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Vereadora Sâmia Bomfim fala sobre a ocupação da Câmara e privatizações de Doria

A coluna entrevistou a vereadora, que está apoiando a ocupação na Câmara Municipal. 

Vereadora Sâmia Bomfim fala sobre a ocupação da Câmara e privatizações de Doria
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(Foto: Divulgação/Facebook)

Aproximadamente 60 estudantes secundaristas ocuparam a Câmara Municipal de São Paulo no dia 9 de agosto de 2017. A Casa tentou impedir a entrada de água e o acesso aos banheiros para inibi-los, mas a manifestação contra as privatizações do prefeito João Doria Jr. continuou. Justiça deu aos manifestantes cinco dias para desocupar o plenário da Câmara.

Um dos maiores apoiadores deles é uma jovem vereadora de esquerda do PSOL. Sâmia de Souza Bomfim tem 27 anos, é feminista, nascida em Presidente Prudente, recebeu 12 mil votos nas eleições de 2016 e se tornou a congressista mais jovem da Casa. Ativa nas redes sociais, ela grava vídeos de Facebook para falar o que está acontecendo no protesto.

A vereadora topou dar uma entrevista a esta coluna. Confira a seguir.

Storia Brasil: Como está a ocupação na Câmara?

Sâmia Bomfim: Neste momento cerca de 70 manifestantes ocupam a Câmara de Vereadores de São Paulo. É um processo muito importante para o movimento social começar a pressionar e incomodar os políticos que governam contra o povo. É uma ocupação dura, o presidente da Casa não aceita nenhum tipo de negociação e ameaça fazer reintegração de posse. 

É preciso muito solidariedade para que o movimento saia vitorioso e sem perseguição ou repressão.

SB: De todas as privatizações que Doria quer promover, quais são as piores? A do Ibirapuera? A dos estádios? Ou a do transporte?

Sâmia: Acredito que todas são ruins, pois significam transformar direitos e bens públicos em mercadoria e objeto de lucro de empresários. Mas talvez a dos parques e do sistema de bilhete único sejam as piores, pois são as mais utilizadas pela população e as mais sensíveis por ela.

SB: Se ele gostaria de participação privada, qual modelo ele deveria adotar para ter maior transparência com a população? Ou qualquer iniciativa neste sentido vai piorar os serviços?

Sâmia: Eu pessoalmente sou contra a iniciativa privada lidando com os bens públicos. Mas nesse pacote que está tramitando na Câmara, em especial, o mínimo seria fazer um processo menos nebuloso e mais transparente. 

Os projetos são muito vagos e inconsistentes, não mostram os reais interesses do prefeito.

SB: O presidente Temer disse que Doria é um parceiro. Você vê o plano de privatização como uma extensão da própria precarização que o governo federal promove?

Sâmia: Com certeza. Doria e Temer são parte do mesmo projeto de sucateamento dos bens públicos, retirada de direitos e fortalecimento da elite do país.

SB: Vereadora, você acredita que as privatizações são uma desculpa para João Doria Jr. não reorganizar as finanças públicas?

Sâmia: Ele vem enxugando gastos alegando que há um rombo financeiro, no entanto a gestão passada garante que deixou dinheiro em caixa. Não estranharia se no ano que vem, em ano eleitoral, o prefeito resolvesse investir em obras e investimentos com esse dinheiro economizado.

SB: O que você acredita que o prefeito deveria ter como prioridade neste momento, no lugar das privatizações?

Sâmia: Ele se diz gestor. Um bom gestor precisa priorizar as áreas sociais como saúde e educação que estão sendo desmontadas no momento.

O ovo e o vexame de Doria podem brecar seu antipetismo

Atingido na cabeça durante uma visita em Salvador, o prefeito de São Paulo pode ter encontrado um teto para o seu ódio antipetista. O que será que ele vai fazer sem poder odiar Lula nas redes sociais? Será que João Doria vai ter que trabalhar?

