LAVA JATO

Quem são os delatores da Lava Jato que estão sendo liberados?

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O julgamento de Lula é marcado e alguns dos delatores presos em segunda instância da operação já estão prestes a ver a luz da rua. Justiça?

Quem são os delatores da Lava Jato que estão sendo liberados?

(Foto: Luis Macedo/Câmara dos Deputados/Fotos Públicas)

Enquanto a Lava Jato se polariza entre Lula, Temer e Aécio, os primeiros delatores são libertados do regime fechado e cumprem penas mais brandas. A Força-Tarefa criou um precedente perigoso em que poucas investigações são feitas, poucos flagrantes são considerados e há muitas decisões com base em declarações.

Os primeiros acusados e condenados pela Operação Lava Jato já estão em regime aberto e outros reduziram penas de décadas para poucos anos. Quem são os delatores? Como a lei da delação premiada os beneficiou? E será que a redução de penas contribuiu para o aperfeiçoamento da Justiça?

Eis os nomes.

Alberto Youssef

Quem são os delatores da Lava Jato que estão sendo liberados?

(Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil/Fotos Públicas)

Youssef foi o doleiro condenado a oito anos e quatro meses de reclusão. É conhecido no Paraná por notórios crimes de lavagem de dinheiro. Preso desde 17 de março de 2014, delatou e reduziu a pena para três anos. No mesmo dia 17 de 2017, passou para o regime aberto durante o aniversário da Lava Jato. Passou a usar tornozeleira mecânica por dois anos. Ele faz delação premiada desde 2005, durante o escândalo do Banestado e sua privatização para o Itaú no Paraná. Os depoimentos e colaborações de Alberto Youssef com a Justiça ajudaram a criar a lei de delação premiada. Ele é frequentemente criticado por setores da esquerda política e do Direito por sua relação próxima ao juiz Sérgio Moro, que atuou nos dois casos.

Paulo Roberto Costa

Quem são os delatores da Lava Jato que estão sendo liberados?

(Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil/Fotos Públicas)

Engenheiro e ex-diretor de abastecimento da Petrobras, Paulo Roberto Costa foi condenado a 12 anos de prisão junto do doleiro Youssef e de executivos da empreiteira Camargo Corrêa. Homem poderoso da empresa de petróleo, foi preso em março de 2014 por envolvimento no esquema que desviou cerca de R$ 10 bilhões, beneficiando nomes do PT e do PMDB através do ex-ministro Antonio Palocci. Sua delação premiada começou a afetar a ex-presidente Dilma Rousseff e ele conseguiu no dia 26 de outubro de 2016 o regime aberto. Deixou de usar tornozeleira mecânica em 3 de novembro do mesmo ano, cumprindo o acordo de leniência com o juiz Moro. Naquele mesmo período, Paulo Roberto Costa teve sua lancha "Costa Azul" leiloada por R$ 1,4 milhão. O pagamento da embarcação foi incorporado aos cofres públicos como parte da restituição dos danos causados pelo ex-diretor à Petrobras. 

Nelma Kodama

Quem são os delatores da Lava Jato que estão sendo liberados?

(Foto: Reprodução/YouTube)

Presa com 200 mil euros na calcinha dentro do aeroporto de Guarulhos segundo uma reportagem da Folha de S.Paulo no dia 14 de março de 2014, Nelma Mitsue Penasso Kodama foi amante de Alberto Youssef e teve relação com o PT desde o assassinato do ex-prefeito Celso Daniel em 2002. Suas atividades são denunciadas desde a CPI dos Bingos em 2006, quando foi chamada de a "dama do mercado de câmbio". Durante a CPI da Petrobras, Nelma cantou um trecho de uma música do Roberto Carlos, chamada "Amada amante, amada amante", para explicar sua relação amorosa com Youssef. Nelma Kodama foi condenada a 18 anos de pena pela Lava Jato e fez delação premiada. Em 20 de junho de 2016, ela foi solta e foi para prisão domiciliar com tornozeleira mecânica e pena reduzida para 14 anos. Fez vídeos na internet debochando da operação, da cadeia e do que passou, mas ela nega que guardou tanto dinheiro na calcinha numa entrevista à revista Veja. Nelma diz que guardou os euros nos bolsos da calça.

