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Estudo conclui que muitas crianças diagnosticadas com TDAH podem ser só imaturas

Pilar Magnavita
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Pilar Magnavita
Estudo conclui que muitas crianças diagnosticadas com TDAH podem ser só imaturas

O transtorno de déficit de atenção e hiperatividade (TDAH) virou o distúrbio da moda para as crianças. Qualquer pimentinha agitada, que no bom vocabulário da minha avó era chamada de "impossível", tem sido encaminhada para consultórios de psicologia e psiquiatria para o ajustamento do comportamento. Eu disse que estão sendo encaminhadas aos psiquiatras e psicólogos! Ou seja: quem está encaminhando essas crianças já rotuladas aos especialistas que deveriam ser os únicos a diagnosticar?

Alguns colegas psicólogos andam me contando muito isso: a professora ou coordenadora de educação escolar encaminha a criança para eles para que tratem do distúrbio. E não para que eles entendam o que está se passando com a pequena! E às vezes não é demais! Porque a criança é agitada, não gosta de ser criticada, tem dificuldades em aceitar ordens sem que sejam devidamente explicadas, não se dá bem com outros colegas... As razões são muitas! E quando vão a um psiquiatra mais irresponsável, são medicadas até a alma diante de relatos horríveis dos professores (e de até alguns papais que se esqueceram do que é ser criança).

Pois a ciência (sempre ela, a salvadora!) resolveu separar direito esse joio do trigo e concluir que muitas criancinhas que estão rotuladas com o distúrbio e que apresentam o comportamento mais difícil são, na verdade, apenas imaturas.

Meninos, por exemplo, lotam os consultórios. Pela natureza mais agitada e impulsiva que a biologia confere à maioria. E também pelo ritmo de desenvolvimento diferente das meninas.

A pesquisa, do Departamento de Psicologia do Taipei Veterans General Hospital em Taiwan (publicada no Journal of Pediatrics), foi desenvolvida lá. Estudou 400 mil crianças entre quatro e 17 anos, identificando que a percentagem de jovens diagnosticados com TDAH muda significativamente dependendo mês de nascimento. Onde apenas 2,8% dos rapazes nascidos em setembro têm a condição, o número salta para 4,5% em agosto, subindo de forma constante ao longo do ano escolar. Para as meninas, a variação é de 0,7% para 1,2%.

Estudo conclui que muitas crianças diagnosticadas com TDAH podem ser só imaturas

Só para termos uma ideia, o uso contínuo de medicamentos como Ritalina, indicados para esses casos de TDAH, podem causar reações adversas, tais como perda de peso, toxicidade hepática, e pensamentos suicidas, e no curto prazo, pode suprimir a puberdade.

Os autores atribuem esse grande número de casos envolvendo imaturidade pela incapacidade dos professores de lidarem com isso. Invariavelmente, comparam alunos que nasceram em janeiro com outros que nasceram em dezembro do mesmo ano. Como eu disse lá em cima: encaminham para o psiquiatra e psicólogo a criança já rotulada e diagnosticada. Porque acreditam que têm condições de identificar o distúrbio. A idade, como um indicador da maturidade cognitiva, pode desempenhar um papel crucial no risco de ser diagnosticado com TDAH e receber medicação TDAH entre crianças e adolescentes sadias. A indicação dos pesquisadores é considerar esse um ano na vida da criança na hora de pensar no distúrbio e não dar remédios à toa.

O TDAH começa na infância e se manifesta como uma incapacidade de organizar e manter a atenção e modular nível de atividade e ações impulsivas. Os sintomas mais comuns são agitação ou inquietação constante e muita distração, a ponto de dificultar bastante o desempenho escolar e as atividades no trabalho. Muitas pessoas com TDAH também apresentam dificuldades de aprendizagem e outros problemas, como distúrbios do sono. A condição é normalmente diagnosticada entre 3 e 7 anos de idade.

A questão não é tão simples, mas certamente necessita de muito mais pesquisas assim! Enquanto isso, vamos tirar a criança de dentro de casa mais regularmente e dá-las um boa dose de exercícios diários!

Estudo conclui que muitas crianças diagnosticadas com TDAH podem ser só imaturas

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