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Contemplando Scola

Pilar Magnavita
há 2 anos4 visualizações
Contemplando Scola
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Ettore Scola, morto nesta terça (20/01), foi desses diretores de cinema que surgiram nos anos 60 e que dominavam a arte de enquadrar e compor luz e sombra, para criar aquele efeito mega fashion que os europeus faziam na época. No entanto, o gênio italiano sabia mesclar a estética sedutora da época com uma narrativa genuinamente popular. Podemos dizer que o legado de Scola não foi somente o despertar do povão para o cinema na época, como realizar tramas extremamente complicadas, despertando em todos nós sentimentos muito desconhecidos naquele momento, em que Hollywood nos brindava com apenas belas histórias. Foi um camarada com forte veia social, algo que herdou dos seus anos como jornalista. E talvez tenha sido por isso que, no Brasil, Scola tenha, de fato, feito escola.

Em homenagem a esse diretor e roteirista inovador, minha dica para o fim de semana é uma pequena maratona com oito grandes filmes. Prepare a pipoca, a mente e o coração para para toda essa carga das emoções italianas em Ettore Scola. Seus melhores filmes são dos anos 70 e 80, citaria Concorrência Desleal, em 2000 (filmaço), e o documentário-arte "Estranho Chamar-se Fellini" (2013), agora no fim da vida.

#1 Concorrência Desleal (2000)

Umberto (Diego Abatantuono) é um alfaiate que repentinamente começa perder sua clientela para uma loja vizinha, de propriedade de Leone (Sergio Castellitto), que oferece roupas a preços mais baixos. Apesar da rivalidade, os filhos de ambos demonstram grande amizade entre si. Até que um dia vêm a público as diferenças que os concorrentes cultivavam em sigilo: durante uma discussão, Umberto se refere de forma depreciativa ao fato de Leone ser judeu, condição que ele ocultava. A polícia fascista presencia o bate-boca e o comerciante passa a ser perseguido, perdendo sua loja, seus direitos e sua dignidade. Ao testemunhar a desgraça do rival, Umberto se arrepende e trata de fazer o possível para ajudá-lo.

#2 Nós Que Nos Amávamos Tanto (1974)

Um drama que narra as desiluções de três idealistas italianos Gianni (Vittorio Gassman), Nicola (Stefano Satta Flores) e Antonio (Nino Manfredi), que se tornam muito amigos durante o ano de 1944 enquanto combatem os nazistas.

#3 Um Dia Muito Especial (1977)

Benito Mussolini e Adolf Hitler se encontraram em 1938, em Roma, para selar a união política que, no ano seguinte, levaria o mundo à 2ª Guerra Mundial. Praticamente toda a população vai ver o acontecimento, inclusive o marido fascista de Antonietta (Sophia Loren), uma solitária dona de casa que conhece acidentalmente Gabriele (Marcello Mastroianni), seu vizinho, quando o pássaro de estimação dela foge e ela o encontra pousado na janela do vizinho. Antonietta nunca falara com Gabrielle, que tinha sido demitido recentemente da rádio onde trabalhava por ser homossexual. Ela, por sua vez, era uma esposa infeliz e insegura pelo fato de não ter uma formação profissional. Gradativamente os dois desenvolvem um tipo muito especial de amizade.

#4 Feios, Sujos e Malvados (1976)

Roma, Itália. Giacinto Mazzatella (Nino Manfredi) vive em um barraco com sua esposa, dez filhos e diversos outros parentes. Devido ao pouco espaço disponível, eles dormem praticamente um ao lado do outro. Giacinto guarda uma boa quantia em dinheiro mas, temendo ser roubado, sempre o mantém escondido. Isto irrita sua família, que não pode usá-la para melhorar um pouco de vida. A situação chega ao limite quando Giacinto leva para casa sua amante, o que faz com que a família passe a planejar seu assassinato.

#5 Casanova e a Revolução (1982)

Em 1971, Nicolas Edmé Restif de la Bretonne (Jean-Louis Barrault), o controverso escritor e editor, vê a condessa Sophie de la Borde (Hanna Schygulla), a dama de companhia de Marie-Antoinette (Eléonore Hirt), deixar Paris secretamente. Ele conclui que o rei Luís XVI (Michel Piccoli) e sua família já tinham deixado a capital. Determinado em satisfazer sua curiosidade e testemunhar o maior evento histórico de sua vida, o escritor parte em perseguição à condessa, pois assim achará o rei. No caminho conhece um idoso cortesão, que não é nem mais nem menos que Casanova (Marcello Mastroianni), o mestre da sedução, que guarda seu encanto ainda, apesar de ter 66 anos. Por um acaso do destino eles acabam na mesma carruagem onde também estão também Sophie e Thomas Paine (Harvey Keitel), um ativista político americano. Como o cocheiro faz seu trajeto através da cidade de Metz, os viajantes descobrem que eles estão seguindo a mesma rota de outro cocheiro, que leva à família real.

#6 O Baile (1983)

Sem diálogos, o filme conta parte da história da França, da década de 1930 à década de 1980, a partir dos personagens reunidos em um salão de dança. Através das recordações das pessoas, da música e da dança, o filme traça um panorama da evolução do país, da ocupação nazista ao surgimento do rock'n'roll.

