MICHEL TEMER

Como o governo Temer está desmontando a ciência e as faculdades

Pedro Zambarda de Araújo
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Pedro Zambarda de Araújo

Michel Temer está em guerra contra o ensino superior brasileiro? Em poucas palavras: sim. E se você é estudante, deveria estar preocupado com isso.

Como o governo Temer está desmontando a ciência e as faculdades

(Foto: Alan Santos/PR/Fotos Públicas)

O governo federal fez um novo inimigo além das esquerdas: os professores e estudantes de pós-graduação. Danificando seriamente a ciência, o presidente que emergiu do golpe pode provocar prejuízos no Brasil a longo prazo.

Michel Temer cortou 44% do orçamento na área de ciência e tecnologia em 2017, de R$ 5,8 bilhões para R$ 3,2 bilhões. A revista internacional Nature afirmou que os cientistas brasileiros estavam "horrorizados". E com razão.

O ex-prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, é o titular da pasta da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações. Ele sucedeu Celso Pansera, que cuidou do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, e André Figueiredo, que ocupou o Ministério das Comunicações.

Se Kassab ocupou a vaga de dois ministros, significa que Temer cortou muita verba dos cargos para achatar os investimentos públicos.

A lista de cortes

Em março de 2017, o Ministério da Educação sofreu bloqueio de R$ 4,3 bilhões no orçamento. A verba da pasta pro ano, que havia sido definida pelo Congresso em R$ 35,74 bilhões, foi reduzida para R$ 31,43 bilhões.

O achatamento está num corte maior de R$ 42,1 bilhões em gastos para cobrir rombo no orçamento. Defesa, Transportes e Cidades também sofreram cortes significativos. A mudança foi arquitetada pelo ministro José Mendonça Bezerra Filho, do DEM, foi qualificada como "grave retrocesso". Cesar Callegari, membro do Conselho Nacional de Educação (CNE), afirmou que “educação não é gasto. É investimento”.

Neste contexto, a pasta de Kassab anunciou cortes na ciência em abril. Os cortes já existiam, mas programas para graduação e pós-graduação como Ciências Sem Fronteiras (CSF) ainda eram mantidos. O corte no Ministério de Ciência e Tecnologia é o menor orçamento desde 2005.

O orçamento da ciência chegava próximo a 1% do PIB. Entre os 15 países que mais investem no segmento do mundo, a maioria deles coloca mais de 2% do Produto Interno Bruto em pesquisas acadêmicas e científicas.

A mudança provocada por Temer jogou o Brasil na 100º posição, entre 138 países, no quesito inovação do relatório global de competitividade 2016-2017 elaborado pelo World Economic Forum. No relatório, países da América do Sul, com economias menores do que a do Brasil, superam no quesito de inovação. São os casos de Chile (63º), Colômbia (79º), Argentina (81º) e Uruguai (83º). Com a maior economia do continente, estamos numa posição vergonhosamente pior.

Prejuízo a longo prazo

A canetada do presidente e de seus ministros representa redução de bolsas do CNPq, FAPESP e outros fundos que realizavam a maioria das pesquisas de grande porte no país. Se estudantes quiserem se graduar, o governo praticamente incentiva o ensino privado. Com a baixa qualidade da formação nestas instituições, estamos fadados ao fracasso. Não há, por exemplo, nenhuma universidade brasileira, fora a USP, com grande presença nos rakings internacionais. E ela é uma das poucas instituições com cerca de 100 mil alunos.

É verdade que Dilma, progressivamente, já vinha efetuando estes cortes diante de uma crise econômica aguda. No entanto, os retrocessos que estamos vendo com Michel Temer são realmente sem precedentes para as futuras gerações.

Desmonte é a expressão precisa sobre o que está acontecendo com a educação e a ciência no Brasil.

O protesto contra o desmonte

Está marcada a Segunda Marcha pela Ciência em São Paulo. Marcada para ocorrer às 15hrs deste sábado (2), a manifestação tem cerca de 2,5 mil interessados no evento do Facebook.

Parece bastante gente, mas é pouco frente às pesquisas brasileiras que podem se perder no governo Michel Temer.