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Como a Coreia do Sul fez o Bitcoin valer metade do que valia em 2017?

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Onda de investidores e risco de regulação fez muita gente que apostou na criptomoeda perder dinheiro. O que aconteceu?

Como a Coreia do Sul fez o Bitcoin valer metade do que valia em 2017?

(Foto: Antana/Flick/Creative Commons)

O que uma coluna focada em política pelo viés da centro-esquerda teria a dizer sobre a maior criptomoeda do mundo, especulada em milhares de dólares? A coluna tem muito a dizer sobre o Bitcoin. Porque, para criticar o capitalismo de maneira sólida, é necessário entender suas bases. O pressuposto faz parte de qualquer teórico tradicional da esquerda, de Marx até Gramsci.

O Bitcoin atualmente está em trajetória de queda. Está valendo US$ 9 mil nestas últimas semanas de janeiro de 2018. Na segunda metade de 2017, chegou ao pico de US$ 20 mil. O que aconteceu com a criptomoeda?

A moeda digital está sendo diretamente impactada por decisões do governo da Coreia do Sul e por declarações recentes de entidades ao redor do globo. Com o seu potencial ganhando destaque nos noticiários e nas ações de investidores, os governantes passaram a se mobilizar para tentar entender o novo recurso.

Mas vamos voltar algumas casas. O que é Bitcoin?

A febre das criptomoedas

O Bitcoin é uma moeda obtida através de criptografia que foi pioneira ao ser criada em 2009. Descentralizada, ela pode ser "minerada" através de uma tecnologia que codifica o processamento do seu computador chamada "blockchain" - o caderno de anotações. Você pode obter a unidade monetária através da mineração ou comprando-a numa casa de câmbio que faz comercializações com ela.

Um homem chamado Satoshi Nakamoto supostamente é o criador, mas ninguém sabe se ele realmente existe ou se é um grupo de hackers. O fato é que o Bitcoin funciona numa lógica digital distante da regulação bancária e foi rapidamente adotado pela direita libertária americana, que é antiestatista por excelência, e por governos de esquerda que desenvolveram variações, como foi o caso de Nicolás Maduro na Venezuela.

Os críticos do Bitcoin e das criptomoedas afirmam que sua economia é uma "bolha". Um dos maiores contestadores da nova economia é o prêmio Nobel Joseph Stiglitz, que afirma que essas moedas digitais estão sendo utilizadas em crimes de lavagem de dinheiro e evasão de divisas. O Banco Central de Michel Temer, no Brasil, afirmou que o Bitcoin é um "esquema de pirâmide" - ou seja, não teria funcionamento econômico real.

Quando os críticos começaram a bater forte no Bitcoin, ele valia entre US$ 18 mil e US$ 20 mil. Agora a moeda começa a descer.

O fator coreano

A questão que surgiu e que incomodou os governos de cara foi: como tanta gente começou a ganhar dinheiro com essa moeda digital sem pagar impostos, como é o caso de qualquer unidade monetária física.

Em 29 de dezembro de 2017, a Agência Reuters registrou uma onda de entrada de jovens sul-coreanos no ecossistema de Bitcoins e blockchain. Com a internet de ponta da Coreia do Sul, multiplicaram-se os casos de hacks envolvendo o mercado e o enriquecimento dos envolvidos. Foi a partir dai que o governo coreano emitiu sinais de que poderia sancionar proibições.

No dia 11 de janeiro, o Bitcoin despencou cerca de 30%, para US$ 13 mil. A velorização se acentuou na semana seguinte, quanto o valor caiu para abaixo de US$ 10 mil, despencando mais de 50%. Quem investiu na moeda digital no final de 2017 e esperava retorno rápido, como num mercado de ações, perdeu dinheiro.

O Bitcoin foi lançado por poucos dólares em 2009. Sua valorização chegou a quase 2000% desde a criação. Para os que colocaram o dinheiro lá no começo ou mineram o recurso com ajuda de computadores, ele ainda pode valer a pena.

No entanto, segundo o site InfoMoney, o gasto de energia em Bitcoins equivale ao uso energético de mais de 159 países juntos.

Possíveis saídas

Se o Bitcoin quer ser levado a sério como moeda, ao lado da tecnologia de criptografia do blockchain, são necessárias regulações estatais sim. Do caso contrário, nenhum uso da criptomoeda será penalizado e ela se torna uma plataforma propícia para a execução de crimes.

O Banco Central alemão afirmou em 15 de janeiro de 2018, enquanto o valor do Bitcoin caía, que uma regulação das criptomoedas só é possível em escala global. A iniciativa faz sentido considerando o grande alcance dos Bitcoins através de casa de câmbio não regularizadas.

Dois dias depois, analistas do Citi afirmam que há espaço para maior desvalorização da moeda, jogando seu preço para US$ 5,6 mil.

Enquanto isso não acontece, ondas de especulação valorizam a moeda digital e impactos reais, como a reação coreana, fazem muita gente perder dinheiro.

Assista o programa do DigiClub abaixo e entenda o básico sobre Bitcoin e criptomoedas.