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Como Temer destruiu a credibilidade da presidência?

Pedro Zambarda de Araújo
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Pedro Zambarda de Araújo

Sobre pesquisas, um presidente "morto-vivo" e uma instituição que vale menos do que os partidos políticos, que enfrentam a pior crise desde a redemocratização.

Como Temer destruiu a credibilidade da presidência?

Colunista José Roberto de Toledo, do Estadão, publicou um texto chamado "Temer sepulta a política", sobre a situação desastrosa do presidente nas pesquisas de opinião. De acordo com o Ibope, de uma nota de 0 a 100, a confiança dos brasileiros no presidente Michel Temer despencou de 30 para 14, desde 2016. O índice é menor do que a confiança nos partidos pela primeira vez.

A pesquisa do Ibope encampa muito bem o que o jornalista Leonardo Sakamoto frisa em seu blog no UOL: "Deixar de confiar na política como arena para a solução dos problemas cotidianos é equivalente a abandonar o diálogo visando à construção coletiva. Caídas em descrença, instituições levam décadas para se reerguer – quando conseguem. No meio desse vácuo, vai surgindo a oportunidade para semoventes que se consideram acima das leis se apresentarem como a saída para os nossos problemas. Pessoas que prometem ser uma luz na escuridão, mas nos guiarão direto às trevas". 

Por isso, as ruas estão vazias.

Processo de autodestruição de Michel Temer

Detonado pela delação premiada de Joesley Batista da J&F/JBS, maior grupo de carne do mundo, Temer foi acusado de corrupção passiva e lavagem de dinheiro por aceitar propina de R$ 500 mil para Eduardo Cunha e Lúcio Funaro presos, para evitar delações premiadas. O presidente pediu para manter a propina em troca de aprovação de reformas.

O ministro da Fazenda de Temer, Henrique Meirelles, fez parte da JBS. Joesley também relata propinas para Aécio Neves depois das eleições e caixa dois para campanhas de Dilma no PT.

Colocado no poder por um golpe parlamentar disfarçado de impeachment, Michel Temer tinha condições de ter mais aprovação do que Dilma, que caiu para 9%. Segundo o Vox Populi, Temer tem 2% de aprovação. O Ibope/CNI cravou 5%. O atual presidente da República, pela margem de erro de 3%, pode estar com aprovação negativa.

A desmoralização de Michel Temer pelo acúmulo de delações premiadas mencionando seu nome com crimes diretos, especialmente a  de Joesley. O PIB não crescerá 1% em 2017 e retraiu mais 3% em 2016. Ele destruiu a credibilidade a presidência da República como instituição e cravou que ela é um balcão de negócios privados de políticos corruptos que sacrificaram Dilma Rousseff.

O Palácio do Planalto comemora que não há protestos de rua, segundo reportagem do Globo de 29 de julho de 2017.

Se a população se revoltar a ponto de apelar pela violência, Temer não tem mesmo sustentabilidade para se manter. Os aliados o derrubam.

Ele é uma negação aritmética. Um fracasso numerado.