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Wladimir Costa: o deputado da falsa tatuagem, acusado de corrupção e de assédio

O deputado folclórico da votação que abafou a investigação contra Michel Temer tem muito mais história nos bastidores do que parece. Vale aprofundar sua história até seu passado no Pará.

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(Foto: Divulgação/Facebook)

O governo Michel Temer é constantemente protegido por moralistas sem moral. O começo do mês de agosto foi marcado pela votação que arquivou as investigações de corrupção passiva e lavagem de dinheiro do presidente da República. E nada disso foi destaque sem que figuras folclóricas tomassem conta da imprensa.

O deputado Wladimir Afonso da Costa Rabelo, que tem 53 anos e é do Solidariedade (SD) do Pará, virou capa do jornal Folha de S.Paulo com uma tatuagem em homenagem a Temer no dia 1º de agosto. Ele votou pelo impeachment de Dilma Rousseff usando confetes e gastou R$ 1,2 mil no desenho dedicado ao nosso governante.

A história ganhou ares de farsa com o passar dos dias.

Wladimir Costa deu entrevista ao jornalista Valmar Hupsel Filho, do jornal O Estado de S.Paulo. Falou à publicação que a homenagem não era definitiva no seu corpo, mais especificamente no ombro. "[A tatuagem] sumiu. Não existe mais. Vou pedir ressarcimento ao tatuador. Estou entrando agora com uma ação contra o tatuador porque ele vai ter que devolver meu dinheiro". 

O deputado não sabia que o desenho era de henna e, portanto, temporário? Wladimir responde: "ele (tatuador) estava simulando que estava furando e não estava, porra. Ele estava simulando. E eu estava tomando cachaça com jambu, que é a nova moda no Pará, e não estava sentindo nada. Eu estava achando que estava (tatuando) e não estava".

Provavelmente o congressista contou uma historinha sobre a tatuagem. Mas a mentira não é a única. Wladimir Costa tem outros processos que merecem a sua atenção.

Desvio de dinheiro público

Tema de uma reportagem do programa Fantástico da TV Globo, o fiel escudeiro de Temer tem problemas com acusações de corrupção. Ele aparece como personagem central de um escândalo de milhares de reais de dinheiro público na terra dele, o Pará.

Nas investigações protocoladas no Ministério Público, cerca de R$ 230 mil sumiram num projeto esportivo de uma ONG dirigida por um assessor do deputado. O auxiliar do parlamentar na verdade é uma espécie de testa de ferro.

Ele diz que não tem relação alguma com o escândalo. E há ainda outro caso polêmico nas costas do aliado do presidente.

O deputado federal teve o mandato cassado pelo Tribunal Regional Eleitoral do Pará (TRE-PA), em julgamento realizado no dia 8 de agosto na Plenária do tribunal, em Belém. A Corte julgou a arrecadação e gastos ilícitos na campanha eleitoral do deputado, que ainda pode recorrer da decisão no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). 

De acordo com o TRE-PA, a juíza Lucyana Said Daibes Pereira, relatora do caso, concluiu que existiram gastos não registrados na prestação de contas da campanha no ano de 2014, somando R$ 410.800 mil. Há também indícios de falsidade em documentos, com base nas acusações do Ministério Público Eleitoral.

Wladimir Costa declarou que gastou R$ 642.457,48 durante sua campanha à Câmara Federal, mas segundo o MPE, o candidato deixou de declarar R$ 149.950,00 em despesas de material gráfico. Há ainda mais de R$ 100 mil em despesas efetuadas entre julho e setembro do ano eleitoral de 2014, que não constam na prestação de contas.

O autor do pedido de cassação foi o Procurador Regional Eleitoral do Pará, Bruno Valente, baseado em pareceres técnicos do TRE que apontam o abuso de poder econômico. O procurador afirma que as omissões na prestação de contas impedem a verificação da regularidade da campanha. 

O deputado diz não temer a Justiça e ainda não perdeu o mandato.

Assédio

As acusações ficam ainda mais sérias na relação entre o deputado Wladimir Costa e a imprensa. Ele foi acusado pela jornalista da CBN, Basília Rodrigues, de assédio moral e sexual. O caso aconteceu na noite de terça-feira, 1° de agosto, e a comunicadora falou sobre o assunto em texto veiculado em seu perfil no Facebook. 

Na publicação chamada “Um ensaio sobre a idiotice”, Basília explica que pediu para ver a tatuagem do deputado após os rumores de que o desenho teria sido feito de henna. Em resposta, Wladimir disse: “Para você, só (mostro) se for o corpo inteiro”.

