POLÍTICA

Lindbergh Farias, João Paulo Rillo e os fracassos do PT

Pedro Zambarda de Araújo
Yazar
Pedro Zambarda de Araújo

Um deputado estadual e um senador criticaram abertamente o Partido dos Trabalhadores. A autocrítica da esquerda vem tarde demais? As insatisfações de Lindbergh e Rillo são suficientes? O PT precisa de mais crítica? E como delimitar, de maneira efetiva, os seus fracassos?

Lindbergh Farias, João Paulo Rillo e os fracassos do PT

O senador Lindbergh Farias, um dos maiores defensores de uma reação ao golpe contra a presidente Dilma Rousseff, gravou um vídeo deprimido no dia 20 de janeiro de 2017. Por 45 votos a 30, o diretório nacional do PT votou a possibilidade de compor chapa com Eunício Oliveira e Rodrigo Maia, políticos do PMDB próximos de Michel Temer.

A decisão, na época, teve aval do ex-presidente Lula. Lindbergh foi uma das poucas vozes contrárias à decisão.

Ele foi taxativo: "Eu acho isso um escândalo. Nós não temos condições e não podemos participar de uma votação de uma chapa composta por golpistas! Houve um golpe de Estado neste país! Afastaram uma presidente democraticamente eleita. Estão rasgando a Constituição! A PEC 55 foi isso. Rodrigo Maia e Eunício Oliveira serão os principais líderes na votação desta Reforma da Previdência e do Trabalho, que é contra o povo trabalhador! A batalha não acabou e é por isso que eu estou gravado [este vídeo]".

Em 11 de fevereiro, o deputado estadual paulista e petista João Paulo Rillo fez uma transmissão ao vivo no Facebook. Ele relembrou que o Partido dos Trabalhadores completou 37 anos e fez uma reflexão mais aprofundada sobre o momento partidário.

"Tem muita coisa para comemorar, mas tem muita coisa para se pensar e mudar. Para corrigir. Erros a serem admitidos. Autocrítica é importante com nossa base social e com o povo que votou no partido. Aproveito o momento para falar do que está acontecendo: Para vocês que são petistas e os que não são petistas", frisou.

Rillo tentou diálogo com o governo Geraldo Alckmin para aprovar medidas de cunho social. Antes de tentar isso no final de 2016, foi o deputado que tomou partido dos estudantes secundaristas e chegou a ser agredido e ameaçado pela Polícia Militar do governador. Hoje ele tenta reajuste para médicos residentes, banimento da bala de borracha da PM em projetos, além de medidas para manter a Banda Sinfônica do Estado de São Paulo.

João Paulo Rillo defende a dialética e o confronto de ideias para lidar com a gestão Alckmin, envolvida com acusações sérias de máfias, da merenda até outros níveis. A bancada do PT sabotou Rillo e as contas do governo tucano foram aprovadas.

Lindbergh e Rillo tocam em pontos incômodos do PT. O partido não admite que tornou pautas reformistas importantes em fracassos em nome da tal "governabilidade". Os avanços do governo Lula, por exemplo, foram comprometidos pela gestão Dilma e, agora, de maneira mais aguda, com Michel Temer.

O Partido dos Trabalhadores surgiu em 1980 com os movimentos de massa dos sindicatos. Englobou a intelectualidade da Universidade de São Paulo e atingiu os acadêmicos que criticaram Fernando Henrique Cardoso e suas atitudes pró-neoliberalismo.

Hoje, o PT é incapaz de fazer uma autocrítica organizada. As vozes autênticas saem pulverizadas em senadores e deputados específicos. E não se trata aqui de defender especificamente Lindbergh ou Rillo. No caso de Lindbergh Farias, por exemplo, ele deve responder a acusações na Operação Lava Jato. Mas isso não invalida o seu ponto de vista crítico e construtivo ao partido.

Lindbergh e Rillo saíram do movimento estudantil. Lindbergh Farias pediu o impeachment de Fernando Collor de Mello com os "caras pintadas". João Paulo Rillo faz uma crítica contundente a Lula: "Primeiro enquadraram o operário pela violência física. Depois é pelo discurso".

Os dois petistas ainda vêem a história do PT com mais acertos do que erros. Mas o partido precisa se cuidar. Já passou da hora de lidar com seus fracassos.