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13 hábitos alimentares muito "saudáveis", mas que não são lá essas coisas

Pilar Magnavita
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Pilar Magnavita

Tem coisa mais danada para mudar de opinião do que a Nutrição? Tem não, senhor. Talvez só mulher de TPM (sei bem porque a bipolaridade é tão dinâmica que ocorre umas cinco vezes por dia). Fato é que tudo o que é legal comer hoje, amanhã pode ser o veneno que vai te levar ao túmulo. E se você é desses que cuida da saúde com atenção e esmero, então sabe bem do que estou falando.

E tem coisa à beça que a gente ouve o nutricionista recomendar que a gente nem questiona. Lembro que eu me consultava com uma, para ficar rhyca, phyna e magra para meu casamento em 2000 e lá vai fumaça. E lembro que tudo o que eu fazia era errado. O ovo com arroz que minha avó cozinhava para mim na infância é que estava certo. Minha cabeça já estava dando nós de marinheiros por causa de todos os preparativos. Com a mudança de dieta, então, eu passei a ser a serial killer do Leblon.

Cortei o glúten, o leite (isso doeu muito) e laticínios, qualquer tipo de açúcar, qualquer tipo de doce, qualquer tipo de felicidade na Terra. Meu suco era de couve com maçã, minha sobremesa era cinco castanhas orgânicas sem sal, meu café da manhã era um chá de casca de abacaxi ou leite de amêndoas com pão de forma feito de arroz com humus, minhas refeições usavam carboidratos naturais da terra e sem agrotóxicos como batata baroa ou doce, grão de bico e favas... e se eu cortasse minha língua fora talvez fosse mais feliz.

Não sequei muita coisa. E também é um pouco óbvio que abandonei completamente essas #tendências fashionistas da Nutrição Funcional. Especialmente depois que vi a Julia Lemmertz no Leblon muito infeliz na época, comendo um não sei o que de broto de feijão em um restaurante orgânico. Eu queria ser saudável, mas não havia nascido para essa vida xiita. Afinal de contas, minhas vovós morreram aos 90 e tantos comendo de um tudo. A diferença era que muita coisa era realmente fresca e da natureza.

E será que essas modinhas de sal do Himalaia rosa, leitinho de amêndoas, suplementos vitamínicos (tipo óleo de peixe) fazem bem pra gente? As respostas a estas perguntas podem surpreendê-lo.

#1 Vitaminas

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Sabe essa onda de tomar 500 comprimidos por dia para repor vitaminas? Muitos médicos questionam. Eu, por exemplo, me forcei muitas vezes a tomar Ômega 3 em cápsula por recomendação de nutricionistas. Acabei com uma gastrite que me levou a um tratamento de dois meses. Descobri que sou totalmente intolerante a qualquer coisa que venha do mar (sempre detestei peixe). Minha opção foi a melhor possível: humus tahine e sementes de chia. Coma de tudo um pouco que, se não for atleta, vai ser suficiente para você. Repor vitamina D, por exemplo, basta uns 20 minutos diários de sol. Sem protetor solar (só por esse mísero tempinho)!

#2 Manteiga de amêndoas

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Desde o café da manhã diário da atriz Gwyneth Paltrow até as lojas de orgânicos parecem agora trazer essa novidade de manteiga de amêndoa. Já viram o preço dessa coisa? Caríssimo! Loosho.

Pois a revista eletrônica americana Business Insider pediu para Andy Bellatti, nutricionista e cofundador do grupo Dietitians for Professional Integrity (Nutricionistas para a Integridade Profissional), avaliar a substituição dessa tal manteiga de amêndoa para a tradicional pasta de amendoim americana. E o resultado da análise foi que não há benefícios concretos da substituição. Mais ou menos, ele diz que é a mesma bosta. Gordo do mesmo jeito e quatro vezes mais barato. "Pode ser apenas manteiga de amendoim!" diz Bellatti. As duas trazem proteínas, gorduras saudáveis e vitamina E. Se o objetivo for emagrecimento, fuja de todas elas!

#3 Sucos

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Suco não é saudável, miguxo. É gordo, leva a curva glicêmica lá pras cucuias e ainda não te traz certas vitaminas e, principalmente, fibras que são vitais e estão dando sopa nas frutas. Honestamente? Mais tá valendo comprar um industrializado light com adição de vitaminas e fibras do que você preparar em casa e perder os benefícios durante o processo. Ou melhor ainda: comer uma maçã.

#4 Alimentos livres de glúten

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A menos que você faça um dos 1% dos celíacos, que sofrem pesadamente com o glúten, não há absolutamente nenhum estudo sério (com mais de 15 anos, com grupos de controle, etc, etc) que aponte para efeitos negativos do injustiçado glúten sobre você. Na verdade, estudos mostram que a maioria das pessoas sofre de um ligeiro inchaço e pequenos gases se comem qualquer coisa, de trigo ou não. A receita, amigo, é não abusar e comer sem gana. Quanto mais integral, melhor (mais fibras). Pão é coisa tão sagrada, mas tão sagrada, que está até no Sermão da Montanha: "dai-nos o pão de cada dia". Quem sou eu para contrariar Jesus!

