POLÍTICA

Como o governo Michel Temer reabilitou Lula em 2018?

Pedro Zambarda de Araújo
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Pedro Zambarda de Araújo

O golpe parlamentar contra Dilma Rousseff saiu pela culatra. O fracasso de Temer botou a candidatura Lula numa posição de destaque.

Como o governo Michel Temer reabilitou Lula em 2018?

O título deste artigo não é totalmente original. Foi inspirado num artigo publicado pelo jornalista do Estadão José Roberto de Toledo no dia 4 de maio de 2017 chamado "Temer resgata o petismo". Um ano após o golpe parlamentar contra Dilma, o Datafolha apontou no dia 25 de junho que o PT é o partido favorito de 18% da população. PMDB e PSDB empatam com 5%. Antes deste levantamento, a legenda de centro-esquerda empatou com os tucanos em 2015, quando Dilma estava para cair.

Os petistas, portanto, estão com mais popularidade do que o atual governo e tem o maior índice desde o início do segundo mandato de Dilma Rousseff.

Voltando ao artigo de Toledo, que é criador do Estadão Dados e divulga informações do Ibope, ele traça um paralelo interessante entre os índices de pesquisas e os fracassos de Michel Temer em seu governo e na aprovação de reformas.

"À crise econômica se soma a agenda impopular que Michel Temer tenta implantar com o apoio tucano. Os 87% contrários às novas regras para aposentadoria propostas pelo governo sobem a 94% entre petistas. Embora a contrariedade com o aumento da idade mínima para os aposentados alcance maioria também entre partidários de PSDB e PMDB, sua proporção é menor: 79% e 88%. Quanto maior a reação às reformas de Temer, melhor para o PT".

Sem entrar nos detalhes em percentuais do Ibope ou do Datafolha, que realizam levantamentos com amostra de cerca de três mil eleitores num período limitado de meses, o entendimento básico que se tem da atual situação político-econômica é o seguinte.

Ao derrubar o governo Dilma após praticamente 13 anos do PT no governo federal, Michel Temer só conseguiria se consagrar como presidente da República caso aprovasse reformas que desenvolvessem a economia e recuperassem 13 milhões de empregos perdidos. O presidente golpista conseguiu elevar o patamar o desemprego para 14 milhões, fora cortes em programas sociais e mudanças na Previdência. A economia passou da recessão à depressão.

Todos estes fatores, além das acusações graves de corrupção agravadas pelos grampos de Joesley Batista e de executivos da JBS, transformam Lula numa peça importante no xadrez político. O líder petista e seu partido conseguem enfim elucidar que a propinagem não foi obra do PT de forma solitária. O PMDB contribuiu para a roubalheira e a ampliou quando chegou no poder.

Luiz Inácio Lula da Silva foi cogitado como candidato em 2014 porque Aécio Neves vinha com tudo para derrotar Dilma Rousseff. A legenda e as forças políticas travaram o ex-presidente porque, apesar da crise econômica, sua sucessora garantiu a vitória mentindo em campanha eleitoral. Disse que não faria arrocho econômico e adotou o programa neoliberal de Aécio.

Mas isso não importa muito para o game político do ano que vem.

Temer reabilita Lula. Lula reabilitado é candidato, porque o Partido dos Trabalhadores não desenvolveu um novo nome para a disputa presidencial de 2018. O PMDB fracassado no governo favorece diretamente o PT.

Fernando Haddad e outros nomes mais jovens da política terão que esperar.

Enquanto isso, Jair Bolsonaro capta o discurso reacionário e pró-ditadura militar que os tucanos rejeitam dentro da direita.