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A arte do Velho Chico

Pilar Magnavita
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Pilar Magnavita
A arte do Velho Chico

Quem já teve a incrível oportunidade de visitar o rio São Francisco sabe que ele é a vida para habitantes de 521 municípios nos seus quase 3 mil quilômetros de extensão. Todo o sustento, cultura, arte e entretenimento dessas pessoas têm como origem essas águas. A produção e a criatividade de peças e objetos de arte encerradas nesse extenso ambiente é algo que nós, habitantes do Sul e Sudeste do Brasil temos que conhecer! Tanto pela riqueza da diversidade quanto pela qualidade que esses inventivos artistas desenvolveram, nas técnicas do bordado e das artes plásticas. E fico muito feliz quando descubro que projetos antigos de promoção dessa cultura local, com pouco investimento, conseguem sobreviver até hoje.

A arte do Velho Chico

Ampliando Saberes é um projeto incrível de promoção e ensino da arte e cultura dos povos do São Francisco. Ele consiste em um barco itinerante ao longo das águas do rio e que promove oficinas com artesãos locais especialmente para jovens e crianças. A embarcação, Santa Maria, também realiza exposições de artistas ribeirinhos, desfilando as peças às cidades vizinhas.

A arte do Velho Chico
A arte do Velho Chico

O projeto foi idealizado pela artista plástica Maria Amélia Vieira, de Maceió (Alagoas), para revelar talentos nas áreas mais afastadas dos grandes centros urbanos. De povoado em povoado, o barco-museu vai cumprindo seu objetivo: espalhar a cultura ribeirinha para que, de mão em mão, ela atravesse mais e mais gerações.

Quando o barco atraca numa cidade ribeira do baixo São Francisco (Sergipe e Alagoas), a população é imediatamente atraída. Traz consigo exposições de arte popular e contemporânea, materiais e maquinários diversos como câmeras fotográficas, filmadoras, tintas, papeis, lápis de cor, argila. Isso tudo é gratuito e, por isso, cria condições ideais para o desenvolvimento e fortalecimento da cultura regional.

O mais interessante é que, nessas regiões, os moradores desenvolvem técnicas altamente modernas de design, como cradle-to-cradle (que é conceber uma peça para que tenha ciclo de vida quase infinito com reaproveitamentos), ensinadas atualmente nas grandes escolas de design de Zurique e Milão. É o caso da bonequeira Dona Morena (abaixo, com Maria Amélia Vieira), de 89 anos, que recicla bordados.

A arte do Velho Chico

Esse conhecimento é repassado para futuras gerações. As crianças aprendem técnicas da arte e da reciclagem com os mais velhos, nas oficinas promovidas pelo Ampliando Saberes.

A arte do Velho Chico

O artista urbano que conhece o Chico se encanta. O estilista fashion week, fotógrafo e mil em um Ronaldo Fraga realizou em 2011 uma grande mostra itinerante, por 12 cidades brasileiras, com diversos trabalhos inspirados no quinto maior rio do Brasil.

A arte do Velho Chico

 Bateu uma saudade de ti, Velho Chico! 

A foto abaixo, inclusive, tirei no delta do rio ano passado. Incrível.

A arte do Velho Chico

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