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Wladimir Costa: o deputado da falsa tatuagem, acusado de corrupção e de assédio

Pedro Zambarda de Araújo
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Pedro Zambarda de Araújo

O deputado folclórico da votação que abafou a investigação contra Michel Temer tem muito mais história nos bastidores do que parece. Vale aprofundar sua história até seu passado no Pará.

Wladimir Costa: o deputado da falsa tatuagem, acusado de corrupção e de assédio

(Foto: Divulgação/Facebook)

O governo Michel Temer é constantemente protegido por moralistas sem moral. O começo do mês de agosto foi marcado pela votação que arquivou as investigações de corrupção passiva e lavagem de dinheiro do presidente da República. E nada disso foi destaque sem que figuras folclóricas tomassem conta da imprensa.

O deputado Wladimir Afonso da Costa Rabelo, que tem 53 anos e é do Solidariedade (SD) do Pará, virou capa do jornal Folha de S.Paulo com uma tatuagem em homenagem a Temer no dia 1º de agosto. Ele votou pelo impeachment de Dilma Rousseff usando confetes e gastou R$ 1,2 mil no desenho dedicado ao nosso governante.

A história ganhou ares de farsa com o passar dos dias.

Wladimir Costa deu entrevista ao jornalista Valmar Hupsel Filho, do jornal O Estado de S.Paulo. Falou à publicação que a homenagem não era definitiva no seu corpo, mais especificamente no ombro. "[A tatuagem] sumiu. Não existe mais. Vou pedir ressarcimento ao tatuador. Estou entrando agora com uma ação contra o tatuador porque ele vai ter que devolver meu dinheiro". 

O deputado não sabia que o desenho era de henna e, portanto, temporário? Wladimir responde: "ele (tatuador) estava simulando que estava furando e não estava, porra. Ele estava simulando. E eu estava tomando cachaça com jambu, que é a nova moda no Pará, e não estava sentindo nada. Eu estava achando que estava (tatuando) e não estava".

Provavelmente o congressista contou uma historinha sobre a tatuagem. Mas a mentira não é a única. Wladimir Costa tem outros processos que merecem a sua atenção.

Desvio de dinheiro público

Tema de uma reportagem do programa Fantástico da TV Globo, o fiel escudeiro de Temer tem problemas com acusações de corrupção. Ele aparece como personagem central de um escândalo de milhares de reais de dinheiro público na terra dele, o Pará.

Nas investigações protocoladas no Ministério Público, cerca de R$ 230 mil sumiram num projeto esportivo de uma ONG dirigida por um assessor do deputado. O auxiliar do parlamentar na verdade é uma espécie de testa de ferro.

Ele diz que não tem relação alguma com o escândalo. E há ainda outro caso polêmico nas costas do aliado do presidente.

O deputado federal teve o mandato cassado pelo Tribunal Regional Eleitoral do Pará (TRE-PA), em julgamento realizado no dia 8 de agosto na Plenária do tribunal, em Belém. A Corte julgou a arrecadação e gastos ilícitos na campanha eleitoral do deputado, que ainda pode recorrer da decisão no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). 

De acordo com o TRE-PA, a juíza Lucyana Said Daibes Pereira, relatora do caso, concluiu que existiram gastos não registrados na prestação de contas da campanha no ano de 2014, somando R$ 410.800 mil. Há também indícios de falsidade em documentos, com base nas acusações do Ministério Público Eleitoral.

Wladimir Costa declarou que gastou R$ 642.457,48 durante sua campanha à Câmara Federal, mas segundo o MPE, o candidato deixou de declarar R$ 149.950,00 em despesas de material gráfico. Há ainda mais de R$ 100 mil em despesas efetuadas entre julho e setembro do ano eleitoral de 2014, que não constam na prestação de contas.

O autor do pedido de cassação foi o Procurador Regional Eleitoral do Pará, Bruno Valente, baseado em pareceres técnicos do TRE que apontam o abuso de poder econômico. O procurador afirma que as omissões na prestação de contas impedem a verificação da regularidade da campanha. 

O deputado diz não temer a Justiça e ainda não perdeu o mandato.

Assédio

As acusações ficam ainda mais sérias na relação entre o deputado Wladimir Costa e a imprensa. Ele foi acusado pela jornalista da CBN, Basília Rodrigues, de assédio moral e sexual. O caso aconteceu na noite de terça-feira, 1° de agosto, e a comunicadora falou sobre o assunto em texto veiculado em seu perfil no Facebook. 

Na publicação chamada “Um ensaio sobre a idiotice”, Basília explica que pediu para ver a tatuagem do deputado após os rumores de que o desenho teria sido feito de henna. Em resposta, Wladimir disse: “Para você, só (mostro) se for o corpo inteiro”.

Havia outros deputados, jornalistas e câmeras filmando o momento do assédio, mas nada disso intimidou a atitude do político. Mesmo com a situação, a jornalista da CBN foi atrás do deputado e insistiu em conseguir a informação que gostaria. Wladimir Costa disse que “tem tatuagens no corpo inteiro”, incluindo uma “íntima” feita para a mulher. No final, disse novamente que não mostraria o tal desenho feito com o nome “Temer” e ainda chamou a repórter de “amor”.

O Sindicato dos Jornalistas do DF manifestou repúdio ao assédio. Parece que o fato da tatuagem ser falsa é o menor dos problemas do aliado de Michel Temer, certo?