequena. As controvérsias inclusive provocaram rachas dentro da direita, que se uniu para derrubar Dilma. O que mudou? E o que piorou mais do que o restante? O Brasil já deveria ter se recuperado? O que Temer representou?

Um ano de Dilma fora do poder: cinco maiores retrocessos de Temer

(Foto: Ricardo Stuckert/Instituto Lula/Fotos Públicas)

Dilma Vana Rousseff foi deposta no dia 31 de agosto de 2016, há um ano, por 61 votos favoráveis no Senado contra 20. Na Câmara dos Deputados, o impeachment da presidente teve 367 votos favoráveis, 137 contrários, além de 7 abstenções e 2 ausentes. Nas urnas, Dilma venceu em 2014 por 54 milhões de votos e em 2010 por 55 milhões de votos.

O processo foi articulado por Eduardo Cunha, ex-deputado federal que foi o líder da Casa. Mas ele fez isso atendendo a interesses de Michel Temer, o vice-presidente e homem forte do PMDB. Tomando posse no lugar de Dilma após mandar uma carta em que reclamava que era "vice decorativo", Temer organizou um verdadeiro retrocesso econômico, social e político num dos maiores assaltos ao patrimônio público já vistos.

Um ano de Dilma fora do poder: cinco maiores retrocessos de Temer

(Foto: Lula Marques/Fotos Públicas)

Elevando o "troca-troca" do Congresso a outro nível, é importante elencar os principais desastres de Michel Temer depois da queda orquestrada num golpe parlamentar de sua antecessora. Veja uma pequena seleção.

1. Teto de gastos e desmonte de programas sociais

No mês de dezembro de 2016, o governo Temer aprovou a PEC 55 no Congresso, que prevê o congelamento dos gastos sociais pelos próximos 20 anos, sobretudo em saúde, educação e em programas sociais. O Bolsa Família recebeu cortes e o Ciências Sem Fronteiras, que promovia bolsas de intercâmbio para alunos universitários, foi encerrado junto com o Farmácia Popular. O argumento era um só: contenção de gastos. Michel Temer está fazendo isso mesmo ferindo princípios da Constituição de 1988, sendo que ele é um especialista em Direito constitucionalista.

2. Aparelhamento do STF e o fim da Operação Lava Jato

A trágica morte de Teori Zavascki num acidente aéreo não foi explicado e Temer já aproveitou a vaga no Supremo Tribunal Federal para colocar Alexandre de Moraes, seu ex-ministro da Justiça. Moraes, notório tucano, poderá apitar nos processos da Lava Jato que afetam o presidente. Além disso, depois da delação premiada de Joesley Batista e da JBS, Michel Temer escolheu Raquel Dodge, a segunda mais votada, para substituir Rodrigo Janot na Procuradoria-Geral da República. Cada uma das movimentações no Judiciário blinda cada vez mais o presidente contra acusações de corrupção, protegendo-o de impeachment ou cassação.

3. Reforma Trabalhista

Para manter o apoio empresarial, o Congresso, sincronizado com Temer, aprovou uma Reforma Trabalhista com inúmeros pontos polêmicos. Grávidas podem trabalhar mesmo em condições insalubres, os sindicatos estão prestes a perder suas fontes de financiamento e a negociação concentra entre trabalhador e padrão. As atividades-fim podem ser terceirizadas. Todas as mudanças mantém um governo que tem menos de 5% de aprovação popular.

4. Comunicação e publicidade cerceando a liberdade de expressão

Nos anos de Lula e Dilma não foram apenas blogs de esquerda que receberam financiamento da Secretaria de Comunicação (Secom) do governo federal. Michel Temer cortou o financiamento de opositores e concentrou nas grandes famílias oligarcas da comunicação, como os grupos Globo, Abril, Folha e Estado. Aliados do governo, como o senador Zezé Perrella, tentaram censurar esquerdistas. O político pediu a proibição do termo "Helicoca" do blog Diário do Centro do Mundo. O site recorre da decisão.

5. Privatização a qualquer preço e retrocessos na Amazônia

Numa decisão que surpreendeu o mercado financeiro, o governo Temer anunciou o processo de privatização da Eletrobras. O conglomerado estatal concentra 233 usinas de geração de energia, incluindo Furnas - que opera 12 hidrelétricas e duas termelétricas - e a Companhia Hidrelétrica do São Francisco (Chesf), além de seis distribuidoras. Elas todas estão na região Norte e Nordeste, e 61 mil quilômetros de linhas de transmissão, metade do total do país e o suficiente para dar uma volta e meia no planeta. A ideia foi criticada pela própria direita, por figuras como Marco Antonio Villa, que chamou a privatização de "roubo". A ação parece uma "privataria" - me apropriando da expressão que o jornalista Elio Gaspari popularizou nos anos 90 ao se referir às privatizações de Fernando Henrique Cardoso.

