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O que Lula diz sobre seus aliados e adversários em 2018?

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O ex-presidente manda recado para quem acha que ele será sumariamente condenado no ano que vem. A pergunta que fica é: otimismo é o suficiente para a sua situação?

O que Lula diz sobre seus aliados e adversários em 2018?

(Foto: Ricardo Stuckert/Instituto Lula)

No dia 20 de dezembro de 2017, pela manhã, o ex-presidente petista deu uma coletiva de imprensa em seu instituto durante um café da manhã. Foram convidados os sites de esquerda como Brasil 247, Revista Fórum, Diário do Centro do Mundo e o GGN, de Luís Nassif, além de veículos de grande mídia como Folha de S.Paulo (Mônica Bergamo), Estado de S.Paulo (Ricardo Galhardo) e outros.

Luiz Inácio Lula da Silva apareceu pela primeira vez em público com o ex-prefeito de São Paulo, Fernando Haddad, como seu coordenador de campanha. Três dias depois, Lula faria uma participação num jogo de futebol na estreia do campo do MST na faculdade Florestan Fernandes, em Guararema, no interior paulista. Todas as ações são o aquecimento para o julgamento em segunda instância no TRF-4, que ele enfrentará na Lava Jato no começo de 2018, e a própria campanha eleitoral.

Surpreendentemente calmo, o ex-presidente faz considerações sobre aliados, adversários e o espaço que o PT deve ocupar num ano de intensa disputa.

Para ele, o Brasil só "voltará à normalidade" quando o "povo puder votar" e o governo Michel Temer tiver terminado.

A questão Bolsonaro

Segundo diferentes institutos de pesquisa, o principal adversário de Lula na direita política é o deputado Jair Messias Bolsonaro. E ele teceu considerações sobre o ex-capitão que flerta com admiradores da ditadura militar e não tem tanto apreço com a democracia.

"Bolsonaro vive do ódio. A urna é um lugar de depositar esperança e não ódio. Minha campanha será ideologizada. A política foi demonizada por interesses políticos. Quanto mais for assim, mais fascista será a sociedade. Em 2014, o povo foi votar permeado pelo ódio. Agora se trata de distribuição de riqueza", afirmou. E como Lula explica o fenômeno do "mito" nas pesquisas, chegando em 20% das intenções de voto.

Para isso, ele dá uma resposta simples. "[Jair] Bolsonaro vai tão longe quanto o povo quiser que ele vai", complementa.

Candidatos à esquerda

Lula não falou tanto de Alckmin, pois acredita que o PSDB se desmoralizou ao apoiar o governo Temer. No entanto, fez sim considerações sobre outros candidatos que se portam no campo da própria esquerda, onde ele se localiza.

"O Boulos quer ser candidato. Perguntei a ele: 'Boulos, quantos deputados o MTST tem?' Ele falou: 'Nenhum'. Então não posso negociar com você. O que adianta só ter povo se não tem representante?", disse o petista sobre o líder dos sem-teto que é flertado pelo PSOL. Sobre Ciro Gomes, o ex-presidente bateu ainda mais duramente: "O Ciro faz mal a ele mesmo. Quando ele tiver a minha idade, vai perceber que a gente não fala o que a gente pensa. Sai bobagem. Outro dia, ouvi ele dizer: o Lula via dividir o país. Ora, só ganha quem divide o país. Precisa de metade mais um dos votos".

Um grande arrependimento

Recentemente o deputado Paulo Maluf foi preso por lavagem de dinheiro e condenado a sete anos e nove meses. O ex-prefeito de São Paulo e líder do PP, um dos partidos mais investigados na Lava Jato, foi aliado do PT e ajudou a eleger Haddad prefeito de São Paulo. Sobre isso, Lula mudou de opinião.

"Nunca me perdoei por aquela foto com o Maluf. Foi para ganhar tempo de televisão para o [Fernando] Haddad. Estava com a garganta inchada por causa do tratamento do câncer. Não precisava (da fotografia)", exclamou.

Sobre a mídia, que tanto critica, Lula prometeu rever o financiamento, animando sites de esquerda, embora não negue diálogo com os donos da imprensa. Diz que conhece João Roberto Marinho (Globo) e o considera inferior ao seu pai, tendo uma avaliação parecida com Otávio Frias Filho (Folha de S.Paulo). No entanto, diz que é mais distante dos donos do Estadão.

Luiz Inácio Lula da Silva acredita que será inocentado no TRF-4 porque supostamente não há provas de crimes cometidos no caso do triplex do Guarujá. Também acha que a Lava Jato não sabe aceitar críticas, citando os recentes depoimentos do ex-advogado da Odebrecht, Tacla Dúran.

É difícil acreditar no otimismo de Lula, mas ele está certo ao apontar intolerância dos procuradores que o acusam.