POLÍTICA

Jair Bolsonaro usa cota parlamentar pra campanha de presidente. E aí?

Pedro Zambarda de Araújo
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Pedro Zambarda de Araújo

Até quando vamos fazer vista grossa pra corrupção do "mito da direita" com vocação fascista?

Jair Bolsonaro usa cota parlamentar pra campanha de presidente. E aí?

Vamos falar de desvio de dinheiro público e possível corrupção de Bolsonaro?

A repórter Thais Bilenky informa no jornal Folha de S.Paulo do dia 24 de abril: "Presidenciável, [Jair] Bolsonaro usa cota parlamentar em pré-campanha". Na farra do dinheiro público, o candidato da direita que flerta com o regime militar, e portanto é fascista, usa verba de gabinete para viajar, dar entrevistas e vender o seu peixe.

A Folha informa que ele gastou R$ 22 mil em suas aventuras pelo Brasil e detalha a verba. Foi o valor de R$ 2,5 mil gasto para Bolsonaro ir ao Recife, onde deu palestra na Associação Pernambucana dos Cabos e Soldados em novembro de 2016. Lá ele foi apresentado como "futuro presidente do Brasil, o nosso mito" e ele prometeu que ganharia em 2018 com ajuda dos "homens de bem". Poucos dias depois, viajou a Boa Vista, Roraima, por R$ 4,5 mil, acompanhado de um assessor, cujas passagens, de R$ 4 mil, foram quitadas com a cota parlamentar. Deu entrevistas e uma palestra promovida pelos sindicatos dos policiais civis e o dos federais de Roraima. Ao sair, mo aeroporto, falou da necessidade de controlar a entrada de venezuelanos na região.

No mês de dezembro do ano passado, gastou R$ 1,385 mil para ir a São Paulo dar uma entrevista ao programa "Pânico no Rádio", encerrando a "semana dos presidenciáveis" do programa. Já em janeiro de 2017,  Bolsonaro foi à formatura de soldados da PM em Belo Horizonte, gastando R$ 715 na ida e na volta.

Em fevereiro, Bolsonaro foi a Campina Grande e João Pessoa, na Paraíba, gastando R$ 1,7 mil. Na ocasião, o gabinete bancou a viagem de um acompanhante por R$ 1,9 mil. No mês de março, o deputado foi a São Paulo para encontrar um professor da Universidade Mackenzie especialista em grafeno, material constituído de carbono que faz parte de sua "plataforma" de inovação. Gastou mais R$ 4,6 mil em passagens e a diária de hotel, por R$ 280.

O que Bolsonaro responde sobre isso?

Ele é direto no ponto: "Não estou em campanha, mas estou me preparando para, se o momento exigir, não ser mais um capitão, mas um soldado a serviço de vocês".

O chefe de gabinete de Jair Bolsonaro, Jorge Francisco, negou em nota pública que o deputado esteja em campanha ou pré-campanha eleitoral a qualquer cargo. Completa que Bolsonaro é integrante da Comissão de Segurança Pública e Combate ao Crime Organizado e teria direito a fazer tais viagens.

Bolsonaro também carrega acusações de levar R$ 50 mil em propina na Lista de Furnas, em Minas Gerais, e se vende como um pré-candidato limpo, distante da "corrupção do PT". A acusação de Jair Bolsonaro de usar cota parlamentar não é nova e parece que a "nova direita" se descuida nos gastos públicos. O BuzzFeed denunciou em março que Fernando Holiday, do DEM e do MBL, pagou cabos eleitorais no caixa dois, desrespeitando a legislação eleitoral e cometendo possível fraude na declaração das suas contas de campanha.

Há alguns dias escrevi um texto aqui no Storia falando sobre a necessidade de discutir sobre Jair Bolsonaro com seus fãs. O material teve 16 mil visualizações, 4 mil curtidas no Facebook e pelo menos uns 1500 comentários de gente me xingando de "petista" e até duvidando sobre meus conhecimentos sobre fascismo histórico.

Esses eu vou responder em outro texto. Mas precisamos falar sobre Bolsonaro sim. Até para apurar se ele não comete crimes de corrupção ou desvio de dinheiro público.