POLÍTICA

Pobre Fred, o primo que Aécio Neves mataria antes de delatar

Pedro Zambarda de Araújo
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Pedro Zambarda de Araújo

Precisamos falar sobre Fred, o parente do senador tucano que apareceu em delação premiada da JBS.

Pobre Fred, o primo que Aécio Neves mataria antes de delatar

Segundo a nova delação premiada da JBS, tornada pública neste dia 17 de maio, Aécio Neves pediu R$ 2 milhões aos donos do frigorífico. A denúncia registrada em grampo foi publicada no Globo.

No áudio, o presidente do PSDB surge pedindo milhões ao empresário Joesley Batista, justificando que precisava da quantia para pagar despesas com sua defesa na Lava Jato. No material que chegou às mãos de Fachin na semana passada, a Procuradoria-Geral da República diz que o dinheiro não foi repassado a advogado algum. As filmagens da PF mostram que o dinheiro chegou em malas em São Paulo para Mendherson Souza Lima, secretário parlamentar do senador Zezé Perrella. Ele é aliado de Aécio e dono do Helicoca, escândalo de meia tonelada de pasta-base de cocaína em Minas que explodiu em 2014, durante as eleições.

O diálogo gravado durou cerca de 30 minutos entre Aécio Neves e Joesley Batista. Eles se encontraram no dia 24 de março no Hotel Unique, em São Paulo. Aécio citou de Alberto Toron, criminalista pode defendê-lo na Operação Lava Jato. A menção já havia sido feita pela irmã e braço-direito do senador, Andréa Neves. Foi ela a responsável pela primeira abordagem ao empresário, por telefone e via WhatsApp.

Joesley quis saber, então, quem seria o responsável por pegar as malas. Deu-se, então, o seguinte diálogo, que é realmente absurdo:

"Se for você a pegar em mãos, vou eu mesmo entregar. Mas, se você mandar alguém de sua confiança, mando alguém da minha confiança", diz Joesley. "Tem que ser um que a gente mata ele antes de fazer delação. Vai ser o Fred com um cara seu. Vamos combinar o Fred com um cara seu porque ele sai de lá e vai no cara. E você vai me dar uma ajuda do caralho", respondeu Aécio.

Eis que surge um personagem curioso e dramático. Precisamos falar dele.

Fred é Frederico Pacheco de Medeiros, que foi diretor da Cemig, nomeado por Aécio, e um dos coordenadores de sua campanha a presidente em 2014. Ele tocava a área de logística e é parente da família. É primo do senador.

Quem levou o dinheiro ao primo Fred foi o diretor de Relações Institucionais da JBS, Ricardo Saud, um dos sete delatores. As entregas foram quatro entregas de R$ 500 mil cada uma e a PF filmou uma delas.

O Aécio Neves que emerge desta delação é um verdadeiro mafioso, um gangster que não hesita nem em ameaçar matar verbalmente seu primo. A história é tão absurda, e parecida com filmes como "O Poderoso Chefão", que eu dei risada de nervoso ao constatar o que estava rolando nesta denúncia.

Na delação do ex-presidente da Transpetro, Sérgio Machado, ele menciona a Romero Jucá, aliado de Temer, que se a roubalheira de Aécio viesse a público, o senador seria "o primeiro a ser comido".

No pacto "com o Supremo, com tudo". Aécio Neves desejou muito o impeachment de Dilma após sua derrota nas eleições de 2014. Fez o que queria e até entregaria os parentes para que seus crimes de corrupção não o comprometessem.

Pobre Fred, o primo que Aécio Neves mataria antes de delatar

Visto como sucessor natural do avô Tancredo Neves, que fez história contra a ditadura militar, Aécio provou-se como uma fraude perigosa da família. Um falso e frustrado prodígio.

No Brasil do golpe, Aécio Neves mataria o próprio primo pra não aparecer numa delação premiada. 

Botaria um corpo boiando no rio para não pagar na Justiça o que o PT já enfrenta.