POLÍTICA

O julgamento e a condenação reacenderam a chama petista em torno de Lula

Pedro Zambarda de Araújo
Autor
Pedro Zambarda de Araújo
O julgamento e a condenação reacenderam a chama petista em torno de Lula

(Fotos: Ricardo Stuckert/Fotos Públicas)

O dia 24 de janeiro de 2018 foi histórico para a política, para Lula e para a cidade de Porto Alegre. Quem esteve lá viu mais de 70 mil pessoas protestando nas ruas pelo direito do ex-presidente de ser candidato. O MST pelo menos trouxe 10 mil para seus acampamentos na praia próxima ao Anfiteatro Pôr-do-Sol. É verdade que a massa de vermelhos nada se assemelha com os anarquistas do MPL e nem com a direita reacionária do MBL - que não conseguiu nem reunir algumas milhares de pessoas entre São Paulo e a capital gaúcha para pedir a prisão do líder petista.

Segundo os próprios porto-alegrenses, foi a maior manifestação da cidade envolvendo a esquerda.

O julgamento e a condenação reacenderam a chama petista em torno de Lula

A grande mídia, notadamente o jornal Folha de S.Paulo, já decreta uma profunda derrota para as aspirações eleitorais de Luiz Inácio Lula da Silva. O colunista Elio Gaspari, notoriamente experiente no meio político, agora decreta que o ex-presidente "brinca" com as massas e não dá certeza se o nome dele estará na urna como fez em textos anteriores. O diretor do jornal, Otávio Frias Filho, já prevê o cenário sem o petista. As ruas, no entanto, dizem outra coisa.

O julgamento e a condenação reacenderam a chama petista em torno de Lula

Na banquinha montada pela deputada Zaidan no Rio de Janeiro normalmente só conseguia cerca de 10 novos filiados ao Partido dos Trabalhadores. Diante do julgamento no dia 24 de janeiro, 35 fichas sumiram do local e mais gente informou intenção de se filiar, informou o jornal Extra da Globo.

Em Porto Alegre, comentários semelhantes eram ouvidos e militantes de outros partidos compareceram nos atos de apoio a Lula. O Diário do Centro do Mundo percorreu o protesto por quatro quilômetros e entrevistou gente comum que viajou até a capital gaúcha e figuras como a filiada ao PSOL Nicole Blass, que trabalhou com Jean Wyllys no Rio e foi vereadora pela legenda.

Não bastassem atos diante do TRF-4 e fora do Brasil, incluindo Paris na França, os petistas também se mobilizaram para fechar a Praça da República em São Paulo assim que saiu a sentença de 12 anos e um mês para Lula.

Os atos podem ser um último "voo de cisne" antes da prisão do maior líder político do PT. No entanto, é simbólico que eles tenham uma mobilidade muito maior do que a agressividade reacionária da direita que adora figuras como MBL e Bolsonaro.

Menosprezar isso e abraçar a tese de Elio Gaspari de que há militantes que recebem R$ 30 do PT em seus atos é ser míope em relação ao que se viu nas mobilizações recentes de militantes e simpatizantes da legenda.