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Quem é Carlos Marun, homem forte de Cunha que quase virou ministro de Temer?

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O homem é o retrato do Brasil pós-Dilma Rousseff, em que as propinas e o Congresso abarrotado de acusações de corrupção são a regra.

Quem é Carlos Marun, homem forte de Cunha que quase virou ministro de Temer?

(Foto: Valter Campanato/Agência Brasil/Fotos Públicas)

Um nome que conecta Eduardo Cunha e Michel Temer ocupou as manchetes dos veículos de comunicação brasileiros na última semana. E ele quase se tornou ministro no governo federal.

Carlos Eduardo Xavier Marun tem 57 anos e é advogado e engenheiro civil. Ele é deputado do PMDB de Porto Alegre. Foi secretário da prefeitura de Campo Grande e diretor-presidente da empresa de habitação da mesma cidade em 1996. Desde 2013 é acusado de lesar o erário municipal em R$ 16 milhões.

Fez parte do PTB e foi eleito deputado federal pelo PMDB em 2014. Na Câmara, fez parte da chamada "tropa de choque" do ex-parlamentar Eduardo Cunha. Ajudou a pressionar pelo impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff. Segundo o jornalista Andrei Meireles do site Os Divergentes de Brasília, Dilma ofereceu três pastas do seu governo para quem quisesse apoiá-la contra o processo de impedimento. Marun só recusou porque o grupo de Cunha fez pressão pela derrubada da herdeira de Lula.

Quando Eduardo Cunha foi cassado e preso, Carlos Marun foi seu último defensor e foi chamado de "suicida" por essa atitude. Depois ele se alinhou com o governo Michel Temer, apoiando a aprovação da PEC do Teto de Gastos, além das reformas que prejudicaram trabalhadores e podem ameaçar aposentados.

Barrou também a aprovação das chamadas "10 Medidas Contra a Corrupção" afirmando o seguinte ao jornal O Estado de S.Paulo no ano passado: “Caixa dois não é propina, não é corrupção, é outro tipo de relação. Político não gosta de caixa dois, gosta de receber e botar na sua conta. Mas, após se fazer uma criminalização da doação oficial, muitas empresas começaram a preferir fazer doação sem revelar”.

É este homem que Michel Temer chegou a anunciar no Twitter como ministro da Secretaria de Governo, colocando-o como novo articulador político.

A dancinha da impunidade

Marun também teve um papel importante no Congresso ao barrar denúncias de Michel Temer de corrupção passiva na delação da JBS. Em outubro, chegou a protagonizar uma verdadeira dança da impunidade. Comemorando a absolvição de Temer, Carlos Marun cantou "tudo está no seu lugar, graças a Deus" em uma suposta homenagem ao sambista Benito di Paula.

Recompensado pelo presidente da República, ele foi indicado para a articulação política no lugar do tucano Antonio Imbassahy. Com a repercussão negativa de Marun, Temer voltou atrás

No mesmo dia da tentativa de ajuda ao deputado Carlos Marun, Aécio Neves anunciou ao site Poder360 que o PSDB vai desembarcar do governo. O homem forte de Cunha quase virou ministro de Michel Temer em plena rebelião tucana.

Marun é também acusado de usar irregularmente sua cota parlamentar. Chegou a usar sua verba vinda de dinheiro público para visitar Cunha na cadeia dentro do Completo de Pinhais, em dezembro de 2016.

Ele quase virou ministro porque tudo está no seu lugar. Graças a Deus. Graças a Deus.