POLÍTICA

Os 28 anos entre o Muro de Berlim e Donald Trump

Pedro Zambarda de Araújo
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Pedro Zambarda de Araújo

O mundo já foi "dividido entre comunismo e capitalismo". O mundo já viveu o nazismo de perto em uma guerra mundial. O mundo já viveu governos autoritários que se basearam no preconceito e na eliminação do diferente para sobreviver. O novo governo Donald Trump, pensando sempre "no bem-estar americano", está certo em botar barreiras contra imigrantes de países do Oriente Médio? O que quase três décadas do fim do Muro de Berlim nos ensinaram?

Os 28 anos entre o Muro de Berlim e Donald Trump

Todas as pesquisas da mídia norte-americana apontavam vitória de Hillary Clinton e Donald Trump levou. E na primeira semana de governo, iniciado no dia 20 de janeiro, Trump matou árabes, prometeu aumentar impostos, barrou imigração de países do Oriente Médio e afetou até os imigrantes que já contavam com Green Card, o visto de permanência americana. Foi a vitória de uma visão econômica e política protecionista contra o globalismo que dominou políticos democratas e republicanos desde o fim da Guerra Fria.

Em 9 de novembro de 1989, o Muro de Berlim foi derrubado, unificando as Alemanhas divididas pelo "comunismo e o capitalismo" das disputas entre Estados Unidos e União Soviética. Existe ainda a Muralha da China, mas apenas como monumento. O nazismo parece uma lembrança distante, mas está aparentemente vivo no alt-right e em neofascistas como Richard Spencer - aquele que aparece em dois vídeos tomando porrada de black blocs ao dar entrevistas.

A base de apoio política de Trump é o alt-right, uma evolução natural do Tea Party do Partido Republicano. São direitistas extremos, partidários do conceito absurdo de "supremacia branca" e com um discurso aparentemente atraente para o americano médio e pobre.

Por isso, precisamos falar do Muro de Trump, que pode surgir na fronteira entre México e os EUA.

Primeiramente ele foi frontalmente rejeitado pelo presidente Enrique Peña Nieto, da nação mexicana. Donald Trump quer construir o muro para combater os ilegais e utilizar mão-de-obra mexicana ou impostos de imigração para financiar a aventura.

Trump ressuscita um nacionalismo incompatível com o mundo atual, mas certamente alinhado com a extrema-direita europeia, que rejeita a União Europeia e os programas do Estado do Bem-Estar Social. E a via deste nacionalismo é a do protecionismo que muitas vezes se ergue sem lógica.

Parece que, quase 28 anos depois do fim do Muro de Berlim, não aprendemos nada.

Vivemos em sociedades cada vez mais polarizadas por ideologias fantasmas e com cada vez menos diálogos entre oposições. O Brasil tem seu revival da Guerra Fria, enquanto o governo americano flerta com conceitos que seriam aplaudidos pelo nazismo alemão.

Eu nasci no ano que caiu o Muro de Berlim. Não posso ser à favor do Muro de Trump.

O que aprendemos, 28 anos depois? Este é um texto com mais dúvidas do que respostas.