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Maia e Doria: eles negam, mas indiscutivelmente estarão nas eleições de 2018

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Diante da imprensa, eles negam, mas seus gabinetes estão movimentando os bastidores. Um enfrenta resistência dentro do próprio partido, enquanto o outro é incentivado mas não dá como certo seu nome na corrida presidencial.

Maia e Doria: eles negam, mas indiscutivelmente estarão nas eleições de 2018

(Foto: Marcos Corrêa/PR/Fotos Públicas)

Um é presidente da maior e mais influente casa de congressistas do país. O outro administra a cidade mais importante do Brasil e da América Latina. Ambos são seduzidos a deixarem seus cargos. A base de um é no Rio de Janeiro, enquanto outro conta com a máquina de São Paulo que está fragmentada mas pode ser atraída pela sua candidatura.

Rodrigo Maia e João Doria Jr. podem negar à vontade na imprensa. Mesmo assim, a dupla está movimentando os bastidores da disputa presidencial de 2018. Eles são cotados como "candidatos de centro" e como nomes diferentes do tradicional. Numa análise ideológica mais séria, eles são na verdade de centro-direita, opondo-se a Lula e Ciro Gomes.

Doria começou o ano em baixa. Depois de vencer Fernando Haddad em primeiro turno, o prefeito colecionou fracassos ao viajar para fora do país e tentar sabotar seu padrinho político, Geraldo Alckmin. Ele terminou 2017 com Alckmin se consolidando como pré-candidato à presidência e na chefia do PSDB. Seu grupo e o de Aécio Neves saíram enfraquecidos.

2018 começou com João Doria Jr. elevando as passagens de ônibus e metrô para R$ 4, o que despertou manifestações do Movimento Passe Livre (MPL). De acordo com o jornalista Ernesto Neves na coluna Radar da revista Veja, Doria deu como certo que sairá da prefeitura no mês de abril e seu vice, Bruno Covas, já se prepara para assumir o cargo.

Para melhorar a má imagem que se consolidou no período anterior, ele promete turbinar privatizações municipais para ganhar mais espaço no campo liberal. E, a partir disso, o "PrefeiTop" tem dois caminhos possíveis.

Ele pode tentar o governo do estado de São Paulo e é incentivado por alas dos bastidores do PSDB. O clima está tão animado que Doria encomendou pesquisas internas na legenda para verificar as suas reais chances. O obstáculo surge na mão de Alckmin, novamente: o governador que empurrar seu vice, Márcio França, para disputar o cargo. O problema é que França é do PSB, o que não agrada os caciques tucanos. Novamente segundo a revista Veja, Doria teria uma possibilidade numa chapa com secretário de Habitação estadual, Rodrigo Garcia, pelo DEM. Ambos também tentariam o governo.

A segunda possibilidade é João Doria insistir no plano presidencial. No entanto isso ainda é remoto para ele. Na medida que o nome de Geraldo Alckmin se torna um consenso, as ambições dorianas ficam restritas à São Paulo. Mas elas podem de fato extrapolar a prefeitura.

Mais discreto, Rodrigo Maia não sai do noticiário. Homem que tem a Reforma da Previdência nas mãos, ele está num xadrez não declarado com o presidente Michel Temer. Se a medida passar pelo Congresso, o governante do MDB tem alguma chance de lançar uma campanha de reeleição. Caso a coisa fique para a próxima presidência, Temer provavelmente terá que se esforçar para fazer um sucessor.

Maia aparece como um nome forte neste sentido. Segundo a Coluna do Estadão do dia 15 de dezembro, o líder do DEM na Câmara, Efraim Filho, definiu que “Rodrigo Maia pode até não ser o candidato à presidência, mas a sucessão de Michel Temer passará por ele”. O partido poderia desembarcar do governo do MDB já em fevereiro de 2018 por conta das eleições.

Em 15 de janeiro, Rodrigo Maia declarou numa viagem à Nova York que não é candidato presidencial. Deu também uma fala contra o Bolsa Família, afirmando que o programa de assistência social "escraviza as pessoas". Seu discurso tem tudo para também levar o público liberal para o DEM e ele ainda arrisca recomendar o pai César Maia para tentar o governo do Rio de Janeiro, sua área de maior influência.

Maia tem outra vantagem na corrida: pode, constitucionalmente, disputar o cargo de presidente sem deixar a gestão da Câmara. Isso permite influenciar as reformas de Michel Temer sendo um candidato no embate eleitoral.

O calcanhar de Aquiles de Rodrigo Maia são recentes acusações de corrupção. A Cervejaria Petrópolis, dona da Itaipava, teria feito doações de caixa três nas campanhas políticas de 2008, 2010, 2012 e 2014. Um dos beneficiados foi Maia com R$ 200 mil da empresa Praiamar Indústria Comércio e Distribuição, ligada à cervejaria. A empresa repassou propina ao diretório nacional do DEM.

Caixa três é a prática de corrupção por empresas terceirizadas no processo. Não é o caixa um, que é a doação auditada, e nem o caixa dois, o chamado "pagamento por fora".  Por isso, ele ainda teria como se defender juridicamente.

Se você perguntar para Maia ou Doria, eles negarão agora que são candidatos. Mas a conversa provavelmente é demagogia pura.

Os dois estão de olho nas disputas que irão formar o novo governo de 2019. Um olho no presente. O outro está no amanhã, fundamental para a política brasileira.