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O preço absurdo do SNES Classic no Brasil não é culpa apenas dos impostos

Sim, os impostos voltam a assombrar o mercado brasileiro de games com um console que tem mais de 20 anos. Não, a culpa não é só do governo.

O preço absurdo do SNES Classic no Brasil não é culpa apenas dos impostos
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(Foto: Divulgação/Nintendo)

Neste mês de setembro circulou uma notícia que mais uma vez deprime o mercado brasileiro. Além dos jogos para consoles custando entre R$ 250 e R$ 300 novos, a indústria agora está explorando consoles antigos por preços abusivos.

O SNES Classic, uma versão em miniatura do videogame original de 1990,  chega no dia 20 de outubro de 2017 ao Brasil. O aparelho foi anunciado numa propaganda da revista GameInformer Brasil e agora surgiu o seu preço oficial. Ele chega ao nosso país pela JVLat por R$ 999.

Sim, acredite se quiser, o aparelho com mais de 20 anos de história chegará por praticamente mil reais.

Quanto ele custa nos Estados Unidos? O preço oficial internacional é de US$ 80, o que equivale a na conversão direta a R$ 320.

Com os impostos que incidem sobre o produto, uma taxação que ultrapassa 80%, o novo Super Nintendo com o jogo inédito Star Fox 2 deveria custar, se muito, R$ 500. O preço é equivalente aos R$ 450 do Mega Drive relançado pela Tectoy, que eu critiquei anteriormente aqui no Storia.

O que aconteceu?

 A JVLat, a Juegos de Vídeo Latinoamerica, é uma revendedora que já foi a representante da Nintendo no Brasil com sua subsidiária Gaming do Brasil. Com a saída da gigante japonesa em 2015, muito provavelmente a empresa está praticando os preços do chamado "Custo Brasil".

No mercado cinza brasileiro, onde predomina a pirataria e o contrabando,  o NES Mini (Nintendinho) custa até R$ 1,5 mil. O que aconteceu para o SNES chegar até este patamar. Segundo a Nintendo, é a "escassez do produto".

Na prática, o que a gigante está fazendo é jogando com demanda e oferta. Como existe um grande público brasileiro que gosta de jogos retrô dos anos 90, eles jogaram no teto de quanto poderiam cobrar oficialmente pelo produto.

É a mesma história do PlayStation 4 lançado oficialmente por R$ 3999 em 2013, em pleno governo Dilma. Os impostos ajudam a explicar parte do problema, mas as empresas internacionais aproveitam para cobrar o máximo que podem de consumidores fora do seu país de origem.

Em dois anos, o PS4 já era encontrado em varejistas oficiais por cerca de R$ 2 mil. Metade do preço de lançamento oficial com produção no Brasil - no parque industrial de Manaus.

Há também um quadro peculiar das desenvolvedoras japonesas no começo dos anos 2000. Depois do Nintendo Wii, que foi um sucesso no mundo todo, o Japão enfrentou uma crise econômica severa com os tsunamis e o desastre nuclear de Fukushima. Isso fez o mercado nipônico se fechar. A Big N só retomou a liderança nas norte-americanas em 2017, com o lançamento e o sucesso do Nintendo Switch.

E qual o peso dos impostos?

Para além do Custo Brasil, há uma incidência tributária a partir de 72% em games eletrônicos e componentes do segmento, porque ele é qualificado como "jogo de azar", mesmo caso dos bingos. Há uma proposta no Senado Federal para reduzir a incidência de impostos para 9%, com 75 mil assinaturas eletrônicas. Em 2011, embora sem efeitos práticos para os videogames, o governo Dilma criou a Lei do Bem, que barateou tablets e smartphones produzidos no Brasil através de isenções tributárias.

Com a crise econômica que se instalou em 2012 e ganhou força em 2014, é pouco provável que o governo federal e os estaduais reduzam ICMS e outros tributos. No entanto, há uma proposta da Ancine, a agência do audiovisual, que pretende simplificar impostos para financiar a produção de games nacionais. A entidade injetou R$ 20 milhões no setor produtivo em dois editais nacionais e acredita nas potencialidades brasileiras.

