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Um ano de golpe: Como o discurso do impeachment não se sustentou

Eduardo Cunha. Romero Jucá. Michel Temer. O Supremo. Dilma Rousseff. Lula. Aécio Neves, Geraldo Alckmin. José Serra. Fernando Henrique Cardoso. A Operação Lava Jato. Um xadrez de nomes, diria Luis Nassif.

Um ano de golpe: Como o discurso do impeachment não se sustentou
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"Que Deus tenha misericórdia desta Nação", disse o ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha ao votar pelo impeachment de Dilma Rousseff no dia 17 de abril de 2016. Hoje preso pela Lava Jato e cassado, os efeitos do processo conduzido por Cunha ainda são sentidos por todo o Brasil.

O título deste artigo faz uma brincadeira necessária. A direita frequentemente chama a tese do golpe branco, formulada pelas esquerdas, de "narrativa". Em menos de um ano, a narrativa do impeachment "regular" ruiu.

Conduzido por Eduardo Cunha, o processo de impeachment acatado foi a tese dos juristas Hélio Bicudo, Janaína Paschoal e Miguel Reale de que as pedaladas fiscais da ex-presidente Dilma Rousseff consistiam em crime de responsabilidade. Ela foi afastada, seus 54 milhões de votos foram cassados e o seu partido, o PT, foi tirado do governo federal após 13 anos sem ser pelas urnas.

Temer empossado, vazaram áudios do seu líder no PMDB e então ministro, Romero Jucá, negociando um abafamento da Operação Lava Jato que apura a corrupção na Petrobras e em empresas privadas correlatas com o ex-presidente da Transpetro, Sérgio Machado. Era um acordo englobando o Supremo Tribunal Federal, a Câmara, o Senado e o povo para abafar escândalos de Lula, de Aécio Neves e de todos os políticos em atividade.

Vieram as delações premiadas e, com a Lista do ministro Edson Fachin, ficou exposto que não somente o PT se aproveitou de propinas e de caixa dois. A tese do antipetismo, embora a mídia ainda faça coro, perdeu sentido quando tucanos como José Serra e Geraldo Alckmin negociaram propinas entre R$ 10 milhões e R$ 25 mi. O modelo de financiamento da Nova República pós-Ditadura Militar se mostrou corroído pelo dinheiro não contabilizado e pela troca de favores bilionária com empreiteiras como a Odebrecht.

Os escândalos foram muito além do uso indevido de dinheiro público de estatais ou empresas de capital misto como Petrobras e Sabesp. As delações, embora as do PSDB não resultem em condenações, escancararam que a propinagem privada decidiu como Lula e Dilma escolheram ministros e como a oposição se manteve pouco ameaçadora mesmo com o estouro do Mensalão.

O impeachment foi um golpe branco, um golpe praticado por parlamentares que enxergaram no PT um perigo para os seus privilégios. E porque Dilma deixou Sérgio Moro na primeira instância e Rodrigo Janot na Procuradoria-Geral da República condenarem políticos do seu próprio partido e do PMDB. Michel Temer ascendeu para abafar o caso, erguer a economia e dar um "rumo" ao país.

Temer conseguiu apenas que as contas do governo tivessem o pior mês de março desde 1997. O déficit primário foi de R$ 11,061 bilhões no mês de acordo com o Tesouro Nacional. O único índice que Michel Temer reduziu de fato foi o da inflação, que pode fechar o ano em 4%. Mas o Produto Interno Bruto (PIB), no entanto, não tem projeção de crescimento nem de 1%.

Muitos da direita ainda atribuem a culpa pela maior crise econômica na história recente brasileira a Dilma. Como Temer era sua base de sustentação, a hipótese é muito manca.

O vice de Dilma Rousseff fez de tudo para se blindar nas ocasiões. Em seu governo, quando Eduardo Cunha começou a achacá-lo para se manter vivo politicamente, ele deixou que o Ministério Público e a Polícia Federal o prendessem. Ao ver que o desempenho da gestão naufragou, Renan Calheiros, um dos maiores aliados do novo presidente, deixou o barco e flerta com a possibilidade de firmar alianças com Luiz Inácio Lula da Silva, restaurando aliança com o PT.

Os rachas entre políticos e o jogo em torno da economia escancaram a natureza do golpe que aconteceu e segue em curso. A flexibilização dos direitos trabalhistas e da Previdência dão a entender que a população será diretamente afetada. E, como resposta, sindicalistas e diversos setores farão uma Greve Geral neste dia 28 de abril de 2017.

Um ano depois, o golpe que muitos duvidavam virou golpe de verdade.

E, como diria Cunha, "que Deus tenha misericórdia desta Nação".

