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Como o jogo BR Lila's Tale é uma entrada para crianças na realidade virtual

Game desenvolvido por estúdio de São Paulo mistura títulos clássicos de plataforma 3D com a interatividade do VR, com gráficos bonitos que podem atrair as crianças.

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(Fotos: Divulgação/Skullfish Studios/Arquivo Pessoal)

No Amazonas, o casal Rafael Ferrari e Gabriela Thobias teve contato com o desenvolvimento de games em realidade virtual (VR) pela primeira vez no Black River Studios. Um ano depois, no final de 2016, os dois retornaram para São Paulo. O apelido de Rafael, "Piranha", serviu de base para a criação do estúdio deles, chamado Skullfish.

Como o jogo BR Lila's Tale é uma entrada para crianças na realidade virtual

Focados no VR, eles receberam US$ 25 mil da aceleradora GameFounders para criar seu game na Malásia, na Ásia. Os dois passaram o começo de 2017 acumulando experiências internacionais. Anteriormente, a aceleradora global europeia investiu em diferentes empresas brasileiras: no Bitcake Studio em 2014, na Cupcake em 2015, além do IMGNation Studios e da Mopix em 2016.

Em primeira mão ao site Drops de Jogos, o Skullfish Studios anunciou no dia 27 de fevereiro que o jogo Lila's Tale estava sendo criado. O game surgiu depois de experimentos em VR do casal em eventos como a FITIC, no final do ano passado.

Como o jogo BR Lila's Tale é uma entrada para crianças na realidade virtual

A história de Lila em realidade virtual tem inspiração em The Legend of Zelda e tem protagonista feminina. O jogo traz quebra-cabeças para o gamer solucionar com seu olhar dentro do aparelho de VR, ligando os pontos. Inicialmente ele funcionava apenas em Gear VR, equipamento da Samsung para celulares Galaxy.

O Gear não é um equipamento top de linha na realidade virtual, mas performa melhor do que o cardboard simples do Google e fica devendo para aparelhos de alta capacidade, como Oculus Rift e HTC Vive.

No dia 9 de setembro de 2017, o Skullfish Studios lançou Lila's Tale Stealth de graça para todos os smartphones. Acompanhando o lançamento do iPhone X, o game brasileiro aposta em realidade virtual com realidade aumentada.

O novo game lembra bastante Pokémon GO, com a heroína Lila percorrendo ambientes reais com a câmera do usuário. Diferente do jogo principal, ele roda fora do Gear VR.

Pegada acessível para crianças

Desde o anúncio e a presença dos games em eventos da ABRAGAMES, associação nacional de desenvolvedores, e no festival Hyper, o game feito por Rafael e Gabriela gerou uma onda de ilustrações em homenagem à heroína Lila.

No entanto, além da comunidade formada, o jogo de São Paulo também tem um forte apelo infantil. Com uma protagonista carismática e puzzles acessíveis, o game é uma boa introdução em realidade virtual para crianças.

Tem dúvida? Confira os trailers abaixo e tire suas conclusões.

Conheça Marcos Venturelli, dev brasileiro nômade do game Relic Hunters Legend

Conheça um dev brasileiro que abriu mão de moradia fixa para criar jogos de uma maneira sustentável. E como ele se abriu para novas experiências com desenvolvedores de outras localidades.

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(Fotos: Rob Vitorino/Divulgação)

As histórias de desenvolvedores nacionais são repletas de altos e baixos. E há devs que tiveram a oportunidade de criarem grandes títulos. Mas games com alcance geram custos que o nosso mercado ainda não consegue amortecer.

Conheça Marcos Venturelli, dev brasileiro nômade do game Relic Hunters Legend

Marcos Venturelli tem 32 anos e é baiano de Salvador. Ele desenvolve jogos desde 2007, há 10 anos. "Quando comecei, a cena era desunida e existia uma concorrência sem sentido entre os desenvolvedores. Hoje em dia os games brasileiros ainda tem problemas, mas a qualidade era muito pior naquele tempo", disse em entrevista.

Conheci Venturelli em 2013, quando seu game DungeonLand ficou em terceiro lugar no Steam, o maior varejista de games do mundo. O Brasil estava numa constante de aumento de jogos brasileiros, quando a cena se unificou e passou a crescer junto desde 2009. Agora ele está desenvolvendo o título Relic Hunters Legend. O game vai abrir financiamento coletivo no dia 5 de outubro pedindo US$ 50 mil e deverá ser finalizado entre o final de 2018 e 2019.

Qual foi o caminho dele até este ponto?