O ovo e o vexame de Doria podem brecar seu antipetismo
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(Foto: Divulgação/ISTOÉ/Montagem/Jornalistas Livres)

Na segunda semana de agosto, a revista ISTOÉ deu capa ao prefeito João Doria Jr. Numa imagem muito inspirada na fotografia de Bill Clinton na Esquire americana, a publicação fez um perfil muito favorável ao político tucano, que parece querer concorrer à presidência da República em 2018 no lugar do seu guru Geraldo Alckmin.

E o discurso de Doria é ser o "Anti-Lula". O pré-candidato petista é francamente favorito nas pesquisas Datafolha, Ibope, Vox Populi e Paraná Pesquisas, com cerca de 30% das intenções de votos. O prefeito coxinha aparece com apenas 13%, mas ainda assim parece ser o nome mais poderoso do PSDB para o ano que vem.

A sorte de Doria, no entanto, pareceu virar.

O prefeito paulistano foi atingido por um ovo quando chegava à Câmara Municipal de Salvador na noite desta segunda-feira (7). Lá ele recebeu o título de cidadão soteropolitano. Ele estava na companhia de ACM Neto, do DEM, que também foi atingido.

Na terça (8), Doria respondeu em seu Facebook: "cada agressão que sofro mais me fortalece e me inflama na defesa da democracia. Nenhum tipo de violência me intimidará. Não à violência, não ao autoritarismo e não às ditaduras. Sim à democracia, a um país unido e de paz. Quem tem propósitos discute ideias, não agride".

O cara, que se vendia como "Anti-Lula" agora quer emplacar nas redes sociais a hashtag #BRUnido e fala em democracia ao chamar de companheiro um homem como Michel Temer.

As duas faces do discurso do ódio

Apoiado pela grande mídia, sobretudo os grupos Estado, Folha, Globo e Abril, o antipetismo se ergueu na sociedade como uma reação à popularidade dos governos Lula e Dilma do PT. Politicamente, é ele que se coloca no cenário como a real direita política, segundo o professor Pablo Ortellado da USP que fez pesquisas no Facebook e de campo sobre o tema. Baseado no ódio à esquerda e às pautas populares, que diminuem a riqueza da classe mais rica, o fenômeno anti-PT se sustenta neste cenário.

Doria pega no embalo deste discurso porque, para uma eleição que promete polarizar novamente com Lula, esta pode ser uma oportunidade de tomar votos de Bolsonaro, Marina Silva e outros candidatos que se alimentam do mesmo ódio. No entanto, o prefeito insiste na proposta de não apresentar um projeto de país ao abraçar o populismo de direita.

E atrai para si o mesmo ódio, sobretudo de setores da sociedade que se identificam com a esquerda e com as demandas populares num país economicamente desigual.

O vexame da ovada

Ao ser acertado por um ovo, assim como as figuras públicas de Margaret Thatcher, David Cameron, Ruth Kelly, Arnold Schwarzenegger (sim, o Exterminador do Futuro), Nick Griffin, Simon Cowell, Mário Covas e Paulo Maluf, João Doria foi ridicularizado diante de todos. E sua coragem contra o PT acaba quando ele está desmoralizado.

Páginas de esquerda como os Jornalistas Livres e um game chamado Doria Ovacionado já atingiram milhões de pessoas com memes do prefeito nas redes sociais. O jogo já foi apreciado mais de 43 mil vezes.

E como João Doria Jr. responde a isso? Brecando seu antipetismo. O discurso de ódio do prefeito é fraco e corresponde ao período em que vivemos: como Michel Temer tomou o poder na rasteira de Dilma Rousseff e do PT, está acabando desmoralizado pela própria sociedade que ignorou no processo.

Se Doria fosse mais esperto, brecaria sua campanha de ódio. Ainda dá tempo.

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pedrozambarda
Escreve desde os 8 anos. É editor do Geração Gamer e Drops de Jogos, além de ser repórter do Diário do Centro do Mundo.