POLÍTICA

Mendigo Gerson: Como Doria usa pobres para fazer marketing?

Pedro Zambarda de Araújo
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Pedro Zambarda de Araújo

Um post com milhares de compartilhamentos. Uma campanha chamada "Cidade Linda". Como o populismo de direita do novo prefeito João Doria Jr. usa os pobres? Tudo acontece a poucos da Prefeitura de São Paulo

Mendigo Gerson: Como Doria usa pobres para fazer marketing?

Gerson Araújo da Silva tem 41 anos, é mendigo e mora na Rua Libero Badaró, ao lado da Prefeitura de São Paulo. Ele ficou famoso no dia 13 de janeiro de 2017. Tirou uma foto apertando a mão de João Doria Jr. Os opositores de esquerda chamaram ele de "mendigo fake". Foram mais de 180 mil curtidas e 40 mil compartilhamentos.

Basearam-se em preconceitos para dizer que ele era um mendigo pobre "fabricado por Doria".

Gerson é real. Saiu de casa aos 8 anos porque seu pai batia muito na minha mãe. Morou num convento de freiras e está na rua desde os 12 anos. Faz tratamento psiquiátrico, toma medicamentos e diz que hoje se sente bem. Deu entrevista pra Globo, pro SBT, pro Pânico e pra revista Veja. "Mas só você foi repórter de verdade e veio me ouvir por mais tempo", disse. Acreditei. Estava numa pauta pelo DCM, que saiu um dia antes da Veja São Paulo. 

A novidade que apurei, e está documentada nas minhas gravações, é que Doria tinha prometido um almoço para Gerson. "O prefeito nunca cumpriu essa promessa". Na semana que fiz a entrevista, era verão e chovia forte em São Paulo. Poucos dias depois, saiu uma decisão da Prefeitura que a GCM poderia retirar as cobertas dos mendigos e dos sem-teto.

Perguntei a Gerson se ele tinha vontade de processar João Doria Jr. por ter tirado uma foto sem sua autorização para divulgar a Prefeitura, além de não pagar o almoço. Ele disse que sim, mas preferia não fazer isso porque envolve muito dinheiro. E ele está certo.

Antes de Gerson, Doria se vestiu de gari e de pedreiro. Depois de Gerson, Doria se vestiu de cadeirante. Ele mora nos Jardins, tem uma mansão em Campos do Jordão e não poupa no marketing que simula a campanha eleitoral.

O novo prefeito de São Paulo brinca de ser pobre. E usa os pobres.