MICHEL TEMER

No feriado da Independência do Brasil, vivemos na dependência do governo Temer

Pedro Zambarda de Araújo
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Pedro Zambarda de Araújo

Enquanto rola a delação premiada de Antonio Palocci implicando o ex-presidente Lula, o governo Michel Temer se safa da sua pior crise política. Saiba como o presidente desmontou uma visão independente do Brasil na era PT, transformando a nação num espaço dependente.

No feriado da Independência do Brasil, vivemos na dependência do governo Temer

(Fotos: Beto Barata/PR/Fotos Públicas)

O presidente Michel Temer, depois de uma viagem pela China, assistiu o desfile tradicional de 7 de setembro em Brasília com a família. Marcela e Michelzinho lhe fizeram companhia, assim como ministro e os presidentes da Câmara e do Senado, Rodrigo Maia e Eunício Oliveira. No ano anterior, foi para esta festividade com a faixa presidencial depois do impeachment de Dilma Rousseff. Em 2017 o presidente estava num ar maior de descontração.

No feriado da Independência do Brasil, vivemos na dependência do governo Temer

O governo de Michel Temer continua empenhado no desmonte de políticas públicas que fizeram sucesso no passado. E algumas delas tornaram o Brasil verdadeiramente independente internacionalmente entre 2003 e 2016. Temer está no jogando de volta à dependência econômica.

Isso foi tema de capa da revista Carta Capital, publicação de esquerda, nesta semana.

No feriado da Independência do Brasil, vivemos na dependência do governo Temer

(Foto: Reprodução/CartaCapital)

Vamos elencar alguns fatos sobre o país dependente de Michel Temer neste feriado da Independência do Brasil.

O Brasil independente

O documentarista Maurício Costa lançou no dia 6 o filme "EraDosGigantes" buscando responder uma pergunta: A política externa no Brasil foi partidarizada ou defendeu os interesses do Brasil na era Lula? O longa pode ser assistido por R$ 7 na internet.

O material mostra a relação amistosa entre o ex-presidente norte-americano George W. Bush e Lula, mesmo quando o governante brasileiro se recusou apoiar a Guerra do Iraque em prol da "luta pelos pobres". E o filme também realça como o nosso ex-presidente conversou com países latino-americanos como Bolívia, Venezuela e outros, ampliando a posição de destaque do Brasil. "A União Europeia é muito forte, os Estados Unidos são muito poderosos, mas o mundo não é só isso", afirma Luiz Inácio Lula da Silva no registro.

Países fortes economicamente defendem posturas internacionais mais ousadas e fazem acordos que não dependem necessariamente de nações mais ricas. Este era o Brasil da era Lula, um "gigante" segundo o filme. O documentarista entrevistou, além do ex-presidente, figuras como o ex-chanceler Celso Amorim, Samuel Pinheiro Guimarães, Rubens Barbosa, Luiz Felipe Lampreia, Matias Spektor, Sergio Leo, o ex-ministro Cristovam Buarque, o jornalista Mino Carta e Oliver Stuenkel.

E o Brasil dependente

No feriado da Independência do Brasil, vivemos na dependência do governo Temer

Desde quando assumiu o governo, em 2016, Michel Temer dedicou-se a diminuir o país que encontrou. E fez isso sobretudo na política externa.

Enquanto o período lulista pensou de forma esquerdista, mas sem deixar de dialogar com grandes nações capitalista, o período de Temer tornou-se de direita e extremamente subserviente aos interesses externos. 

O atual governo desmontou as estruturas internacionais, pediu pela saída da Venezuela do Mercosul, aumentando as rixas externas com o regime autoritário de Nicolás Maduro, e aproximou-se da gestão neoliberal de Maurício Macri na Argentina. O presidente argentino foi apontado por Temer como um exemplo a ser seguido mesmo com a inflação em alta, desemprego e aumento de impostos. 

O Brasil também perdeu posição de protagonismo para criticar internacionalmente o governo Donald Trump e também pagou mico em reuniões na Noruega e em países da Escandinávia, com o presidente da República confundindo o governo com a Suécia.

A nação brasileira retomou negociações com a China, mas deixou de ter bom trânsito com a Rússia como era no governo Dilma e com diversos países menos desenvolvidos que contribuíam para nossa economia. Temer também fez questão de demonizar e afastar relacionamentos consistentes com Cuba, sobretudo com a posse de seu novo chanceler Aloysio Nunes.

Praga ideológica contra o pragmatismo diplomático

No feriado da Independência do Brasil, vivemos na dependência do governo Temer

O Dia da Independência do Brasil nos convida a refletir: a vocação do nosso país é ser mesmo capacho dos Estados Unidos? Vale a pena privatizar tudo quando temos um escândalo de bilhões de reais e milhares de dólares envolvendo figuras-chave do PMDB e o presidente? Nascemos para ser dependentes? Uma colônia para sempre?

É difícil ter memória detalhada dos eventos quando temos a praga ideológica da direita cegando boa parte do país. O pragmatismo diplomático e o pensamento fora da caixa tornavam os brasileiros mais ricos e desenvolvidos.

Este sonho democrático e menos servil ainda pode voltar a existir. Mas não existe sob Temer.