Marcelo Odebrecht

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(Foto: Cicero Rodrigues/World Economic Forum/Fotos Públicas)

Preso preventivamente no dia 19 de junho de 2015, Marcelo Odebrecht se tornou um marco na Lava Jato por ser um dos executivos mais conhecidos do setor das construtoras a sofrer penalidades na operação. O juiz Sérgio Moro o condenou no dia 8 de março de 2016 a 19 anos e quatro meses. Em 1º de dezembro de 2016, Marcelo fechou acordo de delação premiada junto com seu pai, Emílio Odebrecht, e se comprometeu a pagar R$ 8,6 bilhões de indenização. Emílio foi condenado a quatro anos, recebeu um ano de liberdade para reorganiza a construtora e vai cumprir em casa. Marcelo cumprirá regime aberto a partir de 19 de dezembro de 2017 com tornozeleira mecânica segundo o jornal Valor Econômico. A delação premiada comprometeu o relacionamento entre pai e filho, informou o portal UOL. Embora cumprindo pena em liberdade, Marcelo e Emílio devem passar o Natal separados. O filho acha que foi injustiçado pelo pai e pela empresa no acordo de delação premiada.

João Santana e Mônica Moura

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(Foto: EBC)

A dupla de marqueteiros que fez a campanha de segundo mandato de Lula e as duas de Dilma colocaram o PT em xeque na delação premiada. No dia 23 de fevereiro de 2016, Mônica e João Santana foram presos um dia depois da decretação de suas prisões. Eles estavam fora do país e foram acusados de desviar pelo menos US$ 7 milhões do esquema do Petrolão pela Lava Jato. Os dois estavam condenados desde o dia 2 daquele mesmo mês a oito anos e quatro meses de prisão. Determinados a realizarem delação premiada, João confessou caixa dois de campanha e Mônica informou supostos emails trocados com a ex-presidente Dilma Rousseff. A dupla foi solta no dia 1º de agosto de 2016 com a fiança estipulada em R$ 2,7 milhões. Ambos também foram proibidos pela Justiça de atuar em campanhas políticas até segunda ordem, mas nenhum usa tornozeleira mecânica.

Nestor Cerveró

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(Foto: Wikipedia Commons)

Engenheiro químico e ex-diretor internacional da Petrobras, Cerveró foi condenado a 12 anos e três meses de prisão. Ele foi o relator oficial do documento fraudulento que deu origem à compra da refinaria de Pasadena, nos Estados Unidos, executada pela Petrobras. O executivo foi preso na madrugada do dia 14 de janeiro de 2015 ao retornar de Londres, no Aeroporto do Galeão. Fechou acordo de delação premiada em 18 de novembro do mesmo ano. Preso por um ano e cinco meses, passou a utilizar tornozeleira mecânica e saiu em junho de 2016. No depoimento às autoridades, acusou Jader Barbalho e Renan Calheiros, ambos do PMDB, de receberem propina da Petrobras.

Demais condenados, réus e acusados

Segundo o Portal G1, da Globo, a Operação Lava Jato tem 116 condenados e 27 presos em três anos de processos. Do montante, 279 se tornaram réus. Dos 27 aprisionados, 13 foram condenados em primeira instância, cinco em segunda instância, um foi condenado em primeira instância e absolvido em segunda (o tesoureiro do PT, João Vaccari) e oito permanecem sem julgamento.

Outros foram colocados em condenação no regime aberto, como o ex-ministro José Dirceu condenado em primeira instância. No entanto, ele não fez delação premiada para atenuar suas penas. Nem ele e nem Vaccari, ambos do PT.

Os casos relatados neste texto e nos números da Lava Jato revelam que ela é uma operação muito mais falha juridicamente do que parece.