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Doria, Alckmin e Aécio acabam com o poder eleitoral do PSDB em 2018

Pedro Zambarda de Araújo
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Pedro Zambarda de Araújo

O partido que mais fez oposição ao PT em mais de 10 anos segue fraco para a disputa no ano que vem. O que os tucanos podem fazer? Eles deixaram de ser considerados como direita?

Doria, Alckmin e Aécio acabam com o poder eleitoral do PSDB em 2018

(Foto: Lula Marques/AGPT/Sergio Dutti/A2img/ANDRÉ LIMA/Fotos Públicas)

O tucanato parece se desfazer na escolha de nomes para a corrida à Presidência em 2018. Não chegam a um consenso e estão cada vez mais atingidos pelos escândalos que antes emplacavam só no PT.

O presidente do Senado, Eunício Oliveira, vota com a Casa nesta terça-feira, 3 de outubro, se derruba ou não o pedido de afastamento do mandato e o recolhimento noturno impostos pelo STF ao senador Aécio Neves. A decisão dos parlamentares foi tomada mesmo após a presidente do Supremo, ministra Cármen Lúcia, indicar com um acordo para evitar uma crise institucional e marcar para a semana que vem o julgamento da ação.

Caso o Senado realmente poupe Aécio, a Casa vai desafiar diretamente uma decisão do Supremo Tribunal Federal, provocando uma crise institucional entre os Três Poderes. Mas, para além das intrigas entre as autoridades brasileiras, a atual crise política exibe as entranhas de uma crise interna do PSDB.

Tucanos em baixa

A pesquisa Datafolha divulgada neste mês mostra que tanto João Doria Jr. quanto Geraldo Alckmin só aparecem com 8% das intenções de voto, abaixo de Marina Silva (14%) e Jair Bolsonaro (16%). Os dois aumentam para 10% sem Lula na disputa, mas Marina Silva dispara para 23%. Ciro Gomes também empata com os dois tucanos se o ex-presidente petista estiver fora da corrida presidencial.

No segundo turno, Lula liquida os dois chegando a 48%. Tanto Alckmin quanto Doria não saem de 32%. No ano passado, Aécio Neves aparecia no Datafolha com 11%. Acuado pela delação premiada de Joesley Batista, nem aparece nos levantamentos atuais.

No final de setembro, o DEM, partido do presidente da Câmara, Rodrigo Maia, encomendou uma pesquisa sobre a confiança nos partidos. O PSDB chegou a ter rejeição de 75%, segundo o instituto GPP que fez o levantamento.

O índice é o mesmo do PMDB. Os dois lideram como os maiores rejeitados. Já o PT de Lula tem 62% de rejeição. E 28% dos eleitores aprovam o Partido dos Trabalhadores.

Os tucanos, portanto, estão em baixa.

Sem rumo

O site da revista Exame entrevistou quatro analistas políticos para entender o momento do PSDB. Para Hilton Cesário Fernandes, professor de pós-graduação em Ciência Política na FESPSP, existe uma “guerra fria”  entre Geraldo Alckmin e João Doria Jr. com o propósito de testar os eleitores. Mesmo com o clima ruim de traição entre o governador, que foi mentor político do prefeito de São Paulo, os dois tentam captar quem estaria disposto a apoiá-los na Presidência da República.

Um dos sinais claros do teste é a articulação que existe entre João Doria e o MBL, o maior dos grupos pró-impeachment de Dilma Rousseff. O prefeito aposta pesado no antipetismo se comportando como o "anti-Lula", nas palavras do próprio. Alckmin toma uma postura mais conservadora e menos extremista pela direita.

Bolívar Lamounier, cientista político e sócio-diretor da Augurium Consultoria, diz que o normal seria o PSDB abandonar o nome de Doria e selecionar Geraldo Alckmin como seu candidato. Sérgio Praça, professor do FGV CPDOC, espera que João Doria Jr. saia do partido. Carlos Ranulfo Felix de Melo, professor de Ciência Política da UFMG, afirma que o PSDB perderá protagonismo com a queda do PT e a ascensão de novas lideranças de direita e de extrema-direita, como Jair Messias Bolsonaro.

Para comprovar o que o último especialista diz, basta ver a caixa de comentários nas notícias de escândalos envolvendo o PSDB ou João Doria. No canal do YouTube da Jovem Pan, um leitor chama os âncoras do programa Os Pingos nos Is de "socialistas fabianos" por destacarem as qualidades de Doria. O verdadeiro candidato para eles é, no caso, Bolsonaro.

O Senado pode colocar o fim na carreira política de Aécio Neves, um dos grandes nomes entre os tucanos que perdeu para Dilma nas eleições de 2014. Dependendo da decisão dos congressistas, ele pode ser colocado atrás das grades pelo Supremo e pela Lava Jato.

Enquanto isso, seu partido permanece sem rumo. Aécio, Alckmin e Doria tiram o poder do PSDB para 2018 em suas intrigas internas.