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Fernando Haddad é um candidato bom no lugar de Lula?

Pedro Zambarda de Araújo
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Pedro Zambarda de Araújo

Breves considerações sobre o ex-prefeito que foi eleito na época do julgamento do Mensalão e perdeu para João Doria Jr.

Fernando Haddad é um candidato bom no lugar de Lula?

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi condenado no dia 12 de julho de 2017 a uma pena em primeira instância de nove anos e seis meses. Embora não admita em público (não temos plano B, disse em coletiva de imprensa o presidente estadual paulista Luiz Marinho), o PT articula nos bastidores um candidato à presidência para 2018 reserva. E eis que surgiu o nome do ex-prefeito de São Paulo, Fernando Haddad.

Logo que foi ventilado, no mesmo mês, Haddad deu entrevista à jornalista Daniela Lima, titular da coluna Painel na Folha de S.Paulo, e ao jornalista Mario Sergio Conti, na GloboNews. Em junho, um mês antes, ele fez um longo artigo publicado na revista Piauí retratando o golpe parlamentar transformado em impeachment contra Dilma, a derrocada do PT em 2016, a volta do neoliberalismo e o futuro das eleições de 2018 com o ex-presidente petista. Lula, para Haddad, é figura central da política brasileira desde 1970, com a quebra progressiva da ditadura militar.

Mesmo não admitindo que é claramente um presidenciável para o ano que vem, Fernando Haddad tem indiscutivelmente algumas vantagens que não existem no candidato Luiz Inácio Lula da Silva e algumas óbvias fraquezas.

Vamos enumerar algumas delas.

Uma visão intelectual mais "fresca" da esquerda

Haddad deu aulas de ciência política na USP e, hoje licenciado da Universidade de São Paulo, ministra aulas de administração no Insper. Sua pós-graduação é em filosofia. Ao assumir o ministério da Educação entre 2005 e 2012, durante o segundo governo Lula, ele foi responsável pela modernização do Enem e por programas de financiamento universitário, como o Fies. Na era Fernando Haddad no MEC, 18 universidades federais foram criadas.

Frente à prefeitura de São Paulo, Fernando Haddad construiu ciclovias, montou ciclofaixas, criou o programa Braços Abertos na região da cracolândia, novo Plano Diretor urbano e trouxe uma ideologia de esquerda para a maior metrópole brasileira baseada numa visão mais ecológica e inclusiva da sociedade.

A vitória municipal de Haddad se deu em 2012 em pleno julgamento do escândalo do Mensalão, quando o ministro Joaquim Barbosa condenou José Dirceu, José Genoino e grandes nomes do PT. Ele praticamente correu por fora do espectro das notícias prejudiciais ao partido e se tornou uma nova liderança numa cidade estrategicamente importante aos petistas com 3,3 milhão de votos.

A sua decadência como liderança ocorreria em 2016 ao perder para o tucano João Doria Jr., que teve três milhões de votos e venceu em primeiro turno.

Aliança com Maluf e controvérsias

Para vencer José Serra em 2012, Haddad fez uma aliança com Paulo Maluf do PP articulada pelo ex-presidente Lula que lhe custou a vice-prefeitura de Luiza Erundina (PSOL). Fora isso, o ex-prefeito não soube lidar bem com a pressão da oposição contra seu programa de combate ao tráfico de drogas na Cracolândia dando verba aos viciados.

As contas públicas de São Paulo também foram postas em xeque com o superfaturamento de ciclovias na casa de um milhão. A grande mídia, especialmente revista Veja (Editora Abril) e Rádio Jovem Pan, promoveram uma verdadeira campanha de diminuição dos seus feitos.

Diante dos protestos do Movimento Passe Livre (MPL), Fernando Haddad também se colocou favorável às medidas de Geraldo Alckmin na contenção dos manifestantes e na manutenção do preço das passagens. Ele não apoiou abertamente o governador tucano, mas não se opôs diante das Jornadas de Junho no começo do seu governo.

Problemas como candidato, e uma vantagem

A derrota para Doria coloca dúvidas numa possível candidatura de Fernando Haddad à presidência. No entanto, sua boa reputação o transforma num político maleável para futuras articulações do PT.

Ele pode ter uma candidatura solo e pode ser vice de um dos candidatos vigentes. Caso não seja preso, Haddad formaria um bom par com o ex-presidente, que o vê como o futuro do Partido dos Trabalhadores. Caso Sérgio Moro cumpra a sua perseguição às esquerdas, Fernando Haddad poderia articular com Ciro Gomes do PDT uma nova frente esquerdista, atuando como vice-presidente.

As especulações estão abertas. E o ex-prefeito "gato" de São Paulo está na pista.