Como o Lide, grupo empresarial de Doria, explica o "gestor"?

Entenda as tais alianças "sem contrapartidas" do novo prefeito de São Paulo com o setor privado na sua gestão.

Como o Lide, grupo empresarial de Doria, explica o "gestor"?
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O repórter Joaquim de Carvalho, do DCM, fez um grande texto sobre a demissão que o prefeito João Doria Jr. fez, por vídeo, da vereadora Soninha Francine da Secretaria de Assistência Social. Joaquim diz na sua apuração que Doria também desautorizou o vice Bruno Covas a utilizar dinheiro das privatizações no dia a dia da prefeitura.

O jornalista volta ao passado de João Doria e sua atuação no Lide, o maior grupo de encontros empresariais no país.

Diz Joaquim:

"O Lide alavancou a fortuna de Doria, mas ele já tinha melhorado de vida muito tempo antes, quando foi secretário do pai numa entidade que este trouxe de fora, o Instituto Mind Power. A entidade realizava palestras para ensinar um método que teria sido criado por Doria pai, com o objetivo declarado de desenvolver 'as potencialidades da mente e combate às tensões, o estresse e desordens psicossomáticas decorrentes'. Somente em São Paulo, entre 1980 e 1983, cerca de 12 mil pessoas fizeram o curso, entre os quais militares do Segundo Exército, que, em agradecimento, lhe entregaram uma placa de agradecimento. Curioso que, na sua volta do exílio imposto pelos militares, Doria pai tenha prestado serviço ao Exército. Mas vá lá. O Brasil já era outro. Vivia os tempos da abertura e, por outro lado, começava a onda da auto-ajuda, na qual entidades como o Mind Power de Doria surfou. O Mind Power pode ter sido uma das muitas iniciativas controversas da época, como o israelense Uri Geller, que entortava objetos metálicos na TV, dizendo que fazia isso com a força da mente – uma fraude mais tarde desmascarada. Mas há quem veja no estilo impessoal e centralizador de Doria o resultado das experiências do pai. 'Ele não foi apenas secretário do Mind Power, foi cobaia do pai', diz um homem que é hoje desafeto do prefeito".

A reportagem basicamente aponta duas coisas. A primeira é que a Mind Power do baiano João Doria pai, perseguido na ditadura militar brasileira, ensinou o estilo de "gestão" que o filho emprega, dando guaraná quente aos secretários que fazem perguntas consideradas estúpidas na reunião. Doria Jr. leva tão a sério a suposta rigidez que dorme apenas quatro horas por noite, vive de vitaminas e transformou-se no terror dos funcionários da Prefeitura, colecionando reclamações por mensagens no WhatsApp de madrugada.

Mas a caixa preta de João Doria é seu instituto Lide.

O Grupo de Líderes Empresariais, Lide, é a joia da coroa do grupo empresarial Doria. Foi fundado em 2003, dois anos depois de Doria se filiar ao PSDB. Surgiu com apoio financeiro do dono da Amil, Édson de Godoy Bueno, especializando-se em aproximar empresários de autoridades, principalmente do governo Lula. João Doria passou a receber dinheiro dos empresários com o argumento de que precisavam se organizar para influir no governo do petista. Os encontros empresariais recebem prefeitos, governadores e autoridades públicas para se aproximarem do setor privado brasileiro.

São nestes encontros que surgiu a revista Caviar Lifestyle, que recebeu meio milhão de reais do governo Alckmin num publieditorial e possui uma tiragem declarada de 40 mil exemplares. A publicação é distribuída entre o público que participa de atividades do Lide e é apreciador de “gastronomia e luxo”.

João Doria Neto, filho do prefeito que tem 22 anos, assumiu progressivamente o comando acionário das empresas que compõem o Grupo Doria, incluindo o Lide, e o economista Roberto Giannetti da Fonseca ficou com a liderança política da associação empresarial. Numa grande associação familiar, Doria Jr. faz negócios e política, empurrando o slogan de que é "gestor e não político" e que "faz parcerias privadas sem contrapartidas".

O que ele promove, na prática, é a privatização do espaço público sem a transparência necessária de qualquer Associação Público-Privada.

Se alguém quer começar a apurar jornalisticamente ou investigar as associações do novo prefeito com o empresariado, precisa obrigatoriamente observar os movimentos do Lide. Foi em seu grupo de encontros empresariais que se montou a sua candidatura à prefeitura.

E é por lá que discutem a possibilidade de Doria tentar o governo do estado ou mesmo a presidência da República, se o padrinho Geraldo Alckmin deixar.

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pedrozambarda
Escreve desde os 8 anos. É editor do Geração Gamer e Drops de Jogos, além de ser repórter do Diário do Centro do Mundo.