Havia outros deputados, jornalistas e câmeras filmando o momento do assédio, mas nada disso intimidou a atitude do político. Mesmo com a situação, a jornalista da CBN foi atrás do deputado e insistiu em conseguir a informação que gostaria. Wladimir Costa disse que “tem tatuagens no corpo inteiro”, incluindo uma “íntima” feita para a mulher. No final, disse novamente que não mostraria o tal desenho feito com o nome “Temer” e ainda chamou a repórter de “amor”.

O Sindicato dos Jornalistas do DF manifestou repúdio ao assédio. Parece que o fato da tatuagem ser falsa é o menor dos problemas do aliado de Michel Temer, certo?

Aliança Doria e Temer: é pra enterrar o PSDB em 2018?

Sobre a improvável aliança entre um quadro importante do PSDB e o presidente que atende aos interesses do PMDB. Será que a nova dupla quer enterrar a candidatura Alckmin? Será que João Doria Jr. vai trocar de partido? Como 2018 fica nesta mudança?

Aliança Doria e Temer: é pra enterrar o PSDB em 2018?
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(Foto: Alan Santos/PR/Fotos Públicas)

Esta é uma coluna sobre como um prefeito de São Paulo não para na própria cidade para fazer viagens que dão a entender que ele é mais candidato a presidência em 2018 do que gestor. E é um texto também sobre um presidente da República que, por cálculo dentro da crise que enfrenta, claramente sondou um nome do PSDB para cumprir favores ao seu partido, o PMDB.

No dia 7 de agosto, num evento dentro do Aeroporto de Marte, o presidente Michel Temer disse que o prefeito João Doria Jr. não tem visão "só municipalista, mas nacional". O encontro era pra tratar sobre a transferência de parte da área do aeroporto para a construção de um parque municipal, assinada pela Prefeitura de São Paulo.

Temer se derreteu em elogios na ocasião. "Tenho orgulho de me equiparar às atitudes de João Doria para que nós tomássemos atitudes que estavam paralisadas há muitíssimos anos [...] Isso é fruto da ideia porque tenho um parceiro e um companheiro. João não tem uma visão só municipalista, mas nacional", frisou.

A bajulação não parou naquele evento público, que não contou com presença de Geraldo Alckmin.

Em 10 de agosto, Michel Temer afirmou que o PMDB está de portas abertas para Doria. O DEM, partido do presidente da Câmara Rodrigo Maia, também cresceu o olho para uma candidatura do tucano. Ao jornal Estado de Minas, uma fonte que pediu sigilo afirma que João Doria não teria interesse em se desfiliar do PSDB ou da aliança que tem com Alckmin. Sua ideia seria pressionar o próprio partido a lançá-lo candidato.

Forças opostas

No mesmo mês, Geraldo Alckmin fez reuniões sigilosas com nomes do partido para tirar aliados do PSDB na votação do relatório que abafou as investigações de Temer na Lava Jato. O grupo de tucanos do estado de São Paulo parece estar alinhado com o governador, mas Doria alça voo solo.

Para remendar o mal-estar, João Doria gravou um vídeo de Facebook mostrando-se amigo do governador. "Eu quero, aqui, deixar muito clara a minha posição, a minha lealdade, estima e amizade com o governador Gerado Alckmin. Da minha relação de 37 anos, que não nasceu na politica, não depende da política. Hoje, circunstancialmente, estamos na política, mas essa relação nasceu fora da política e não há nada que vá nos dividir, nada que vá nos afastar, que vá no colocar em campos distintos. Eu gosto do governador Geraldo Alckmin, eu gosto do Geraldo. Como pai, como amigo, como católico, eu gosto de todas as boas qualidades que ele tem e que eu admiro".

De acordo com a coluna Radar, da revista Veja, Doria é o político mais influente e engajado no Facebook. Ele tem 23,5% de interações, contra 7,1% de Jair Bolsonaro e 4,8% do arqui-inimigo Lula. Alckmin aparece com apenas 0,13%. Ou seja, grandes chances do prefeito ter feito o que fez apenas para diminuir o marketing negativo das brigas dos tucanos.

O que importa é que João Doria parece ter encontrado um aliado firme com Temer, assim como Aécio Neves também protege o presidente. No entanto, com menos de 5% de aprovação, o governante do Brasil e do PMDB pode ser uma canoa furada para as eleições de 2018.

Parece que as brigas internas enfraquecem Alckmin de qualquer maneira. Portanto, o pacto Doria-Temer é pra realmente afogar os planos originais do PSDB para 2018.

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pedrozambarda
Escreve desde os 8 anos. É editor do Geração Gamer e Drops de Jogos, além de ser repórter do Diário do Centro do Mundo.