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Como a nova condenação de José Dirceu ameaça a candidatura de Lula?

Pedro Zambarda de Araújo
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Pedro Zambarda de Araújo

Enquanto Palocci delata, Dirceu sofre mais uma condenação na Lava Jato. O quadro dos ex-ministros fortes de Lula afeta diretamente o ex-presidente.

Como a nova condenação de José Dirceu ameaça a candidatura de Lula?

(Foto: Marcelo Casal Jr./Agência Brasil)

A queda dos homens fortes do lulismo está colocando a maior candidatura de centro-esquerda em xeque no ano de 2018. E o caso de Dirceu, de fato, dá sinais claros que o ex-presidente está em apuros jurídicos.

José Dirceu de Oliveira e Silva teve sua pena aumentada de 20 anos e 10 meses para 30 anos, nove meses e 10 dias por corrupção passiva e lavagem de dinheiro. O processo foi julgado em segunda instância pelo TRF4, de Porto Alegre, na 18ª apelação criminal da Operação Lava Jato. O ex-tesoureiro do PT, João Vaccari Neto, foi absolvido e o tribunal manteve sua absolvição.

O TRF4 é o mesmo grupo que julgará a segunda instância do processo do triplex do Guarujá envolvendo o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O juiz de primeira instância Sérgio Moro condenou Lula a nove anos e seis meses. Se for confirmada a segunda condenação, pelas mudanças executadas pelo STF, o ex-presidente fica impedido de concorrer nas eleições de 2018.

No processo do Mensalão, Dirceu foi condenado a 10 anos em 2012. No Petrolão, de acordo com as investigações da Operação Lava Jato, José Dirceu acumulou condenações de mais de 30 anos e foi preso em 2016. No dia 2 de maio deste ano, a segunda turma do Supremo Tribunal Federal decidiu por três votos a dois conceder liberdade a Dirceu. Os argumentos usados pelos magistrados para libertá-lo foram de que, por ele já ter sido condenado em dois processos, "seria improvável que ele conseguisse interferir nas investigações por meio, por exemplo, da ocultação de provas ou intimidação".

Um delata. O outro articula

Através de aliados e em depoimentos vazados por seus advogados, José Dirceu deixa claro que continua pensando no projeto futuro do PT. Sua posição vai totalmente na contramão da de Palocci, que parece ter decidido trair Lula para diminuir seu tempo de prisão.

Os dois ex-ministros foram homens fortes de Luiz Inácio Lula da Silva. Antonio Palocci tinha o controle da economia no Ministério da Fazenda, permitindo que o Brasil fincasse bases para crescer 7,6% em 2010. Dirceu era o ministro-chefe da Casa Civil, era homem de confiança de Lula desde a campanha eleitoral e, nos bastidores, seu nome era citado como possível sucessor do ex-presidente no lugar de Dilma. O burburinho era tão forte que chegou a incomodar o dono da Editora Abril na época, Roberto Civita, que nunca simpatizou com José Dirceu ou com o próprio Lula, fazendo oposição forte através da revista Veja.

A informação consta na biografia do empresário escrita pelo jornalista Carlos Maranhão. A antipatia por Dirceu era compartilhada entre Civita e o então presidente do Grupo Abril, Maurízio Mauro, que geria uma editora em crise financeira que precisava de mais incentivos do governo federal. O PT não contribuía para os negócios na época.

Isso rendeu maior oposição de toda a grande mídia, começando pela Abril. Palocci, que não foi enrolado no processo do Mensalão, decidiu delatar assim que foi preso no Petrolão.

A amigos, Dirceu disse: "eu não sou Antonio Palocci". A informação consta numa notícia do Estadão. Desde que presidia o PT, José Dirceu nunca confiou no homem escolhido pelo então presidente para comandar a economia. Lula sempre preferiu Palocci e, não fosse o escândalo da quebra do sigilo do caseiro Francenildo Costa, seria ele o candidato à presidência da República e não Dilma Rousseff.

Dirceu, Palocci e Dilma, portanto, eram os nomes fortes que orbitavam em torno de Lula. Dos três, José Dirceu foi o mais severamente condenado pela Justiça por corrupção passiva e lavagem de dinheiro.

Já Antonio Palocci decidiu fazer delação premiada e colocar Lula em maus lençóis. Dilma Rousseff, por enquanto, não tem nenhum problema jurídico grave.

Dirceu emite claramente um mau sinal da Justiça para Luiz Inácio Lula da Silva e o PT. Se depender do TRF4, ao que tudo indica, o maior nome da centro-esquerda não poderá tentar a presidência. Lula pode de fato ser condenado e preso.

Será a hora de um plano B?