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Feliz Dia dos Pais: cinco dinastias que dominam a política brasileira

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Embora moralmente reprovável, o nepotismo existe na política nacional brasileira e norteia as relações de poder entre figuras tradicionais e novos nomes. Conheça cinco pais que dominam e dominaram o nosso cenário.

Feliz Dia dos Pais: cinco dinastias que dominam a política brasileira

(Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil/Fotos Públicas)

O Dia dos Pais em 2017 cai no dia 13 de agosto e a política é repleta deles. Num país onde as relações de poder se entrelaçam com as relações familiares, a corrupção floresce. E muito pai protege os seus herdeiros com o mau uso de dinheiro público.

Por isso separamos cinco histórias de dinastias que dominam a política brasileira.

1. José Sarney

Feliz Dia dos Pais: cinco dinastias que dominam a política brasileira

(Foto: Waldemir Barreto/Agência Senado/Fotos Públicas)

Pai de Roseana, José Sarney de Araújo Costa tem 87 anos e, mesmo sem exercer cargo público, ainda tem poder político. Foi o primeiro presidente do Brasil pós-ditadura militar numa eleição indireta, ao assumir com a morte de Tancredo Neves. Preparou a filha Roseana Sarney como candidata à presidência em 2002 depois de repassar o governo do Maranhão, o que se transformou num fracasso. Mesmo assim, o coronel José Sarney domina o seu estado através de subsidiárias da TV Globo e de sua longa carreira política, que fez apoiando o regime militar. A filha Roseana saiu do governo em 2014, com acusações de corrupção, deixando Arnaldo Melo. O clã Sarney foi derrotado por Flávio Dino, do PCdoB, em 2016, acabando com décadas de PMDB no poder de um estado com educação sucateada.

2. Renan Calheiros

Feliz Dia dos Pais: cinco dinastias que dominam a política brasileira

(Foto: Jonas Pereira/Agência Senado/Fotos Públicas)

Pai de Renan Filho, Calheiros é um sobrevivente na política. Foi defensor de Fernando Collor de Mello no seu processo de impeachment e depois pulou para uma aliança com o PT de Lula a partir de 2006, que colocou Michel Temer como vice de Dilma Rousseff. Defendeu a presidente como pode, mas votou pelo seu impeachment. Com Temer no poder e uma proximidade grande com José Sarney, seu mentor no Senado, tornou-se crítico do presidente e forte aliado de Luiz Inácio Lula da Silva em 2017. Criou Renan Filho na política e o fez vencer para o governo de Alagoas em 2015, não sem antes torná-lo prefeito de Murici e deputado federal no estado onde ele é coronel.

3. Antônio Carlos Magalhães

Feliz Dia dos Pais: cinco dinastias que dominam a política brasileira

(Foto: Wikimedia Commons)

Coronel na Bahia e avô de ACM Neto, Antônio Carlos foi homem forte da ditadura militar e do governo Fernando Henrique Cardoso. Foi governador três vezes da Bahia, chegou a ser ameaçado a tiros na Câmara dos Deputados e era um homem que conhecia como ninguém as entranhas do poder. Ele fez parte do ARENA, PDS, PFL e morreu em 2007 no DEM, aos 79 anos. Preparou ACM Neto antes de falecer para a política. Seu sucessor político se tornou prefeito em Salvador no ano de 2013, depois de tê-lo eleito deputado federal 10 anos antes. ACM Neto é filho de Antônio Carlos Filho, que foi senador e é diretor da Rede Bahia de mídia, herdeiro do coronel ACM, o original.

4. Arnon de Melo

Feliz Dia dos Pais: cinco dinastias que dominam a política brasileira

(Foto: Wikimedia Commons)

Pai do ex-presidente Fernando Collor de Mello, Arnon Afonso de Farias Melo morreu em 29 de setembro de 1983, aos 72 anos. Entrou na política pela UDN antivarguista como suplente de deputado federal em 1945. Tornou-se deputado e governador, simultaneamente, por Alagoas em 1951. Além de político, era jornalista e advogado, o que firmou laços íntimos com a Gazeta de Alagoas e com a Rede Globo local com sua família. O episódio mais conhecido de Arnon de Melo envolve um crime. No dia 4 de dezembro de 1963, Arnon disparou três tiros contra o senador Silvestre Péricles, seu inimigo político, dentro do Senado. O senador Péricles estava na tribuna, a cinco metros de distância, e não foi atingido, mas ele acertou erroneamente um tiro no peito do senador José Kairala, do Acre, que morreu em seu último dia de trabalho. Apesar do assassinato na presença de inúmeras autoridades, Arnon de Melo não teve seu mandato cassado nem qualquer punição imposta pela Mesa. Os dois senadores foram presos em flagrante, mas ficaram presos pouco tempo e foram inocentados pelo Tribunal do Júri de Brasília. O filho Fernando Collor foi eleito presidente da República em 1989 e sofreu impeachment sob acusação de crime de responsabilidade por ter seu ex-tesoureiro de campanha, PC Farias, como testa-de-ferro de operações fraudulentas. Collor foi inocentado pelo STF, mas renunciou com abertura do processo de impedimento.

5. Roberto Jefferson

Feliz Dia dos Pais: cinco dinastias que dominam a política brasileira

(Foto: Marcello Casal Jr./Agência Brasil/Fotos Públicas)

Pai de Cristiane Brasil, ele é o homem-bomba do Mensalão. Roberto Jefferson denunciou em 2005 o esquema de caixa dois do PT e de suposta compra de votos no Congresso no governo Lula, arquitetada pelo ex-ministro-chefe da Casa Civil, José Dirceu. Antes de ser denunciante como deputado federal do PDT, foi defensor do governo Fernando Collor de Mello em pleno impeachment. Por não conseguir comprovar o Mensalão e por ser acusado de ajudar o esquema criminoso, foi condenado a sete anos e 14 dias de prisão pelo Supremo Tribunal Federal. Passou para o semiaberto em 2015 e quitou suas pendências com a Justiça em 2016. Desenvolveu a filha Cristiane Brasil primeiro como vereadora no Rio de Janeiro, em 2005, e depois como deputada federal, eleita em 2015.