O governo federal publicou no dia 23 de agosto de 2017 um decreto que extingue a Reserva Nacional de Cobre e Associados (Renca), na Amazônia. A área ficou por 30 anos fechada à atividade de mineração e Temer abriu para exploração da iniciativa privada. A reserva foi criada em 1984, na ditadura militar, possui cerca de 47 mil quilômetros quadrados e está localizada na divisa entre o sul e sudoeste do Amapá com o noroeste do Pará. A região tem alto potencial para exploração de ouro, mas também de tântalo, minério de ferro, níquel, manganês, além de outros minerais nobres. 

As ações de Michel Temer geraram comoção nas redes sociais e ele voltou atrás. Mas estes posicionamentos mostram que, pela privatização que vai depreciar as empresas nacionais, tudo vale para o governo Temer. Não é um presidente que faz jus à independência do Brasil no 7 de setembro. 

Doria volta a falar com FHC: o prefeito agora é candidato presidencial do PSDB?

O PSDB está praticamente fechado com a candidatura Geraldo Alckmin. Será que o "príncipe dos sociólogos" vai mudar a ideia do seu partido sobre quem deveria ser o nome para emplacar 2018?

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(Foto: Reprodução/Instagram/João Doria Jr.)

O PSDB aos poucos se torna notoriamente conhecido como um partido formado por políticos que traem uns aos outros. E nada simboliza isso melhor do que a briga nos bastidores entre Geraldo Alckmin, o governador de São Paulo, e João Doria Jr., o prefeito e seu pupilo político.

Há uma história conhecida dos tempos da criação do Plano Real que é contada por Ciro Gomes sobre Fernando Henrique Cardoso e Tasso Jereissati. Nos anos 90, FHC reuniu, após decidir o plano econômico do governo Itamar Franco, os possíveis presidenciáveis num restaurante. Tasso estava com Ciro, Fernando Henrique e Mário Covas. Ele era o candidato à presidência na opinião de Ciro Gomes. FHC atropelou todos os presentes para se declarar o homem do PSDB na corrida. Covas e Tasso acataram a decisão, mas Ciro protestou contra. Desde então, Ciro Gomes rompeu com Fernando Henrique, que usou o Plano Real para se promover como presidente da República.

No dia 25 de agosto de 2017, Fernando Henrique parece ter feito a mesma coisa com João Doria Jr. Jantou com o prefeito de São Paulo e prometeu que faria uma palestra no Lide, seu grupo empresarial que funciona como uma base informal do seu governo e promove encontros.

Em junho, FHC disse que Doria "não mudou nada de São Paulo e só faz sucesso no celular". Como ele mudou de opinião em apenas dois meses?

Isso é compreensivo se você verificar o próprio posicionamento de Tasso Jereissati hoje, uma vez que ele assumiu a presidência interina do PSDB depois da delação de Joesley Batista ter atingido seu antigo líder, Aécio Neves, com acusações graves de corrupção. Tasso, ex-governador do Ceará, disse que "Alckmin é o primeiro da fila" para disputar a presidência da República.

No partido, havia um consenso sobre o nome do governador de São Paulo. Em um relato publicado na revista Piauí em junho, o ex-prefeito petista Fernando Haddad afirmou que Geraldo Alckmin não apoiou o impeachment de Dilma Rousseff porque sabia que a legenda o indicaria para a disputa de presidente em 2018. Ele temia os impulsos de José Serra, que perdeu a eleição em 2010, e do próprio Aécio, que era candidato em 2014 e pediu recontagem de votos.

A certeza de Alckmin candidato fez Doria flertar com outros partidos. Foi chamado de parceiro por Michel Temer num encontro em São Paulo no mês de agosto. Mas a conversa não se restringiu ao PMDB. O DEM de Rodrigo Maia era outra possibilidade para João Doria Jr. fora do PSDB. O fato é que, com tantas viagens para fora de São Paulo e para fora do país, Doria faz mais marketing do que governo municipal. Por ele, seria presidenciável amanhã. E, para isso, ele precisa de apoio dos caciques. O mesmo tipo de ajuda que teve para ganhar de Haddad no primeiro turno.

Ou seja, numa repetição do que aconteceu em 1994, Fernando Henrique dá um passa pra lá nas declarações públicas de Tasso Jereissati e pode se aproximar de João Doria para torná-lo o seu candidato. Desde o final de seu governo, FHC está órfão de um sucessor e não fez, como Lula, Dilma presidente em 2010 e em 2014.

O problema é que o ex-presidente terá que oficializar a traição de Doria com seu criador político: Geraldo Alckmin. Por isso, ergue-se a dúvida.

Será que João Doria Jr. é mesmo o candidato? É sério mesmo?

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pedrozambarda
Escreve desde os 8 anos. É editor do Geração Gamer e Drops de Jogos, além de ser repórter do Diário do Centro do Mundo.