POLÍTICA

Renan Calheiros deu o mapa da corrupção do governo Temer

Yazar

Como o ex-presidente do Senado vê o atual governo? Por que a visão dele é importante no momento em que os detalhes da delação da Odebrecht vem a público?

Renan Calheiros deu o mapa da corrupção do governo Temer

O inquérito que investiga senador Renan Calheiros na Operação Lava Jato foi desmembrado pelo Supremo Tribunal Federal a pedido do ministro Edson Fachin, que assumiu no lugar do falecido Teori Zavascki. Na semana, porém, Calheiros deu depoimentos interessantes sobre a própria divisão que existe dentro do governo Michel Temer.

Atualmente líder do PMDB no Senado, Renan afirmou categoricamente que o ex-deputado cassado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) atua no governo do presidente Michel Temer mesmo de dentro da cadeia, onde está desde setembro. A declaração ocorreu após almoço com o ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Moreira Franco.

Ele sugeriu que Temer está sendo chantageado por Cunha e apontou o deputado Carlos Marun (PMDB-MS), presidente da Comissão Especial da Reforma da Previdência, como o porta-voz do ex-presidente da Câmara no Palácio do Planalto.

“Esse grupo originário que tem como líder e chefe o Eduardo Cunha, que as pessoas vão a Curitiba para saber o que ele orienta, o que ele recomenda, o governo não pode ficar exposto a isso. Não pode ficar exposto a isso, e o PMDB não concordará que o governo continue a ser influenciado por Eduardo Cunha”.

"Os últimos sinais emitidos pelo governo com as nomeações mostram que há uma disputa entre o PSDB e o núcleo da Câmara ligado a Eduardo Cunha pelo comando do governo. Os sinais são, de um lado, o fortalecimento do PSDB, que é legítimo porque faz uma sustentação importante no governo, e o fortalecimento do grupo originário da Câmara ligado a Cunha”.

As aspas são de Renan ao longo da semana. Sem tirar e nem colocar palavras.

A divisão do governo Temer se dá, então, em três partes: O antigo "Centrão" de Eduardo Cunha, composto por políticos que atuavam nos bastidores e fizeram repasses dentro do Petrolão; o PMDB de Michel Temer, que tinha Renan como um dos principais aliados; e o PSDB de Aécio Neves, Aloysio Nunes e José Serra, que conseguiram cargos no governo novo e oscilam entre o apoio e a chantagem, porque terão candidato em 2018.

Este é o governo das pessoas que deram o golpe em Dilma Rousseff, criadores da crônica de que o PT é o "partido mais corrupto do Brasil".

Fiquemos atentos aos próximos capítulos.