POLÍTICA

Doria é cortejado por quatro partidos: o antipetismo o fará seu candidato?

Pedro Zambarda de Araújo
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Pedro Zambarda de Araújo

Durante sua viagem na França, o prefeito João Doria Jr. dá resposta vaga ao Estadão afirmando que é cortejado por outros partidos, embora dispense prévias dentro do PSDB contra Alckmin, seu padrinho político. O antipetismo, sozinho, vai erguer o seu candidato menos extremista?

Doria é cortejado por quatro partidos: o antipetismo o fará seu candidato?

(Foto: @jdoriajr/Fotos Públicas)

Jair Bolsonaro já é o candidato de extrema-direita baseado no pensamento antipetista e pró-militarismo, atraindo simpatizantes da finada ditadura militar. Será que João Doria Jr. se consolida como a liderança de centro-direita que vai erguer a bandeira do antipetismo contra Lula ou qualquer candidato de esquerda? Pelas declarações recentes à imprensa, parece que Doria vai tentar mesmo se isso for de encontro aos interesses de seu partido.

O jornalista Pedro Venceslau, do jornal O Estado de S.Paulo, fez uma entrevista com o prefeito de São Paulo, João Doria Jr., sobre sua possível candidatura à Presidência em 2018. "O senhor esteve com o presidente da França, Emannuel Macron, que foi eleito após criar uma novo partido. É, segundo disse, uma referência. Falando francamente: após receber convites do PMDB e DEM, descarta a possibilidade de deixar o PSDB?", perguntou o repórter.

A resposta do prefeito foi vaga, mas esclarece muito bem quais são as suas intenções para o ano que vem.

"A política traz sempre ares, tempestades e fatos que não estão dentro do seu prognóstico. Isso se aprende rápido na vida política. Estou na política, mas não sou político. Não tenho intenção de mudar de partido, mas é sempre bom ouvir de outros partidos que você é bem-vindo. Não é só o PMDB e o DEM. Outros dois partidos tiveram a gentileza e a delicadeza de abrir as portas caso necessário. Agradeci. Estou no PSDB desde 2001, muito antes de pensar em ser candidato. Não entrei por conveniência. Pretendo continuar no PSDB, até que alguma circunstância me impeça disso. Em relação ao futuro, cabe a Deus indicar, iluminar e definir qual é o destino".

E ele também disse que não disputará prévias dentro do PSDB contra Geraldo Alckmin, seu mentor político, embora os dois tenham discordâncias. Um partido que quer Doria é o PMDB e o outro é o DEM, de Rodrigo Maia, que almeja ocupar o espaço da legenda de Temer no "centrão" do Congresso. Quem serão os outros dois? Partido NOVO e Rede, sendo o último de Marina Silva?

Traição de Doria para Alckmin à vista, numa eventual troca partidária?

O traidor e sua cria

Doria é cortejado por quatro partidos: o antipetismo o fará seu candidato?

(Foto: Ciete Silvério/A2img/Fotos Públicas)

Não é só 2018 que cria rachaduras no relacionamento entre Doria e Alckmin. O governador de São Paulo quer o senador Tasso Jereissati, tucano histórico, para ocupar a presidência do partido no lugar de Aécio Neves, que é acusado de corrupção na delação de Joesley Batista dentro da Operação Lava Jato.

Doria prefere o governador de Goiás, Marconi Perrillo, que esteve envolvido com o bicheiro Carlinhos Cachoeira e chegou a ser investigado na Operação Monte Carlo da Polícia Federal.

Há quem enxergue traços de outros tucanos na possível candidatura João Doria Jr. Numa visita a Campina Grande, na Paraíba, o colunista de política Augusto Nunes afirmou que o prefeito poderia estar se aproximando de Cássio Cunha Lima, senador do Estado. Ele é aliado político histórico de Aécio e, portanto, não tem vínculo nenhum com Geraldo Alckmin.

Entre a cruz e a espada

Dentro ou fora do PSDB, Doria pode ser candidato a presidente sob o discurso de que é gestor e não político, que cada vez convence menos gente. Além disso, pode dobrar a aposta no antipetismo, produzindo com a grande imprensa capaz como a da revista ISTOÉ apontando-o como o "Anti-Lula".

No entanto, para o bem do tucanato, a melhor coisa que João Doria faria para não perder a amizade de Alckmin seria ficar quieto governando sua cidade. Coisa que ele não parece inclinado a fazer, aumentando ainda mais o racha no parque da direita política.