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Jacques Wagner tem um ponto fraco, mas pode ser um bom candidato do PT em 2018

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Ex-governador baiano e ex-ministro, Wagner tem a marca da experiência. Fontes do alto escalão asseguram que ele é ventilado. Mas existe um ponto fraco se ele assumir o lugar de Lula.

Jacques Wagner tem um ponto fraco, mas pode ser um bom candidato do PT em 2018

(Fotos: José Cruz/ Agência Brasil/Fotos Públicas)

Esta coluna entrou em contato com uma fonte do alta escalão do PT que pediu anonimato. O que é comentado nos batidores é que, se a candidatura Lula for impugnada ou ele for preso, o plano B é o ex-governador baiano do Partido dos Trabalhadores. No entanto, nos mesmos círculos, o nome de Fernando Haddad também é ventilado. Nenhuma fonte sabe afirmar se Luiz Inácio Lula da Silva está de acordo com os dois nomes.

Jacques Wagner tem um ponto fraco, mas pode ser um bom candidato do PT em 2018

Jacques Wagner é um nome cogitado como plano B de Lula dentro e fora do PT. No dia 3 de dezembro, o colunista Elio Gaspari publicou no jornal Folha de S.Paulo: "Com três mandatos de deputado, Wagner governou a Bahia durante oito anos e elegeu seu sucessor. Além disso, foi ministro-chefe da Casa Civil, das Relações Institucionais, do Trabalho e da Defesa. Mais: o baiano é nordestino e carioca. Jaques Wagner seria o primeiro candidato a presidente judeu". Gaspari chama Fernando Haddad, o outro plano B ventilado por petistas, de "biombo". Para o jornalista, o ex-prefeito de São Paulo ficaria isolado na corrida presidencial se ocupasse o mesmo lugar de Luiz Inácio Lula da Silva, o pré-candidato ameaçado pelo julgamento em segunda instância do TRF-4 em Porto Alegre.

Jacques Wagner tem um ponto fraco, mas pode ser um bom candidato do PT em 2018

Em abril de 2013, Wagner participou de um programa Roda Viva da TV Cultura quando ainda era governador da Bahia. O petista enfrentava uma seca que afetou quatro milhões de brasileiros. De fala mansa e elegância, Jacques Wagner usou uma hora e meia de televisão para defender a transposição do Rio São Francisco e os projetos infraestruturais de Dilma Rousseff para ficar bem na fotografia.

Wagner foi eleito governador em 2006, no auge do escândalo do Mensalão. Entrou na máquina política de coligações de legendas articuladas por PT e PMDB, que resultou na passada de bastão de Lula para Dilma, além da ascensão de Michel Temer num impeachment controverso. A vitória do petista, com mais de três milhões de voto, tirou o chamado "carlismo" do poder: a série de governos de Antônio Carlos Magalhães, homem forte de Fernando Henrique Cardoso.

Jacques Wagner fez um sucessor chamado Rui Costa no governo estadual baiano e só saiu em 2015. O carlismo só voltou na prefeitura de Salvador, com ACM Neto e seus laços na grande mídia nordestina.

Antes do governo baiano, Wagner foi deputado federal entre 1991 e 2003, além de ter atuado no Ministério do Trabalho e Emprego do Brasil e na Secretaria de Relações Institucionais do Brasil do primeiro governo Lula. Saído do cargo de governador, o petista tornou-se ministro da Defesa e ministro-chefe da Casa Civil, ambos na gestão Dilma Rousseff.

Hoje Jacques Wagner é secretário estadual do Desenvolvimento Econômico da Bahia.

Homem dos bastidores, conciliador e influente num estado grande como o baiano, que enfrentou uma seca pior do que São Paulo e não teve problemas de falta de água, Wagner é um quadro interessante. Mas ele tem um problema envolvendo os atuais escândalos.

Na Lava Jato

Entre os políticos listados pela Odebrecht, principal empreiteira envolvida na corrupção da Lava Jato, Jacques Wagner aparece com o apelido de "Polo". O motivo do apelido é por ele ter trabalhado no polo petroquímico de Camaçari, como técnico de manutenção durante os anos 1970.

Segundo reportagem publicada na coluna de Fausto Macedo no Estado de S.Paulo em abril de 2017, Wagner teria recebido como presente relógios de luxo no valor de US$ 20 mil, propinas de R$ 12 milhões em dinheiro vivo e caixa dois para campanhas. O governo de Jacques Wagner também teria quitado dívidas da empreiteira.

A empresa também estava relutante em financiar a campanha de Rui Costa, homem de Wagner para sucedê-lo no cargo. Aproximadamente R$ 30 milhões teriam contribuído para que o PT se financiasse com a Odebrecht por três eleições.

Se Jacques Wagner disputar a presidência da República em 2018, corre o risco de virar uma bomba-relógio. É uma boa alternativa para petistas emplacar um nome com essas acusações?