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Acordar cedo nem sempre é produtivo, diz a ciência

Pilar Magnavita
Yazar
Pilar Magnavita
Acordar cedo nem sempre é produtivo, diz a ciência

Lembro de mim mesma na escola: quando minha série era pela manhã, começando britanicamente às 7h, eu tinha muita dificuldade nas primeiras aulas do dia. Meus cálculos invariavelmente saíam errados e minhas redações pareciam do mobral. Todos já me conheciam: "Pilar só acorda depois das 11h". Mas o que eu podia fazer? Nada além de tomar meu hormônio tireoidiano. Eu me sentia péssima em ser assim, porque o sono era mais forte do que eu e parecia um esforço hercúleo acordar cedo como todo mundo.

No entanto, à medida em que fui crescendo e envelhecendo, acordar cedo passou a ser um treinamento. Ainda não é natural para mim, mas já não é um problema: a partir das 18h preciso comer pouco e me alimentar de coisas confortáveis (uma sopa), não consumir nenhuma bebida a base de café, não assistir filmes e nem séries de drama, não estimular minha criatividade e ler e ver coisas leves. Só assim acordo cedo me sentindo pronta para mais um dia. E evite enxaquecas (sim, eu as tenho regularmente quando acordo cedo). Mas eu te pergunto: quem vive assim numa cidade grande?

Pois é. A ciência (sempre ela) é a luz no fim do túnel para o capitalismo voraz. Pesquisas recentes sobre o sono mostraram que o horário ideal para começar a trabalhar deve ser flexível, respeitando o ciclo circadiano (do sono e do despertar) de cada um. E isso é uma excelente notícia para o povo da madruga como eu!

Acordar cedo nem sempre é produtivo, diz a ciência

É que tem uma galera cujo corpo não funciona MESMO no padrão. Os ciclos podem ser mais lentos ou rápidos, cumpridos ou curtos, cedo ou tarde, para cada um de nós! E se não respeitamos isso, o resultado fica refletido na produtividade social e profissional.

Acordar cedo nem sempre é produtivo, diz a ciência

Mais uma vez: é a ciência!

De acordo com essa matéria da BBC Brasil, que aborda os resultados da Foster School of Business, faculdade da Universidade de Washington (EUA), se não é possível estipular horários diferentes e flexíveis, ao menos estabeleça um expediente por volta das 10h.

Os pesquisadores comentam que há um forte preconceito no mercado de trabalho com as pessoas que possuem o ciclo circadiano mais tardio. Nas pesquisas com os departamento de recursos humanos das empresas com horários flexíveis, elas são mais mal avaliadas do que aqueles que chegam mais cedo, embora a produtividade seja a mesma, comparativamente. Os cientistas acreditam que, naturalmente, a partir das conclusões que apontam maior produtividade para uma jornada de trabalho mais tardia, as empresas irão valorizar mais o aspecto humano dos trabalhores do que, simplesmente, enxergá-los como peões e máquinas sociais.

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