#7 A Família (1987)

Conta a trajetória de uma família italiana, desde o início do século 20 até os anos 80. Quem faz esta retrospectiva sentimental é a personagem Carlo que, em seus 80 anos de vida, presenciou mortes, nascimentos, revoluções e guerras. É uma narrativa delicada e sutil, também, nas transformações físicas e psicológicas de seus personagens. São passagens de tempo que fazem ratificar que a vida é assim mesmo, passa que a gente nem sente. E os personagens, são naturais, banais, tal como nós. Com um forte senso social, Scola também mostra a transformação de uma Itália em tempos de (pós)-guerra, com as transformações das personagens dessa família.

#8 Documentário: Que Estranho Chamar-se Federico (2012)

O último trabalho de Ettore Scola, em homenagem ao grande amigo Federico Fellini. É divertidamente italiano.

#Scola #ettorescola #cineasta #italia #cinema #diretordecinema #cinemaitaliano #filmesclássicos #filmesclassicos

Sobre Reinheitsgebot, a pureza alemã

Os alemães não têm jeito. Os caras comemoram até hoje a Lei da Pureza, conhecida como Reinheitsgebot. Para eles, alemã boa é alemã pura.

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Calma, gente, que é a pureza da cerveja! Foi criada em 1516, pelo duque Guilherme IV da Baviera, para proteger os consumidores da época de produtos com ingredientes tóxicos. Acredita que é a norma ara alimentos mais antiga do mundo ainda em vigor? Assim, também não havia riscos de ninguém aguar o chope da realeza.

Muitos produtos que não eram taxados (ilegais) levavam ingredientes tóxicos como beladona, papoula ou rosmarinho silvestre. O decreto foi criado apenas para a região da Baviera, mas como a cerveja é coisa séria, acabou valendo para todos os reinos germânicos e prussianos. Na época, quem desrespeitasse poderia pagar até com a vida!

O vigor da Reinheitsgebot faz aniversário de 500 no dia 23 de abril deste ano. No entanto, com o desenvolvimento da União Europeia ao longo da segunda metade do século XX, a Alemanha precisou alterar um pouco a composição da cerveja para atender o mercado da exportação. Quem atende os outros países precisa pedir uma permissão especial para não seguir a Lei da Pureza. Parece que apenas 0,001% dos produtores alteram a fórmula para atender o mercado externo.

Há mais de 1,3 mil cervejarias na Alemanha, que produzem cerca de 95 milhões de hectolitros por ano - 85% da produção é consumida no próprio país.

Sobre Reinheitsgebot, a pureza alemã

O consumo de cerveja caiu nos últimos dez anos de 116 para 106 litros por pessoa por ano. No entanto, os alemães continuam entre os maiores bebedores de cerveja do mundo em termos de consumo per capita - ranking que costuma ser liderado pela República Tcheca.

Quer fazer uma cerveja purinha, tipo Reinheitsgebot?

Olha aí o decreto:

"Proclamamos com este decreto, por Autoridade de nossa Província, que no Ducado da Baviera, bem como no país, nas cidades e nos mercados, as seguintes regras se aplicam à venda da cerveja:

Do dia de São Miguel (29 de Setembro) ao dia de São Jorge (23 de abril), o preço para um Litro ou um Copo, não pode exceder o valor de Munique do pfennig (moeda local).

Do dia de São Jorge (23 de Abril) ao dia de São Miguel (29 de setembro), o litro não será vendido por mais de dois pfennig do mesmo valor, e o copo não mais de três Heller (Heller geralmente é meio pfennig).

Se isto não for cumprido, a punição indicada abaixo será administrada.

Se todo cervejeiro tiver outra cerveja, que não a cerveja do verão, não deve vendê-la por mais de um pfennig por Litro.

Além disso, nós desejamos enfatizar que no futuro em todas as cidades, nos mercados e no país, os únicos ingredientes usados para fabricação da cerveja devem ser lúpulo, malte e água.

Qualquer um que negligenciar, desrespeitar ou transgredir estas determinações, será punido pelas autoridades da corte que confiscarão tais barris de cerveja, sem falha.

Se, entretanto, um comerciante no país, na cidade ou nos mercados comprar dois ou três barris da cerveja (que contém 60 litros) para revendê-los ao vendedor comum, apenas para este será permitido acrescentar mais um Heller por copo, do que o mencionado acima. Além disso, deverá acrescentar um imposto e aumentos subsequentes ao preço da cevada (considerando também que os tempos da colheita diferem, devido à localização das plantações).

Nós, o Ducado da Baviera, teremos o direito de fazer apreensões para o bem de todos os interessados."

– Guilherme IV Duque da Baviera

Tá certo, Gui! Mandou muito bem!

Sobre Reinheitsgebot, a pureza alemã
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pilarmag
Escritora, psicóloga de parentes e amigos, experimentada na cozinha e na Comunicação, já pipocou na chapa quente de grandes jornais e empresas, mãe de cachorro, esposa prendada e tirana, mulher sensível e chorona, teóloga meia boca, fã de Neil Degrasse Tyson. Namastê! Prazer em te conhecer.