POLÍTICA

Quem é o relator Sergio Zveiter, das denúncias contra Michel Temer?

Pedro Zambarda de Araújo
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Pedro Zambarda de Araújo

Saiba mais sobre o deputado escolhido pela CCJ e seus laços políticos em meio a pior crise do governo Michel Temer.

Quem é o relator Sergio Zveiter, das denúncias contra Michel Temer?

O relator Sergio Zveiter é deputado pelo PMDB do Rio de Janeiro. Filho do ex-ministro do Superior Tribunal de Justiça Waldemar Zveiter e irmão do desembargador Luiz Zveiter, ele é advogado de formação e agora está no centro das questões políticas nacionais.

No dia 4 de julho, ele foi foi escolhido relator da denúncia contra o presidente Michel Temer na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ). Governo e oposição reconhecem que o relator é independente, apesar dele ser do mesmo partido de Temer.

Zveiter é um dos vice-líderes do PMDB na Câmara. Está no segundo mandato de deputado, foi filiado ao PDT e PSD. Em 2016, votou a favor do impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff e da cassação do mandato do ex-deputado Eduardo Cunha. Logo após ser anunciado no cargo, ele enfatizou que não aceita pressões e que é independente, diz o Jornal Nacional da TV Globo.

O site Justificando, da revista Carta Capital, realça uma informação que passou batido na grande imprensa. Ele teria sido advogado das organizações Globo no Rio de Janeiro. Nascido em Niterói, Zveiter foi presidente do Superior Tribunal de Justiça Desportiva da CBF entre 1988 a 1999. Também foi secretário de Justiça do governo do estado do Rio(1999-2000), secretário de Justiça e Direitos do Cidadão (2003-2004) e secretário de Defesa do Consumidor (2004-2006).

Quais são as acusações contra Temer?

A denúncia foi apresentada pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot, nas investigações da Lava Jato. A acusação de corrupção passiva  e possível obstrução de Justiça estão baseada nas investigações iniciadas com o acordo de delação premiada da JBS.

O áudio de uma conversa gravada pelo empresário Joesley Batista, um dos donos da empresa, com o presidente, em março, no Palácio do Jaburu, é uma das provas usadas no processo que está nas mãos de Sergio Zveiter. Eis o trecho da gravação, que aborda os possíveis R$ 500 mil dados ao ex-deputado, hoje preso, Eduardo Cunha, por intermédio de Temer:

"Joesley Batista: Isso, isso. O negócio dos vazamentos, o telefone lá do […] com o Geddel, volta e meia citava alguma coisa meio tangenciando a nós, eu tô lá me defendendo.

O que eu mais ou menos dei conta de fazer até agora?

Tô de bem com o Eduardo.

Michel Temer: Tem que manter isso, viu

Joesley Batista: Todo mês também. Eu tô segurando as pontas, tô indo. […]. Eu tô meio enrolado aqui no processo assim".

O ex-deputado federal Rodrigo Rocha Loures também foi denunciado pelo procurador pelo mesmo crime. Loures foi preso no dia 3 de junho por determinação do ministro do Supremo Tribunal Federal Edson Fachin. No mês de abril, Loures foi flagrado recebendo uma mala contendo R$ 500 mil, que teria sido enviada pelo empresário Joesley Batista, presidente da J&F e um dos donos da JBS.

Para o procurador, Temer usou Rocha Loures para receber vantagens indevidas. O presidente nega todas as acusações.

Janot vai sair do cargo. No lugar dele deve assumir Raquel Dodge na PGR, acusada de ser próxima do presidente Michel Temer e do ministro do Supremo Gilmar Mendes.