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Se Alckmin naufragar, a centro-direita já embarca de vez em Huck

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O governador de São Paulo tem prazo de validade. O apresentador da TV Globo tem a cautela necessária para encampar um campo antipetista mais moderado.

Se Alckmin naufragar, a centro-direita já embarca de vez em Huck

(Foto: Divulgação/Montagem/Gilberto Marques/A2img/Fotos Públicas)

2018 começou com Jair Messias Bolsonaro enfrentando acusações de enriquecimento ilícito com sua família no montante de R$ 15 milhões. O escândalo que ganhou tração com denúncias do jornal Folha de S.Paulo já mexe no parquinho da centro-direita brasileira, enquanto a centro-esquerda sofre com a aproximação do julgamento de Lula.

Geraldo Alckmin começa o ano novo com inúmeras pedras no sapato. Em entrevista ao jornal O Estado de S.Paulo, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso disse que a candidatura do tucano pode ser de centro, mas é muito "frágil". O colunista Elio Gaspari, no seu texto divulgado tanto na Folha quanto em O Globo, afirmou que FHC não acha que Alckmin saia do chão com sua corrida ao Planalto. Reportagem da Folha de S.Paulo afirmou que, se Geraldo Alckmin não atingir 10% das intenções de voto nas pesquisas até abril, o PSDB muito provavelmente vai buscar outro candidato.

Nos bastidores, a entrevista de Fernando Henrique foi recebida como uma punhalada nas costas do governador e ativou novamente João Doria Jr., o prefeito que não desiste de se tornar presidente da República.

Mas o pior revés para os alckmistas veio de fora dos círculos tucanos. Luciano Huck tinha desistido de se tornar pré-candidato presidencial e parecia brevemente conformado em atuar nos bastidores da política. No entanto, quem entendeu seu texto repleto de referências ao clássico grego da Odisseia, sentiu que a coisa não iria parar ali.

Segundo a coluna Painel, da Folha, Huck teria pedido a Carlos Augusto Montenegro do Ibope para manter seu nome nas pesquisas. E eis que, no dia 4 de janeiro, a coluna Radar da revista Veja apontou que ele não tinha desistido realmente da disputa. Estava esperando, veja só, o desempenho de Alckmin na corrida.

No dia 7 de janeiro de 2018, Luciano Huck foi ao Faustão na TV Globo e repetiu que não era pré-candidato. Porém, ele reservou 30 minutos do programa para falar de como a corrupção estava corroendo a política, como era necessária a ação de pessoas da geração dele, a boa relação com a esposa Angélica  e outros assuntos.

O programa de Fausto Silva simbolizou duas coisas: a candidatura Huck segue vivíssima e, de alguma maneira, a família Marinho dona da Globo decidiu deixar o apresentador do Caldeirão tentar ser presidente. O discurso dele de assistencialismo com os pobres pode colar.

Alckmin parece estar enrascado. Meio século depois de sua criação, a Rede Globo parece ter finalmente decidido lançar um candidato próprio.

Considerando o alto grau de disseminação da emissora, o campo da centro-direita pode ser abraçado por seu candidato. E, se a esquerda bobear perdendo Lula, capaz que votos migrem para Luciano Huck.

E ai, prontos para ver o Caldeirão chegar no Planalto?