POLÍTICA

Os rachas na direita depois do impeachment de Dilma

Pedro Zambarda de Araújo
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Pedro Zambarda de Araújo

"Direita xucra"? MBL? Vem Pra Rua? O que aconteceu com os direitistas depois da queda da presidente do maior partido de esquerda no Brasil?

Os rachas na direita depois do impeachment de Dilma

Milhões nas ruas em 2016 e, no mês de agosto, Dilma Rousseff estava removida do poder. Algumas destas figuras já estavam presentes nas eleições de 2014, nas manifestações de 2013 e até de períodos anteriores.

Cresci e militei no movimento estudantil sobretudo no grêmio do Instituto Federal de São Paulo. Nos anos 90 e 2000, era comum tirar sarro das brigas entre a extrema-esquerda e a centro-esquerda  nas inúmeras siglas partidárias. PSOL, PSTU, PCdoB e PCO. Alguns acreditavam em revolução, enquanto outros foram pelo caminho das reformas sociais. E todos os partidos à esquerda criticaram o PT no poder, pelo menos ideologicamente.A direita agora vive o seu momento de divisão com Michel Temer no poder. Liberais convivem com fascistas e exaltadores da ditadura militar, assim como social-democratas enfrentaram choques com socialistas, comunistas, anarquistas e defensores da ditadura do proletariado.

Chega a ser irônico isso acontecer justamente agora.

O MBL de Kim Kataguiri, muito próximo de Moreira Franco e do próprio Temer, lançou Rubinho Nunes vice-prefeito pelo PMDB em Vinhedo (que perdeu) e Fernando Holiday vereador pelo DEM em São Paulo (que ganhou). Com a Lista da Odebrecht sendo divulgada nas atuais etapas da Operação Lava Jato, o Movimento Brasil Livre se desmoralizou em suas ligações diretas e indiretas. Isso explica protestos que concentravam mais de um milhão de pessoas hoje reduzidos a cerca de 20 mil.

A ex-ativista Dani Schwery fez campanha para José Serra, tentou entrar no mundo da política e hoje se afastou do PSDB. Deu uma entrevista reveladora ao DCM falando que os senadores Aécio Neves e Ronaldo Caiado financiaram a divisão entre os grupos pró-impeachment. Afirmou que Rogerio Chequer do Vem Pra Rua é aliado "apolítico" dos tucanos e que a ativista Carla Zambelli, que chegou a se reunir com Temer, é amiga de Augusto Nunes. Eles não conversam mais com o MBL, enquanto Dani abandonou a direita, denuncia Aécio e não é também de esquerda. Está afastada.

Estes grupos liberais, que frequentemente são chamados de "direita xucra" pelo colunista Reinaldo Azevedo da Veja, Folha e Jovem Pan, convivem com ideologias totalitárias. Há um grupo que pediu abertamente na avenida Paulista a morte de Lula e o retorno das Forças Armadas ao poder federal e existem os defensores da volta da monarquia imperial do Brasil - sendo que a família de Dom Pedro II recebe subsídio do governo de Petrópolis no Rio.

A direita está surfando na onda da queda do petismo, mas sua ideologia antipetista está se esfacelando nos subgrupos. 

Passou do seu ápice, hoje vive princípio de decadência e autocrítica, uma vez que a população menos extremista politicamente tirou o apoio que dava nas ruas.