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A imortalidade de Bosch

Pilar Magnavita
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Pilar Magnavita
A imortalidade de Bosch

Este ano marca o centenário do pintor Hieronymus Bosch, uma espécie de Gabriel Garcia Marquez dos pincéis no século XV. Criou um estilo tão único, apelidado de pintura fantástica, que entrou para a história da humanidade e da arte com apenas 45 telas. Nasceu em Hertogenbosch, na Holanda, como Jeroen van Aeken (Jeroen é a forma holandesa de Jerônimo ou Hieronymus em latim). Foi da sua cidade natal que tirou o pseudônimo de Bosch, para torná-lo imortal no mundo. E será lá, no pequeno município com pouco mais de 140 mil habitantes, que o mundo artístico vai celebrar os 500 anos do trabalho do pintor.

Hertogenbosch iniciou nesta semana uma maratona de celebrações ao longe de 2016. Haverá desde projeções em 3D das pinturas nas praças, fachadas e pontes, até espetáculos de música e teatro inspirados nas telas. A iniciativa nasceu da obsessão de Charles de Mooij, diretor e curador do pequeno Noordbrabants Museum. Para saber mais sobre o calendário de eventos, acesse o site Bosch 500 e descubra as obras desse mestre da arte.

E por que Bosch foi tão importante?

Eu não tinha ideia, até conhecer minha professora de Estética na faculdade, chamada Rosângela Nunes de Araújo em 2003. Um novo mundo se descortinou nas telas de Bosch.

A imortalidade de Bosch

Esse quadro é o "Jardim das Delícias". Para mim, essa tela sozinha poderia eternizar o pintor holandês. A quantidade de detalhes faz o observador se perder no meio do conceito maior das três telas (duas pequenas nas laterais e uma maior ao centro). Significam a transcendentalidade do homem com Céu, Terra e Inferno, nessa ordem. A esse tipo de quadro chamamos de tríptico, que, fechado, fica assim:

A imortalidade de Bosch

Essa parte alude ao terceiro dia da criação do mundo. Representa o planeta, com a Terra dentro de uma esfera transparente, símbolo da fragilidade do universo. Há apenas formas vegetais e minerais, sem animais nem pessoas. Está pintado em tons acinzentados, que se corresponde a um mundo sem o Sol nem a Lua embora também seja uma forma de conseguir um dramático contraste com o colorido interior, entre um mundo antes do homem e outro povoado por infinidade de seres (muito mais legal!).

Como mencionei antes, são tantos os detalhes da Terra e do Inferno que até hoje o povo anda descobrindo significados e mistérios ocultos no tríptico.

Duvida?

Algumas das personagens pintadas nas telas são pessoas conhecidas da época de Bosch, incluindo ele próprio. Como esse rosto claro abaixo, debaixo desse chapéu meio doido.

A imortalidade de Bosch

Outras obras de Bosch tabém trataram o homem como um objeto central. E suas criações eram tão loucas que a própria Igreja não interpretou essa luz que o pintor jogava na humanidade, em contraponto às divindades. Gênio!

Se eu for a Holanda neste ano (acho que não...) certamente irei conferir esse trabalho imortal que Hieronymus nos legou há 500 anos.

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