LAVA JATO

Eduardo Cunha vai lançar candidatura para 2018 da cadeia em plena Lava Jato

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O ex-homem forte do MDB ainda influencia o cenário eleitoral. E ele prova que sobreviveu politicamente ao maior escândalo de corrupção brasileiro.

Eduardo Cunha vai lançar candidatura para 2018 da cadeia em plena Lava Jato

(Foto: Arquivo Pessoal/Divulgação)

O ex-deputado foi pivô do escândalo das delações premiadas de Joesley Batista e da JBS. A frase "tem que manter isso" do presidente Michel Temer foi um acordo dele com Joesley para supostamente pagar semanalmente R$ 500 mil ao homem forte do impeachment de Dilma Rousseff calado na cadeia. Se não houvesse propinas, ele poderia delatar Temer.

Eduardo Cunha ainda influencia a política nacional brasileira e ameaça lançar uma candidata própria nas eleições de 2018. Cassado por 450 votos a 10 na Câmara dos Deputados, Cunha articulou o impeachment de Dilma e foi acusado de comprar votos de pelo menos 25 congressistas considerados como sua "tropa de choque". As alegações surgiram na delação premiada do ex-aliado Lúcio Funaro, que foi doleiro do MDB. Hoje, no governo Michel Temer, o ministro da Secretaria do Governo Carlos Marun é seu representante e foi um dos poucos nomes que defendeu o mandato dele na cassação.

No dia 7 de janeiro de 2018, Cunha teria convidado a filha Danielle para visitá-lo na cadeia. A visita ocorreu nesta semana do dia e a informação foi dada pela coluna Radar da revista Veja pelo repórter Gabriel Mascarenhas. Danielle Cunha seria pré-candidata à deputada federal. Qual legenda? Ela é filiada ao MDB de Temer.

Eduardo Cunha estaria, portanto, exercendo seu poder à distância. O mesmo repórter da Veja informou em 4 de janeiro que o ex-deputado tem medo de ser gravado da cadeia.

Quem não deve, não teme. Ainda mais no caso dele.

Rompimento com Funaro

Rumo à prisão domiciliar depois de ter entregado esquemas de R$ 50 milhões do MDB e do grupo de Temer, Padilha e Moreira Franco, Lúcio Bolonha Funaro foi um dos poucos que comprometeu Cunha preso. O ex-deputado confidenciou a aliados na cadeia o motivo do rompimento.

Foi quando Funaro dedurou a atuação política dos filhos de Eduardo Cunha, especialmente de Danielle, que fez marketing político segundo reportagem da Folha de 2015. Para o ex-deputado, política é coisa de família.

Se depender dele, o homem que derrubou Dilma Rousseff e foi preso acusado de desviar milhões da Petrobras e de Furnas lançará nomes para as eleições de 2018.

Por que ele faz isso? Porque a prisão não o deixou menos poderoso.