POLÍTICA

Tudo o que o MBL não gosta é "extrema-esquerda"

Pedro Zambarda de Araújo
Author
Pedro Zambarda de Araújo

Sobre os textos de humor involuntário do Movimento Brasil Livre, liderado por Kim Kataguiri.

Tudo o que o MBL não gosta é "extrema-esquerda"

O MBL é um movimento político que, embora faça sucesso entre pessoas que não entendem muito de política, me causa risos involuntários. Formado por filhos de políticos do DEM e PSDB da cidade de Vinhedo, no interior de São Paulo, eles são liderados pelo moço japonês da foto acima. Uma das 100 pessoas mais importantes segundo a revista TIME, ex-colunista da Folha de S.Paulo, Kim Kataguiri é uma figura sui generis.

Articulado como a maioria das mobilizações de hoje, à esquerda e à direita, o Movimento Brasil Livre manifesta-se também na imprensa. E não na grande imprensa. Tem seus veículos oficiais: Folha Política, o canal Ficha Social no YouTube, o YouTuber MamãeFalei, a fanpage Corrupção Brasileira Memes e o site Jornalivre.

É recorrente ler por lá que as figuras que eles não gostam, ou que criticam eles, são "jornalistas de extrema-esquerda". Eu mesmo fui pauta deles, e de aliados ideológicos do MBL, como o Instituto Liberal e o articulista Rodrigo Constantino (ex-Veja, atual ISTOÉ).

O Jornalivre me acusou, por exemplo, de dar uma "barrigada" ao entrevistar a vice-prefeita Nádia Campeão, da gestão Haddad. Veja bem, disseram que eu dei uma informação falsa quando isso foi documentado numa entrevista gravada e tratava-se de especulações sobre pesquisas eleitorais. Hilário.

O Instituto Liberal me chama de "indignado seletivo" e tenta relacionar textos que escrevi sobre videogames no Drops de Jogos, site que mantenho sem vinculação política nenhuma, com artigos que publiquei no Diário do Centro do Mundo.

Mas nem de longe eu sou o alvo favorito da trupe de Kim Kataguiri. A competente jornalista Tatiana Farah é chamada de "militante política" por ter sido repórter da Agência Pública de Jornalismo antes de entrar no BuzzFeed e denunciar o caixa dois do vereador Fernando Holiday, do DEM e do MBL. 

O portal Catraca Livre, que divulga todo o tipo de informação e é focado em eventos, também entrou no balaio.

É curioso. 

Para o Movimento Brasil Livre, tudo o que eles não gostam é "extrema-esquerda". A terminologia inclusive está errada. Eu nunca fui socialista, tive leves flertes com anarquismo, hoje sou um liberal e acredito em reformas sociais. Pela ciência política tradicional, eu seria enquadrado na centro-esquerda, não na extrema-esquerda comunista ou mesmo num anarquismo absoluto.

Extremo é o aliado deles, o proeminente colunista Reinaldo Azevedo, que em um dos seus delírios chegou a publicar que o PT faria uma "revolta armada" no Brasil. 

Os extremos da política pensam desta forma.

Sou um moderado. Mas, pro MBL, tudo o que eles não gostam é "extrema-esquerda".