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As primeiras 24 horas na vida de alguém

Pilar Magnavita
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Pilar Magnavita
As primeiras 24 horas na vida de alguém

Homem nenhum sabe a revolução de coisas que uma mulher sente ao dar à luz. Talvez, poucas mulheres também saibam. O momento é tão confuso, com picos de felicidade sublime misturados a medos primais próprios da nossa condição animal no planeta. A partir daí, não se engane. Esse misto de Sétimo Céu com Inferno de Dante perdurará por toda sua vida. Agora, você é mãe, amiga. Agora, você é pai, amigo. A intensidade dos sentimentos desse primeiro momento podem abrandar (e vão!), mas seu coração jamais será o mesmo.

Naquele momento que você se depara com o próprio fruto, você sente que realizou todo seu sentido de vida: aquele propósito básico, biológico e espiritual (porque não?!) que todo ser vivente na Terra tem (se não houver sido deturpado numa visão de mundo menos otimista) de transmitir o código genético de milhões e milhões de anos de experiências dos antepassados dos diversos reinos animais. Se agarre nisso. O que se segue nas primeiras 24 horas é o mesmo com aquele carrinho de montanha-russa: quando você se sente pertinho dos Céus, com a brisa suave a embalar os cabelos, eis que você desaba na realidade. Vai para um lado, vai para outro, sobe, desce… no fim, está despenteada(o), bagunçada(o), sem ao menos ter certeza se sobreviveu ao turbilhão. Por quê? Nas primeiras 24 horas você não existe. Só o que há é o bebê, no maior exercício de humildade e amor ao próximo que existe. Nasce, assim, uma nova pessoa.

A mãezinha ou o paizinho despreparado pode acreditar que o momento é de tranquilidade após o parto, entre paredes silenciosas e confortáveis. E foi por isso que a fotógrafa britânica Jenny Lewis decidiu dar à luz o livro "One Day Young "(“Com 1 dia de idade”). Se você acha que já está suficiente alertada para esse momento, se engana.

Por sete anos, ela registrou mães e seus bebês do bairro londrino de Hackney, nas primeiras 24 horas após o parto. A isso, ela chama de “rito de passagem da maternidade”, período no qual ela enxergou força e resiliência dessas mulheres, algo que ela acredita estar desvalorizado atualmente.

A reportagem é da BBC Brasil.

De acordo com um estudo realizado na Grã-Bretanha, citado na matéria, mais da metade das mulheres que acabaram de se tornar mães sentem o chamado “baby blues” (sentimento de melancolia) logo após o parto, enquanto quase 25% sofrem de depressão pós-parto. Dessas, 62% dizem não ter recebido o apoio necessário. Por isso, papais e mamães, estudem MUITO sobre esse período. A ignorância e o preconceito podem transformar um momento lindo e difícil no maior pesadelo das suas vidas.

Abaixo, dois relatos registrados no livro One Day Young, de Jenny Lewis:

Ana da Costa e Barney: a moça conta que foi muito ingênua sobre os meses de vida do seu bebê. Ela revela que sofreu depressão pós-parto durante os primeiros quatro meses e que não há muita informação sobre isso, que a sociedade não reconhece esse problema. Tabu? A atriz Brooke Shields, que passou experiência semelhante (e bastante pesada) conta que sim, é um tabu. Os primeiros momentos da maternidade podem ser muito difíceis e a atriz chegou a publicar um livro com seu relato ("Depois do parto, a dor: minha experiência com a depressão pós-parto").

As primeiras 24 horas na vida de alguém

Jenny Green e Suki: A mamãe de primeira viagem diz ter ficado temerosa e preocupada de ficar sozinha com sua filhinha Suki, antes de ela nascer. Não tinha muita confiança sobre o que fazer, como fazer. Todo mundo quer acertar e o medo de errar nas coisas mais básicas é terrível! No entanto, quando finalmente a pequena lhe foi entregue aos braços, Jenny relata que todos seus medos desapareceram. Amava-a com todas as forças e desejou que o tempo parasse. Nascia uma mamãe.

As primeiras 24 horas na vida de alguém

Quem quiser saber mais sobre esse momento único, a Parents, revista americana de grande expressão, publicou uma matéria sobre as primeiras horas de vida do bebê.