Jogo com alcance internacional, viagens, código aberto e investimento próprio

Conheça Marcos Venturelli, dev brasileiro nômade do game Relic Hunters Legend

Venturelli praticamente se tornou um caso peculiar na cena brasileira de games. Com o Critical Studio que ele criou no Rio de Janeiro, DungeonLand em 2013 fez R$ 1 milhão de faturamento no Steam e teve ajuda da publisher sueca Paradox Interactive, que está em atividade desde 1999.

No entanto, antes de cair em problemas financeiros, o estúdio Critical decidiu fechar suas portas. "Na época, motores gráficos como Unity ainda não tinham se popularizado como hoje, nós não tínhamos jogos brasileiros em consoles e a cena não era como hoje. Decidi mudar tudo", diz ele. Apesar do fechamento da empresa com 12 funcionários, eles geraram a pequena startup BitCake, que fez também games e ganhou financiamento da investidora GameFounders para implementar seus projetos em Talinn, na Estônia.

Marcos Venturelli entrou então numa jornada espiritual para refazer sua carreira. Entrou no projeto Chroma Squad, inspirado em personagens super sentais como os Power Rangers, feito pelo estúdio Behold de Saulo Camarotti, seu antigo ídolo, de Brasília. Mudou de cidade e de vida. "Me desfiz de bens e mergulhei na programação. Foi lá que conheci o Betu Souza".

Os dois criaram o projeto Relic Hunters Zero. "O zero é porque o game poderia ser configurado pelo jogador", explica. O game chegou para o mercado em 2015 e, ao contrário de DungeonLand, deu maior repercussão na mídia brasileira. Conquistou o prêmio no BIG Starter, um dos maiores festivais de jogos independentes do mundo. Neste período, passou a viver entre a Indie House compartilhada com outras empresas em Brasília e São Paulo.

Sendo um projeto desenvolvido por apenas duas pessoas, sob o nome da empresa de Venturelli chamada Rogue Snail, Relic Hunters criou uma comunidade de um milhão de jogadores. Os gamers podem configurá-lo, inserindo personagens e armas, porque o código dele é "open source", ou seja, você pode alterar na fonte. Ele disse que chegou a fazer 30 viagens domésticas em toda essa mudança.

O jogo é de tiro "top down", com personagens que misturam gráficos 3D e 2D. Basta percorrer os estágios matando os inimigos, em co-op com outros players ou sozinho.

O trabalho em Relic Hunters Zero não teve fins lucrativos, mas a carreira de Venturelli decolou, somado com sua atuação em Chroma Squad.

Marcos Venturelli então investiu R$ 100 mil do próprio bolso no lançamento de Relic Hunters Legend.

"A ideia é que seja o oposto de Zero. Legend será um game completo, com história e funcionará online", diz o desenvolvedor. Ele compara com Destiny 2 na progressão de níveis e no modo cooperativo com outros jogadores. O primeiro jogo foi feito para o público independente. Agora ele pretende chegar nos games internacionais, como fez com DungeonLand.

A diferença é que no passado ele teve investimento internacional e agora conta apenas com o seu dinheiro. Por isso ele pede ajuda da comunidade com mais US$ 50 mil para finalizar o game. Venturelli também está tentando os editais da SPCine e Ancine. No crowdfunding, os colaboradores que doarem US$ 150 podem se transformar em NPCs, personagens que ficam no cenário, do game. Betu Souza, o parceiro de Marcos Venturelli, fará a ilustração do financiador dentro do jogo.

"Nós desenvolvedores temos que dar muito mais do que 100% do nosso desempenho. No entanto, entre altos e baixos, eu aprendi a dar um passo não muito maior do que a minha perna. E isso é um eterno aprendizado", frisa.

Desenvolvedor nômade

Em 2016, Marcos Venturelli também lançou Star Vikings, para celulares, que chamou atenção no BIG Festival deste ano. Mas nem tudo foi fácil. Muitas vezes ele diz que falta mídia brasileira cobrindo jogos nacionais. E algumas vezes também falta imprensa internacional olhando para o Brasil da forma como ele merece.

Venturelli não tem medo de mudar e se encaixou em projetos de diferentes tamanhos. Hoje ele também apoia o projeto da Indie Warehouse, uma Indie House de Brasília maior, com capacidade de abrigar até 40 pequenas empresas brasileiras de games.

O nômade dev não acredita em competitividade por competitividade. E não teve medo de lançar um game sem pretensões de lucro. 

Marcos Venturelli, no entanto, está dando a sua tacada mais ambiciosa em Relic Hunters Legend.

Confira uma entrevista de Venturelli na Rádio Geek, parceira do Drops de Jogos, e um trailer de gameplay do novo game.

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pedrozambarda
Escreve desde os 8 anos. É editor do Geração Gamer e Drops de Jogos, além de ser repórter do Diário do Centro do Mundo.