#5 Leite de amêndoas

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Substituir o leite da vaquinha por leite de amêndoas só para ter uma versão bandida da bebida à mesa não vale. Não e não! O leite de amêndoa é praticamente desprovido de nutrientes. Um típico copo, em volume, contém apenas uns 2% de amêndoas e quase nenhuma proteína. Todas as vitaminas são adicionadas. Então, se você está procurando uma alternativa verdadeiramente saudável, opte por soja (com moderação) ou um leitinho de vaquinha mesmo, desnatado ou com baixo teor de gordura.

#6 Granola

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Gorda. Extremamente gorda. Na verdade, é embalada com muito açúcar - uma xícara contém cerca de 600 calorias, ou a mesma quantidade como dois sanduíches de peru e queijo ou cerca de quatro barras de cereais. E aí? Vai encarar?

#7 Clara de ovo

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Muitas pessoas passaram a evitar as gemas quando especialistas em nutrição começaram com uma histeria de que a pobrezinha da amarelinha matava as pessoas de colesterol. Mas há uma boa notícia: um crescente corpo de pesquisadores já defende que, para a grande maioria das pessoas (não todas), o colesterol da dieta (a partir de alimentos que você come) realmente não tem grandes efeitos sobre o colesterol no sangue. O que mais faz efeito para controle dessas taxas é o exercício físico, combinado com dieta livre de frituras e gordura hidrogenada. A gema de ovo faz um bem danado para a saúde: contém mais de 90% de cálcio, ferro, fósforo, zinco, tiamina, B6, ácido fólico e B12, e 89% de ácido pantotênico. Melhor ainda, a gema contém ainda 100% dos carotenóides, ácidos gordos essenciais, vitaminas A, E, D e K de que o nosso corpo precisa. Uma ou duas gemas por semana está bom, se a pessoa é saudável. Bom dia, ovinho mexido de microondas!

#8 Água mineral

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Não tem efeito diferente nenhum da água do filtro. Água é água! E se vir propagandas dizendo que o nível de sódio é zero, que tem magnésio e isso e aquilo... não se deixe enganar! A OMS e a Anvisa estão mais que cansadas de explicar que esses níveis minerais que são NATURAIS da fonte NÃO são nem um pouco relevantes. É papo de concorrência, é propaganda enganosa. Se assim fosse, os franceses estariam morrendo de tomar Perrier e os italianos, a San Pellegrino, a torto e a direito. Dá pena de ver, às vezes, como as pessoas são levadas por boatos sem fundamentação científica.

#9 Xarope de agave

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É o mel da vez. Lembram (ou não) dos anos 80 em que mandavam cortar o açúcar para dar mel? Agora o pozinho branco está sendo substituído por esse tal agave, que nada mais é do que um xarope da planta de mesmo nome,. E que faz também a tão famosa tequila no México! Arriba! Agave contém frutose, natural de frutas e plantas, e o mesmo princípio do xarope de milho. Alguns estudos recentes sugerem que dietas ricas em frutose são ligadas a vários problemas de saúde, incluindo doenças cardíacas. Por isso, se encher de suco não é legal (voltando ao item 3).

#10 Óleo de coco

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O óleo de coco é mais ou menos idêntico ao azeite, no lance das calorias e da gordura. Mas, ao contrário de uma colher de sopa do óleo de oliva, que tem apenas um grama de gordura saturada e mais de 10 gramas de gorduras poliinsaturadas, uma colher de sopa de óleo de coco tem uma bomba de 12 gramas de gordura saturada e apenas um grama de poliinsaturada. Use com moderação. Melhor deixar para aquelas ocasiões especiais como um arroz de coco ou um frango ao curry.

#11 Detox

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Ninguém precisa de desintoxicação. A menos que tenha sido envenenado, você já tem um sistema super eficiente para filtrar a maior parte das substâncias nocivas que você come. Ele é composto do fígado e dos rins. E se eles funcionam bem, pode deixar que a função deles é essa mesmo. Ninguém precisa tomar nada para fazer os dois trabalharem direito.

#12 Sal do Himalaia

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A tonalidade rosa que a gente vê logo no sal do Himalaia é indicativo de óxido de ferro. Ou, como diziam lá na minha rua: ferrugem! Ele também contém pequenas quantidades de cálcio, potássio, ferro e magnésio, e quantidades fracionada mais baixos de sódio do que o sal de mesa regular. Mas vale a pena o preço?

O nutricionista Andy Bellatti adiantou à revista Business Insider: nem de longe. O conteúdo mineral é quase nulo.

#13 Água de coco

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Muitos médicos recomendam muitíssimo a água de coco para a hidratação. É tão rica em nutrientes que equivale quase a um soro natural. Mas em temperaturas mais fresquinhas, que não temos a mesma necessidade de repor potássio, magnésio, sódio e esses minerais. Meia banana já resolve bem mesmo esse problema, com um copo d'água. Uma economia que se faz para quem não mora perto de coqueirais.

#saúde #bemestar #ciência #alimentação #comida