MICHEL TEMER

Como Temer está querendo associar Maia e Funaro para se safar de acusações

Pedro Zambarda de Araújo
Yazar
Pedro Zambarda de Araújo

Desde a delação da JBS em maio, o governo abafa denúncias que chegam ao Congresso vendendo emendas. Agora eles tentam mirar inimigos entre os deputados.

Como Temer está querendo associar Maia e Funaro para se safar de acusações

(Foto: Lula Marques/AGPT/Fotos Públicas)

A delação de Lúcio Funaro, não a de Eduardo Cunha, prolongou a crise do governo Temer iniciada quando Joesley Batista fechou acordo de delação premiada com o ex-procurador Rodrigo Janot. Os documentos, depoimentos e relatos apresentados pelo controlador da J&F/JBS e por seus executivos acusam o presidente da República de tentativa de obstrução de Justiça ao tentar calar Cunha na cadeia com mesadas que chegam a R$ 50 milhões.

A estratégia de Michel Temer é tentar barrar as denúncias protocoladas na PGR e propagadas por delatores que são votadas no Congresso. O presidente tenta comprar apoio através de emendas constitucionais que chegam a R$ 12 bilhões com o chamado "Centrão" da Câmara. A estratégia têm funcionado, mas encontra cada vez mais barreiras com Rodrigo Maia, o presidente da Casa, que frequentemente têm defendido posturas mais independentes do seu partido, o DEM.

Maia liberou sua bancada para votar livremente na segunda denúncia que correu no Congresso. O resultado foi um parlamentar como Ronaldo Caiado, conservador, de direita e companheiro de Rodrigo Maia, votando junto com senadores de esquerda do PT como é o caso do Lindbergh Farias.

Jornalistas próximos do governo Temer, como Reinaldo Azevedo, já chamam Joesley Batista de "açougueiro" e desqualificam a delação da JBS após a proximidade do empresário de Marcelo Miller, que atuou na Procuradoria-Geral da República com Janot. A revelação, dada em grampos divulgados pela PGR, colocou em a delação premiada de Joesley em xeque.

A novidade é que agora querem relacionar o próprio Rodrigo Maia com as delações.

A "sabotagem Maia"

Numa reportagem assinada por Octavio Maia na revista Istoé, Maia é retratado como alguém que utilizou o site oficial da Câmara dos Deputados para "sabotar" o governo Temer. Isso teria ocorrido publicando a delação de Lúcio Funaro.

Funaro, por sua vez, exibiu as entranhas do governo Michel Temer. Eduardo Cunha, o homem que viabilizou o impeachment de Dilma, é acusado de receber R$ 56,9 milhões depois da Lava Jato ter sido deflagrada em março de 2014. O valor corresponde ao das planilhas apreendidas na casa da irmã de Lúcio Funaro.

Desde o governo Lula, Funaro agiu como lobista e doleiro do PMDB. Suas informações são tão profundas na vida política dos ex-aliados do PT quanto as de Cunha, que agora defende Michel Temer. A atitude de Maia, dando repercussão às informações da delação, é vista como uma tentativa do DEM em lançá-lo como "presidente tampão" caso Temer caia ou mesmo com uma candidatura própria em 2018.

O Democratas sondou João Doria Jr. como candidato presidencial e chegou a cogitar o nome de Luciano Huck. No entanto, se o governo Temer acha que mancha Rodrigo Maia meramente associando-o com Lúcio Funaro, seja nos bastidores ou assoprando pautas para a grande imprensa, o tiro pode sair pela culatra.