POLÍTICA

Quem é Nik Ikeya, o cara que faz o Doria PrefeiTop no Facebook?

Pedro Zambarda de Araújo
Autor
Pedro Zambarda de Araújo

A coluna conseguiu uma entrevista com o criador da fanpage que conquistou seguidores graças às ironias e ao conteúdo informativo que ele faz a respeito do novo prefeito de São Paulo. O que ele pensa sobre política? E quais são os futuros planos? Confira a entrevista.

Quem é Nik Ikeya, o cara que faz o Doria PrefeiTop no Facebook?

Nik Ikeya é publicitário e social media.  É responsável também pelo fenômeno com cerca de 60 mil curtidas no Facebook e interações entre 450 e mil curtidas por brincadeira. É dele a fanpage Doria PrefeiTop, uma sátira bem-humorada com o novo prefeito de direita de São Paulo - uma brincadeira óbvia com a gíria "top" dos círculos coxinhas de São Paulo.

Embora tenham tons completamente diferentes, o nível das brincadeiras da fanpage lembram bastante a página Haddad Tranquilão, que fazia memes com o ex-prefeito esquerdista. Ikeya também fala nesta entrevista sobre suas opiniões políticas pessoais e o que o novo prefeito poderia tirar de lições de quem tira sarro dele. "Não sou socialista de iPhone, sou só de iPhone", diz.

Quem é Nik Ikeya, o cara que faz o Doria PrefeiTop no Facebook?

Confira a entrevista.

Pedro Zambarda: Cara, como surgiu a ideia de fazer o Doria PrefeiTop? A ideia era uma fanpage tipo Haddad Tranquilão? Como você definiu o que queria fazer?

Nik Ikeya: Sinceramente? Não sei. Dois amigos criaram comigo, o Flávio Pucci e o João Chianca. Depois de algumas semanas eles me convidaram pra escrever também. Hoje em dia eu acabo tocando a maior parte, mas vira e mexe a gente discute algumas pautas. Eles são tipo "chairmen" da firma.

A página surgiu assim que o Doria declarou “guerra contra o grafite”, tanto que o nome era “Doria Grafiteiro”. Com o tempo, percebemos que surgiam várias questões, fora o Temer… fora o grafite e mudamos para “PrefeiTop”.

Nunca houve muita definição, tanto que quando me convidaram eu perguntei o que era pra escrever e eles falaram: “Sei lá, qualquer coisa”. No meio desse caminho eu vi que tinha gente com saco de ler textões e segui fazendo isso. Tipo um Morto Muito Louco, vamos andando conforme a música.

PZ: Nik Ikeya, quantos anos você tem? Qual é a sua profissão "regular"? Você pode contar um pouco sobre você?

NI: Tenho 32 anos, publicitário & classe média. De dia faço uns "deseinhos" que dizem “Olha como esse carro é legal!” e de noite uns posts questionando “Será que esse carro é tão legal mesmo?”. Tipo um Bruce Wayne pobre.

Minha cabeça é uma bagunça, então sempre gostei de colocar minhas ideias no papel ou na tela em forma de texto ou imagem, justamente para dar uma organizada. Saudades dos sites criados no Bloco de Notas. Aliás, ninguém perguntou, mas acho o Bloco de Notas - existe no Windows ainda? - e o TextEdit os melhores editores de texto já lançados.

PZ: Quais são os cinco maiores erros da gestão de João Doria Jr. até agora na sua opinião?

NI: Vou listar:

  1. Aumento do limite de velocidade nas marginais. Os dados preliminares, que apontam o aumento de acidentes, já mostram o quão errado isso é. Sem contar todos os estudos e movimentos das grandes cidades para baixar a velocidade nas vias.
  2. O modo como vem tratando a Cracolândia. Desde a operação tiro, porrada e bomba, até a campanha de mídia do combate ao crack. Um problema social e da área saúde, sendo tratado como problema de polícia.
  3. As PPPs, ainda não consigo ter um julgamento muito concreto - mesmo pq poucas foram concretizadas de fato - Mas sabendo do poder e influência que o CNPJ do Prefeito tem, me parece bastante perigoso. O que tenho visto não me agrada.
  4. Desprezo às ciclovias. Conquistamos tanto na gestão passada, em relação à infraestrutura e educação. Em sete meses já temos o aumento de acidentes envolvendo ciclistas - que não ocorria desde 2005 - e o sumiço de algumas ciclofaixas.
  5. Apoio à reforma trabalhista. Não é exatamente um erro de gestão, mas é uma questão pessoal. Sou totalmente contra.

PZ: E ele teve algum acerto? Quais?

NI: Não (silêncio). Brincadeira. O projeto para manter o Diário Oficial apenas digital e eliminar o impresso, eu acho bacana. A contratação da equipe de marketing e comunicação dele é muito acertada também - sem ironia. Eles sabem trabalhar com as mídias sociais.

PZ: Você se considera petista ou apenas um eleitor de esquerda? Quais são as suas ideologias pessoais?

NI: Hoje me considero um eleitor de esquerda, ou do que hoje é considerado “de esquerda”. Não, eu não sou comunista ou socialista de iPhone. Sou só de iPhone mesmo.

Como ideologia eu tenho uma coisa que parece meio banal, e talvez até seja: tenho bom senso e distância do radicalismo. Bom senso para sempre tentar ver o cenário macro, entender todos os lados e, principalmente, suas nuances, para chegar a alguma conclusão ponderada. O radicalismo, pra mim, é coisa de adolescente. Não, muito obrigado, já passei por isso.

Inclusive eu já fui “direitista aecista”, não por convicção, mais por osmose mesmo. Aproveitei essa onda de politização do brasileiro médio e acabei indo mais à esquerda. Estou longe de ser um sujeito super politizado. Na verdade eu confesso a minha ignorância política, embora a esquerda me mostre um lado muito mais humano.

PZ: Na sua opinião, Doria comete gafes por ter objetivos políticos grandes? Como se candidatar a presidente em 2018?

NI: Na minha opinião, ele comete gafes por ideologia mesmo, não por objetivos políticos muito grandes. Não vejo ele sendo diferente em suas ações, se suas chances de disputar o Planalto fossem nulas. Ok, tirando suas provocações quinta-série ao Lula e ao PT e o discurso de representante da nação nos vídeos que ele está em viagem. Mas não são ações efetivas de gestão na cidade.

Acho que ele e sua equipe estão fazendo um trabalho de comunicação pensando na presidência. O uso das redes sociais são imprescindíveis para isso. Doria já conseguiu projetar sua imagem a um âmbito nacional.

PZ: Se o Doria for presidenciável ano que vem, você promete aumentar as piadas? Quais são seus planos futuros?

NI: Se eu não for processado até lá, sim. #PresidenTop2018

Meu plano futuro é ser privatizado por algum PTralha e ganhar rios de dinheiros. 

Brincadeira. Em relação à página, não temos planos muito certos. Mortos Muito Loucos não planejam. Mas tenho uma certa vontade de fazer algum projeto que envolva comédia, sim. #MeContrataDuvivier.