ELEIÇÕES 2018

Como está se preparando a pré-candidata comunista Manuela D'Ávila?

Pedro Zambarda de Araújo
Yazar
Pedro Zambarda de Araújo

A deputada comunista tem ideias bem menos ortodoxas para a esquerda, mas afirma que não é "linha auxiliar" de Lula e do PT.

Como está se preparando a pré-candidata comunista Manuela D'Ávila?

(Fotos: Pedro Zambarda/Storia Brasil)

O PCdoB só teve candidaturas presidenciais em três ocasiões, considerando o passado no PCB: 1930, 1945 e terá agora, em 2018. Essa é a tese da atual pré-candidata para a disputa que teremos no ano que vem.

Manuela D'Ávila concedeu uma entrevista coletiva no Centro de Estudos Barão de Itararé de Mídia Alternativa no dia 1º de dezembro de 2017. Falou sobre sua pré-candidatura e de como não será suporte ou vice na chapa de Lula ou do PT. Para ela, chegou a hora do PCdoB e dos comunistas lançarem uma candidata própria e assumirem um protagonismo no período eleitoral, conturbado com a polarização extrema em torno de Jair Messias Bolsonaro.

Como está se preparando a pré-candidata comunista Manuela D'Ávila?

A pré-candidata define o atual período como histórico, porque, segundo ela, a esquerda finalmente concluiu em conjunto, com todas as suas diferenças internas, que o impeachment de Dilma Rousseff na verdade foi um golpe parlamentar.

Manuela se assume feminista, defende a retomada dos projetos sociais e a atuação mais pro-ativa da esquerda em espaços típicos da direita. A pré-candidata também citou segurança pública, direitos humanos e o tratamento digno para policiais, bombeiros e funcionários do Estado como prioridades. O liberalismo não dá respostas satisfatórias para a crise, segundo a deputada.

No entanto, se a esquerda não se mover, perderá a oportunidade nas palavras da pré-candidata. Bolsonaro está ai para não nos enganar.

Respeito a Lula

 "Defendo que o ex-presidente Lula se candidate por inúmeras razões e a minha candidatura não se coloca contra isso. A primeira delas é que ele tem esse direito. Assim como ele não está acima e nem abaixo da Justiça, pode entrar na disputa enquanto não é julgado", ela frisa.

Com esta opinião, Manuela D'Ávila se afasta do PSOL de Luciana Genro em 2014, que posteriormente passou a apoiar a Operação Lava Jato direcionada no PT. Identificando o Partido dos Trabalhadores como parte constituinte da esquerda, Manuela não consegue concordar com um antipetismo que se disfarça de anti-corrupção. Sua preocupação é com o campo da esquerda, mesmo que dialogue com o centro.

E ela não acredita que o comunismo é extremista. Não tem no discurso uma lógica pró União Soviética ou Estados totalitários. O posicionamento de Manuela D'Ávila é justamente com a desconstrução do capitalismo em seus equívocos - que deram força inclusive para Bolsonaro e discursos pró-ditadura militar.

Filiada ao PCdoB desde os 16 anos, Manuela firmou sua atuação política nos cargos de vereadora, deputada federal e estadual. Agora ela acredita num voo mais ousado.

Na coletiva de imprensa, Manuela D'Ávila propõe uma esquerda com muito mais candidatos do que possui hoje. Diz que todos são unidos por propostas igualitaristas. No entanto, ela se sente segura em direcionar o PCdoB para além da base de apoio do PT. Sua legenda optou por ter um papel protagonista em 2018, diferente de 1989, 1994, 1998, 2002, 2006, 2010 ou 2014.

"Podemos ter apenas um craque [Lula] ou um time de 11 integrantes para jogar com a direita. Não é melhor ter uma equipe? O que faz mais diferença: discutir entre companheiros ou num debate na TV Globo com alcance nacional?".

Entre metáforas futebolísticas e bom humor, Manuela tem motivos de sobra para se colocar como um nome jovem da esquerda disposta a chegar no cargo mais importante a partir do ano que vem.