Por isso, antes de tacar pedras no governo no caso do SNES Classic, pense que há uma conjuntura que facilita os preços abusivos no Brasil.

E, se for possível, não gaste R$ 1 mil num Super Nintendo relançado em 2017. 

Como o iPhone X pode ser uma inovação em realidade aumentada nos games

O novo smartphone anunciado pela Apple não apenas renova a linha de produtos móveis. Com duas câmeras, o celular pode incrementar a capacidade gráfica de realidade aumentada em aplicativos e games.

Como o iPhone X pode ser uma inovação em realidade aumentada nos games
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(Fotos: Divulgação/Apple)

O iPhone completou 10 anos em 2017, depois de mudar completamente a nossa relação com dispositivos móveis ao popularizar a tela sensível ao toque. Justamente por isso, a fabricante Apple resolveu fazer dois anúncios para continuar renovando a marca, tanto do ponto de vista de hardware quanto de software.

Como o iPhone X pode ser uma inovação em realidade aumentada nos games

Num evento transmitido na internet dos Estados Unidos para o mundo, o iPhone X foi anunciado pelo preço de US$ 1 mil, o equivalente a R$ 3,1 mil na conversão direta. O "supersmartphone", no entanto, deve passar R$ 4 mil como preço oficial no Brasil. Ele foi mostrado junto com o iPhone 8 e representa um marco nas produções da Apple.

Como o iPhone X pode ser uma inovação em realidade aumentada nos games

O novo modelo de altíssimo padrão excluiu, pela primeira vez, a tecla física home. Todos os comandos são executados numa nova tela Super Retina de 5.8 polegadas. O menu também é sem fim e favorece a navegação multitoque.

Ele vem com o chip A11 Bionic, um sensor 3D Face ID que permite rastear o rosto do usuário e a memória NAND de 256 GB, além de 3 GB de RAM. O acabamento do hardware é de vidro e há mudanças na navegação do software.

Mas há novidades atraentes para quem é gamer ou utilizador de tecnologias de última geração.

Realidade aumentada em alta

As pesquisas mais populares de realidade mista ganharam força a partir dos anos 80. No entanto, foi somente em 2012 que a realidade virtual, um dos seus ramos de pesquisa, tornou-se pop com o Oculus Rift - a ponto da startup ser comprada pelo Facebook.

O jogo free-to-play (gratuito no download, pago em itens adicionais) Pokémon GO fez o mesmo a respeito da realidade aumentada. Enquanto a VR (realidade virtual) cria ambientes digitais artificiais de interação, a tecnologia da aumentada insere elementos digitais por meio do rastreamento de locais físicos com a câmera de celular.

E é exatamente nisso que o iPhone X da Apple pode trazer uma inovação importante, impactando apps e jogos que utilizam realidade virtual. De acordo com o site oficial do motor gráfico Unreal Engine, especializado em games, a empresa da maçã quer se inserir neste cenário com jogos. Na conferência de anúncio do aparelho, o executivo Atli Mar Sveinsson da Directive Games apresentou o título The Machines para lançamento no iOS neste mês.

O jogo traz o Unreal Engine 4.17 em toda a sua capacidade gráfica e elementos de realidade aumentada com as câmeras dos aparelhos. Novos implementos devem chegar em outubro com a versão 4.18. Para a marca, a Apple está reagindo às apostas do concorrente Android, o maior sistema operacional móvel no mundo, no setor.

iPhone X traz uma câmera traseira dupla de 12 Megapixels com lente grande angular de abertura f/1.8 e lente teleobjetiva de f/2.4. Faz gravação de vídeos em 4K com até 60 frames por segundo (fps).

O que isso significa? Talvez o começo do implemento de tecnologias para games que normalmente demandam um hardware robusto e muito distante de aparelhos mobile.

Embora os iPhones não sejam mais os aparelhos mais poderosos do mercado, eles podem popularizar consideravelmente uma tecnologia que ainda está dando seus primeiros passos.

Se for assim, faremos muito mais coisas além de capturar um Pikachu na rua.

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pedrozambarda
Escreve desde os 8 anos. É editor do Geração Gamer e Drops de Jogos, além de ser repórter do Diário do Centro do Mundo.