ELEIÇÕES 2018

Quem é Julian Lemos, o coordenador da campanha de Bolsonaro acusado de agressão

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Entenda uma das pessoas-chave que cerca o "mito" da extrema-direita política.

Quem é Julian Lemos, o coordenador da campanha de Bolsonaro acusado de agressão

(Fotos: Divulgação)

Um aliado do deputado Jair Messias Bolsonaro tornou-se notícia na última semana de 2017. E os problemas jurídicos dele podem ser mais um fator para manchar a imagem do pré-candidato de extrema-direita.

Quem é Julian Lemos, o coordenador da campanha de Bolsonaro acusado de agressão

O jornal Folha de S.Paulo publicou no dia 22 de dezembro uma reportagem sobre Julian Lemos. Reportagem feita por Ranier Bragon e Camila Mattoso aponta que ele é coordenador político de Jair Bolsonaro no nordeste foi alvo de três acusações por agressões segundo a Lei Maria da Penha. Lemos foi denunciado pela própria irmã e pela ex-mulher entre os anos de 2013 e 2016.

Num dos casos, Julian Lemos foi preso em flagrante. Do total de três inquéritos, dois foram arquivados após a ex-mulher, Ravena Coura. Ela presentou retratação às autoridades, dizendo ter "se exaltado nas palavras e falado além do ocorrido".

Quem é Julian Lemos, o coordenador da campanha de Bolsonaro acusado de agressão

(Foto: Reprodução/YouTube)

A primeira ocorrência foi em 2013, quando Ravena disse às autoridades ter sido agredida fisicamente e ameaçada por arma de fogo. Esta foi a ocasião que Julio Lemos foi preso.

Demorou três anos, mas em 2016 aconteceu de novo. A ex-mulher Ravena Coura fez nova representação e falou que ex-marido "é uma pessoa muito violenta" e a ameaçou dizendo "vou acabar com você, você não passa de hoje". Seis meses depois, ela afirmou que tudo não passou de uma "desavença banal" e afirma que o ex-marido "é um homem íntegro, honesto, trabalhador e cumpridor de todas as obrigações".

Detalhe: o documento tirando a culpa de Lemos foi apresentado à Justiça pelos advogados do agressor. Ela reafirmou o desmentido em audiência com um juiz.

O terceiro e último inquérito foi aberto em 2016 por representação da irmã do dirigente e está em andamento. Em depoimento aos policiais, Kamila Lemos afirmou ter tentado "apaziguar" uma briga do irmão com a ex-mulher, quando passou a ser ofendida e agredida fisicamente, com "murros, empurrões", tendo sido arrastada pelo pescoço. 

Um laudo do IML confirmou escoriações, mas uma carta de retratação da irmã que mora na Argentina sob o argumento de que o caso já fora resolvido pelas partes surgiu quase um ano depois. A Justiça ainda quer ouvi-la em audiência.

Julian Lemos negou à Folha de S.Paulo todas as acusações, afirmando que elas se aproveitam da "fragilidade dos familiares". A assessoria de Bolsonaro preferiu não comentar.

Lemos é vinculado ao partido Patriota (atual PEN) e é o "homem de confiança na Paraíba" de Bolsonaro.

A responsabilidade do deputado

Jair Bolsonaro frequentemente tenta se livrar do estereótipo de racista e xenofóbico, sobretudo depois de comentários que fez sobre quilombolas e a militância negra. Também quer se afastar das acusações de machista e de agressor das mulheres, sobretudo no caso de acusação de agressão envolvendo a deputada Maria do Rosário. Ele manter alguém como Julian Lemos entre seus homens de confiança confirma o preconceito e mancha sua imagem.

Entre 2016 e 2017, Lemos e Bolsonaro gravaram vídeos. O deputado de extrema-direita, defensor da ditadura militar, chama o aliado de "consultor de segurança" e de representante "das direitas da Paraíba" pela união ideológica.

Já numa gravação de 45 segundos, Lemos defende a aprovação das 10 medidas contra corrupção e apoiam o juiz Sérgio Moro no mesmo ano do impeachment de Dilma Rousseff.

Num vídeo de meia hora de 2017, Julian Lemos fala de uma "crise profunda de ética" após a queda dos nomes de direita como João Doria Jr., Ronaldo Caiado e outros. Diz que a luta de Jair Bolsonaro é a "luta pelo coletivo num país assolado pelos roubos".

Bolsonaro não sabia das acusações de Lemos? Ele acha ok um assessor com acusações de agressões de mulheres no currículo e uma prisão em flagrante? Como ele quer falar da "falta de ética da esquerda" permitindo um assessor como este integrando sua equipe?

As brigas internas esfriaram as conversas entre o partido Patriota e Bolsonaro. Ele quer deixar o PSC para lançar sua candidatura de presidente. O plano B é o PSL dos liberais, que podem aguardar sua filiação no dia 15 de janeiro. Antes das encrencar, Jair Bolsonaro tentou controlar o caixa de R$ 500 mil do Patriota e fez exigências.

Se tudo der errado, Bolsonaro vai tentar o PR. Em qualquer uma das alternativas, o desafio do pré-candidato de extrema-direita é conquistar tempo de televisão e verba de campanha.

Com um assessor como Julian Lemos, a jornada de Jair Bolsonaro fica mais difícil.