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Na guerra aberta entre Major Olímpio e Alckmin, a luta é pelos policiais

Pedro Zambarda de Araújo
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Pedro Zambarda de Araújo

O deputado federal do partido de Paulinho da Força tirou o governador paulista do sério. E chamou atenção para uma demanda antiga.

Na guerra aberta entre Major Olímpio e Alckmin, a luta é pelos policiais

(Foto: Gabriela Korossy/Câmara dos Deputados/Alexandre Carvalho/A2img/Fotos Públicas)

Ele foi candidato à prefeitura de São Paulo em 2016 e obteve somente 116.870 mil votos. Ficou conhecido por seu vozeirão, manifestou-se favorável ao impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff e condenou a nomeação de Lula para o cargo de ministro-chefe da Casa Civil. Agora, ele protagoniza uma guerra aberta contra o governador de São Paulo.

O deputado federal Major Olímpio, apelido para o ex-PM Sérgio Olímpio Gomes, protagonizou dois episódios de franca guerra política aberta contra o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin. E os fatos atingem o tucano em cheio nos dias em que ele leva facadas nas costas de seu pupilo, o prefeito João Doria Jr.

No dia 16 de setembro, Olímpio provocou Alckmin num evento em São Carlos. O deputado federal fez acusações em voz alta, com microfone e caixa de som, contra o secretário estadual de Segurança Pública, Mágino Alves Barbosa Filho, e o governador.

Major Olímpio gritou: "cadê o salário da polícia, secretário?". Aliados de Alckmin, o deputado federal Lobbe Neto, o deputado estadual Roberto Massafera (PSDB) e o prefeito de São Carlos, Airton Garcia, defenderam o governador.

"Quero fazer uma pergunta para vocês. Alguém aqui ganha R$ 50 mil do povo de São Paulo? É ele que está gritando. Ele ganha R$ 50 mil, devia ter vergonha, vergonha de vir aqui, R$ 50 mil do povo de São Paulo. Tenha vergonha, deputado. Não pode olhar no rosto dos brasileiros de São Paulo, R$ 50 mil por mês. Vergonha!", gritou Alckmin, revidando as acusações num tom bastante alterado.

A briga não parou ai. Na manhã de 22 de setembro de 2017, Major Olímpio tentou bloquear o carro de Geraldo Alckmin na saída de uma convenção de seu partido, o Solidariedade, liderado por Paulinho da Força no bairro da Liberdade, em São Paulo. O deputado repetiu a reivindicação de aumento salarial para policiais.

Uma reivindicação necessária

De acordo com Olímpio, os policiais militares não recebem aumento há três anos. O governador propôs aumento de 7% no salário de PMs, polícia civil e tecno-científica em 2013. Reajustes foram realizados em 2012 (11%) e 2011 (15%). Depois disso, não se tem notícia de mudança salarial numa carreira que corre perigo de vida com as taxas de criminalidade do estado.

O Estado, no entanto, quer aumentar a idade-limite de aposentadoria dos PMs neste ano. Hoje cabos e soldados são compulsoriamente reformados com 52 anos, enquanto que sargentos e subtenentes podem trabalhar até os 56. Juntos, esses postos e graduações correspondem a mais de 90% dos 93 mil PMs ativos em São Paulo. 

Pela proposta do governo, esse limite subirá para 60 anos para todos esses postos e graduações, como já ocorre com os coronéis, por exemplo. Como esse é o teto da idade ativa para os oficiais, os agentes que quiserem poderão aposentar-se antes, abrindo mão da aposentadoria integral, caso não tenham completado os 30 anos de contribuição.

Alckmin também quer que os agentes fora da ativa sejam recontratados para atuar em setores administrativos da corporação, uma espécie de "bico oficial". A proposta vai tramitar em regime de urgência e deve ser votada ainda neste semestre pelos deputados na Assembléia Legislativa.

O protesto de Olímpio no dia 16 estava lado a lado da manifestação da APEOESP (Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo), organização tradicionalmente de esquerda. Ou seja, embora muitos setores políticos progressistas critiquem a PM por sua militarização e práticas brutais, as pautas acabam se unindo quando o governo estadual precariza o funcionalismo público.

O ponto de Alckmin

Para a imprensa, o Major Olímpio admitiu receber mais de R$ 50 mil por mês, mas de renda bruta, não líquida, como deputado federal. Criticou Alckmin por suas declarações recentes e ressaltou que busca aumento para a categoria dos policiais e não para ele próprio. 

Olímpio diz que não pretende deixar o partido liderado por Paulinho, mas que não concorda com a proximidade do Solidariedade com o governo Geraldo Alckmin.

Por que ficar ao lado do policial?

Embora a esquerda seja muito crítica com a polícia e com a forma que ela se comporta sendo o braço armado de Alckmin, sobretudo contra suas pautas de igualdade social, é importante ver o policial como um trabalhador. Um proletário que sofre os mesmos problemas da gestão neoliberal do PSDB quanto qualquer outro profissional.

Por isso, além de mudar seus métodos, a polícia precisa ser bem paga, guarnecida com os melhores equipamentos e melhor treinada.

Nada disso acontece em São Paulo sob o governo Alckmin. 

Por isso, Major Olímpio tem total razão em seu protesto, com o governador gritando contra ou não.