POLÍTICA

Por que ler "As Ideias Conservadoras", de João Pereira Coutinho?

Pedro Zambarda de Araújo
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Pedro Zambarda de Araújo

Por que ler ideias que discordamos? E o que existe por trás de todo o conservador? Conservador é sinônimo de reacionário? De onde vem o conservadorismo moderno? É fundamental ler para entender as ideologias vigentes.

Por que ler "As Ideias Conservadoras", de João Pereira Coutinho?

José João Freitas Barbosa Pereira Coutinho tem 40 anos e é colunista dos jornais Correio da Manhã (Portugal) e Folha de S. Paulo (Brasil). Queridinho da grande imprensa brasileira,  teve um livro lançado em 2014 pela editora Três Estrelas e com orelha do colunista de extrema-direita Reinaldo Azevedo. "Há muito não se publicava um pequeno grande livro como este (...). Edmund Burke é o Virgílio de Coutinho, o personagem que o conduz pelos círculos, fossos e vales em que se tentou exilar o pensamento conservador, confundido ora com reacionarismo, ora com anacronismo", elogia Reinaldão.

O colunista do site da revista Veja está certo e o livro é de fato muito interessante. Seu ponto de partida é certo sobretudo nos pressupostos teóricos. Professor de ciência política na Universidade Católica Portuguesa, Coutinho inicia o manuscrito insistindo na ideia que não existe um único conservadorismo, mas "conservadorismos" de diferentes raízes. E traça o início do conservador moderno com o irlandês Edmund Burke, que foi um dos maiores críticos da Revolução Francesa.

João Pereira Coutinho então percorre Alexis de Tocqueville, James Mackintosh e Anthony Quinton. Entre os três, há o reconhecimento das falhas do pensamento revolucionário, a sensibilidade de entender que existe uma justificativa naturalista sobre o conservadorismo e que uma de suas raízes mais fortes vem da noção que todos os homens "são imperfeitos".

Por que ler "As Ideias Conservadoras", de João Pereira Coutinho?

A ontologia é bem desenvolvida nos oito capítulos. E quando falo em ontologia, falo do exame filosófico dos elementos que constroem o argumento conservador.

Num outro texto, abordei que a esquerda tende a ser dialética, trazendo teses e antíteses para resultar numa síntese, a tese transformada. O conservadorismo faz a trajetória oposta e conserva uma tese, se ele acredita que aquele costume faz parte da natureza humana. O conservadorismo é naturalista per se.

Ao mesmo tempo, a esquerda tende a torná-lo equivalente ao comportamento reacionário. Reacionário vem de reação. E ele não é meramente conservar características, mas reagir contra mudanças, sejam elas revolucionárias ou não.

Baseado em Burke e em diferentes pensadores, Coutinho presta um grande serviço ao pensamento conservador no texto deste livro. E para críticos do conservadorismo, como eu próprio, é uma boa obra de referência para "entender o inimigo".

Que fique claro que eu próprio sou um pouco conservador em algumas das minhas posições. É por isso que sou de centro-esquerda.