POLÍTICA

PSOL, Lava Jato e a candidatura de 2018

Pedro Zambarda de Araújo
Author
Pedro Zambarda de Araújo

Como o partido faz oposição de esquerda ao PT e tem uma simpatia à operação que investiga o Petrolão. Será que eles podem constituir um discurso consistente em 2018? E será que ele se converterá em votos?

PSOL, Lava Jato e a candidatura de 2018

Luciana Genro, filha do petista Tasso, teve 1,6 milhão de votos em 2014 na disputa presidencial pelo PSOL. Ficou em quarto lugar, atrás de Marina Silva (22 milhões), Aécio Neves (51 milhões, em segundo turno) e Dilma Rousseff (54 milhões). Nos debates, Luciana bateu no financiamento de campanha dos adversários, hoje fonte de investigações na Operação Lava Jato.

Apelidou a tríade Marina, Aécio e Dilma de "gêmeos siameses" por receberem dinheiro de empreiteiras como Odebrecht e grandes empresas do setor de bens de consumo, como a Ambev. O partido dela, que milita pela esquerda e pela liberdade, em tese recusa o financiamento de grandes indústrias nacionais. Devota da crítica à desigualdade do economista Thomas Piketty, Luciana acredita num teto de financiamento de campanha, restrito a pessoas físicas.

Em 2014, Luciana Genro saiu gigante das eleições por fazer uma campanha propositiva. Entrevistei ela em duas ocasiões, além de acompanhar outras duas coletivas de imprensa. Seu único ponto fraco era não fazer o "discurso dos bancos" na economia, que o PT encampou no nível de fazer o governo de Aécio Neves com Dilma Rousseff. Ideologicamente, Luciana era coerente com o PSOL criado em 2004 das entranhas dos petistas indignados com o Mensalão.

A campanha à prefeitura de Porto Alegre em 2016 trouxe outra visão sobre Luciana Genro. Com apenas 12,06% dos votos, a socialista ficou em quinto lugar na disputa com 86 mil votos. A capital do seu estado natal rejeitou ela, muito provavelmente devido aos seus discursos mais recentes.

Em outubro de 2016, Luciana comemorou a prisão (inesperada) de Eduardo Cunha e deu "vivas" à Operação Lava Jato. Na ocasião da morte do juiz Teori Zavascki, em 2017, disse que a Lava Jato deveria ser defendida. Nenhuma ponderação de Luciana Genro sobre a parcialidade do juiz Sérgio Moro contra Lula foi conhecida.

E, desde a saída de Randolfe Rodrigues para a Rede de Marina Silva, a voz de Luciana Genro se intensificou dentro do PSOL, encontrando contrapontos somente com Jean Wyllys e Gilberto Maringoni, quadros mais próximos ao PT. 

No começo de abril, Luciana divulgou uma carta pedindo uma pré-candidatura urgente para o partido. "Diante das divergências é preciso escolher. Creio que o mais urgente é ter um nome do PSOL que faça o partido presente na disputa com a burguesia e o lulismo, para isso sugeri que o MES busque uma solução de compromisso. Como sei que Marcelo Freixo e outras lideranças querem Chico Alencar como candidato, sou da opinião de que este nome pode indicar um caminho de unidade. Somos sinceros em dizer que para nós o nome ideal é o de Marcelo Freixo, por sua representatividade social. Mas em política nem sempre o ideal é possível. E o mais grave é não ter candidatura já. Isso mataria o PSOL. Além disso, é preciso ser dito: respeitamos muito o nosso Deputado Chico Alencar. Ele tem uma posição sobre a Lava Jato muito próxima da minha. Tem uma trajetória de respeitabilidade, a qual tem como principal marca o compromisso ético e a recusa à lógica dominante da política de toma lá, dá cá. Por isso, foi escolhido diversas vezes como um dos melhores deputados federais. Teve papel muito importante contra Eduardo Cunha (PMDB-RJ), um dos maiores corruptos do país, e nesta luta fortaleceu o PSOL. E sempre esteve entre os mais votados do partido no Rio".

Indicou, portanto, Marcelo Freixo e Chico Alencar para tentarem a presidência em seu lugar. Marcelo é um candidato de esquerda com expressão no Rio, embora tenha perdido a disputa na prefeitura. Chico, embora seja um bom parlamentar, foi visto na festa do jornalista Ricardo Noblat "beijando a mão" do tucano Aécio Neves.

Luciana Genro pode não ter falado, mas ela também é outra candidata possível pelo PSOL. Distancia-se, efetivamente, do discurso que Aécio usava para atacar o partido, de que ele era "linha auxiliar do PT". A postura de Luciana definitivamente a transforma numa opositora do Partido dos Trabalhadores e de Lula.

A questão é: Ela seria uma candidata consistente? Ela é um apoio consistente? 

A candidatura em Porto Alegre de 2016 fracassada depõe contra a força da trajetória de Luciana Genro para o ano que vem.